Pelo menos 80 pessoas morreram em novo surto de Ebola na RD Congo

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Profissionais da saúde ajustam equipamentos ant...

Título: Novo surto de Ebola na República Democrática do Congo já causou 80 mortes

CONTEÚDO ORIGINAL:

Pelo menos oitenta pessoas faleceram em decorrência de um novo surto de Ebola na província de Ituri, localizada no leste da República Democrática do Congo. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde do país na noite desta sexta-feira (15).

O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba Mulamba, comunicou que amostras analisadas na quinta-feira (14) confirmaram a presença de oito casos da cepa Bundibugyo do vírus Ebola nas áreas de saúde de Rwampara, Mongwalu e Bunia.

- Publicidade-

Até o momento, foram registrados 246 casos suspeitos do vírus, conforme informou o ministério. O primeiro caso suspeito partiu de uma enfermeira que faleceu no Centro Médico Evangélico de Bunia após apresentar sintomas como febre, sangramento, vômito e fraqueza extrema.

Em resposta ao surto, o governo ativou seu centro de operações de emergência em saúde pública, intensificou a vigilância epidemiológica e laboratorial e enviou equipes de resposta de forma rápida.

A principal agência de saúde pública da África confirmou na sexta-feira a existência de um surto de Ebola na província de Ituri, que já resultou na morte de 65 pessoas até o momento. O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDCD) informou que convocará uma reunião urgente com representantes do Congo, Uganda, Sudão do Sul e parceiros globais para reforçar a vigilância transfronteiriça, além de preparar e intensificar os esforços de resposta.

O CDCDC também destacou que a maioria das mortes e dos casos suspeitos ocorreram principalmente nas áreas de saúde de Mongwalu e Rwampara, com quatro óbitos registrados entre os casos confirmados em laboratório. Além disso, foram relatados casos suspeitos em Bunia, a capital da província.

As análises iniciais sugerem que a cepa do vírus é diferente da que normalmente se encontra na região, uma vez que não é originária do Zaire, e o sequenciamento do vírus está em andamento para uma melhor caracterização. Jean-Jacques Muyembe, virologista congolês que foi um dos responsáveis pela descoberta do Ebola e que dirige o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, mencionou que 16 surtos anteriores no Congo, exceto um, foram causados pela cepa do Zaire. Ele alerta que a identificação de uma nova variante pode dificultar a resposta, já que os tratamentos e vacinas existentes estão otimizados para a cepa mais comum.

- Publicidade-

A Africa CDC expressou preocupação com o risco de uma nova disseminação do vírus, dado o contexto urbano de Bunia e Rwampara, bem como o intenso tráfego populacional e a mobilidade associada à mineração nas áreas afetadas, que estão próximas a Uganda e ao Sudão do Sul. “Considerando o fluxo populacional intenso entre as áreas afetadas e os países vizinhos, uma coordenação regional rápida é crucial”, afirmou Jean Kaseya, Diretora-Geral da Africa CDC, em um comunicado.

As autoridades de saúde da Uganda relataram que um congolês morreu em Kampala devido à cepa Bundibugyo do vírus Ebola. O governo ugandense confirmou que o caso foi importado da República Democrática do Congo e que, até o momento, não foi registrado nenhum caso de transmissão local.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) começou a acompanhar os casos suspeitos desde o dia 5 de maio e enviou uma equipe à província de Ituri para auxiliar nas investigações. No entanto, as amostras coletadas inicialmente testaram negativo, conforme informou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma coletiva de imprensa na sexta-feira. Um laboratório em Kinshasa confirmou casos positivos na quinta-feira, fazendo com que o número total de confirmações chegasse a 13, conforme disse Tedros.

- Publicidade-

Para apoiar a resposta ao surto, a OMS liberou US$ 500 mil de seu fundo de contingência para emergências, que será destinado à vigilância, ao rastreamento de contatos, aos testes laboratoriais e ao atendimento clínico, segundo declaração do diretor.

Conflitos em Ituri

O novo surto surge em um contexto de crescente insegurança em Ituri, onde conflitos entre milícias rivais resultaram na morte de dezenas de civis nas últimas semanas. Esta violência exacerbou uma situação humanitária já alarmante, deixando os serviços de saúde sobrecarregados ou sem funcionamento em algumas partes da província, conforme relatório da Médicos Sem Fronteiras realizado no início deste mês. A organização humanitária também ressaltou as condições precárias de higiene em locais de acolhimento para deslocados, aumentando o risco de surtos de doenças.

Esse é o 17º surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo desde a identificação inicial do vírus no país, em 1976. O surto mais recente, ocorrido na província de Kasai, foi declarado encerrado em 1º de dezembro, após três meses, contabilizando um total de 64 casos, com 45 mortes e 19 recuperações.

A doença provocada pelo vírus Ebola é uma enfermidade séria e frequentemente letal, endêmica nas florestas tropicais do Congo. O contágio ocorre por meio de contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados, com materiais contaminados ou com pessoas falecidas em decorrência da doença, conforme informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC).

Fonte: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia