Projeção do Produto Interno Bruto brasileiro para 2026 é revisada para baixo pelo Banco Central

Marcelo Borges
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Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central do Brasil atualizou suas projeções econômicas e reduziu de 2% para 1,8% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano de 2026. A informação foi oficializada com a publicação do Relatório de Política Monetária, documento divulgado nesta quinta-feira que detalha o panorama macroeconômico do país e as tendências para os próximos anos.

De acordo com o documento técnico elaborado pela autoridade monetária, a revisão para baixo reflete um comportamento de desaceleração que já vinha sendo monitorado pelo mercado. Os dados mostram que a economia brasileira apresentou uma expansão mais modesta ao longo do segundo trimestre do ano, período que foi marcado por uma retração no consumo das famílias. A análise indica que esse ritmo mais lento de atividade econômica tende a persistir ao longo do terceiro trimestre.

Os economistas do Banco Central apontam que essa perda de dinamismo na atividade produtiva tem raízes no final de 2024, momento que coincidiu com o início de um novo ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic. O encarecimento do crédito e o controle monetário mais rigoroso têm como objetivo conter pressões inflacionárias, mas acabam gerando um efeito de arrefecimento sobre o ritmo de crescimento da economia a médio prazo.

Diante desse cenário de transição econômica e ajustes nos juros, a expectativa para o desempenho do PIB em 2027 também foi projetada, ficando em 1,4%. O conjunto de indicadores reforça um ambiente de cautela para os próximos anos, conforme os efeitos da política monetária continuam a se propagar pelos diversos setores produtivos e pelo mercado de consumo interno.

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Perspectivas para a inflação e riscos à meta

No mesmo relatório, o Banco Central abordou o comportamento dos preços e alertou que o índice oficial de inflação poderá registrar uma nova alta no encerramento deste ano, alcançando a marca de 5,2%. No entanto, a perspectiva de médio prazo aponta para uma trajetória de convergência: a partir de 2027, o indicador retomaria a tendência de queda, projetando atingir o patamar de 3,1% até o primeiro trimestre de 2029.

O documento também traz um alerta importante sobre o cumprimento da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Os cálculos atualizados pelo Banco Central indicam que a probabilidade de a inflação estourar o limite superior da meta subiu de forma expressiva, passando de 79% para 90%.

Atualmente, o sistema de metas de inflação estipula um centro de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação pode oscilar entre 1,5% e 4,5% sem descumprir o objetivo oficial. Com o teto fixado em 4,5%, as novas projeções de que o índice encerre o ano em patamares superiores evidenciam os desafios contínuos para ancorar as expectativas do mercado e manter os preços sob controle no horizonte relevante da política monetária.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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