O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abordou publicamente neste domingo, 13, uma recente reportagem jornalística que detalha o suposto fornecimento de imagens de satélite de uma instalação militar norte-americana situada na Jordânia para o governo do Irã por parte de entidades chinesas. Os registros visuais em questão teriam sido capturados antes e depois de uma ofensiva iraniana que resultou na morte de três militares norte-americanos.
O acontecimento tem potencial para elevar as fricções diplomáticas e estratégicas entre Washington e Pequim, ocorrendo em um período sensível que antecede a visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, à Casa Branca, agendada para o próximo dia 24 de setembro.
Em declarações a jornalistas a bordo da aeronave presidencial Air Force One, logo após a publicação da matéria investigativa pelo jornal The Wall Street Journal sobre o repasse de dados de inteligência por parte da China, Trump adotou um tom pragmático sobre as operações de espionagem entre potências globais.
“Quando dizem que a China nos espiona, eu digo que está correto, e nós também os espionamos”, declarou o chefe de Estado norte-americano durante o voo.
“É isso que nós fazemos. Basicamente, eles fazem o que nós fazemos”, complementou o mandatário, relativizando o intercâmbio clandestino de informações de inteligência entre os governos rivais.
Contexto do ataque na Jordânia
A ocorrência militar que motivou as discussões geopolíticas teve lugar em 17 de julho, data em que forças iranianas dispararam mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, localizada na Jordânia. O complexo militar abriga contingentes de tropas dos Estados Unidos na região do Oriente Médio.
Anteriormente a este episódio, a administração de Donald Trump já havia emitido advertências formais a Pequim no sentido de coibir a comercialização de armamentos e equipamentos bélicos para o Irã. Como desdobramento dessas pressões comerciais e de segurança, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas em maio contra três empresas chinesas especializadas em tecnologia de satélites, sob a acusação de fornecerem suporte logístico e operacional a ações militares iranianas.
Reações e negociações diplomáticas
Conforme as informações veiculadas pelo periódico norte-americano, representantes do governo da China solicitaram evidências concretas a respeito da suposta transferência dos registros de satélite e refutaram veementemente qualquer envolvimento de companhias ou corporações do país asiático no incidente que vitimou os soldados dos Estados Unidos.
As relações entre Pequim e Teerã historicamente mantêm laços estreitos em diversas frentes. A China consolida-se como um dos principais parceiros econômicos do regime iraniano, sendo compradora expressiva de grande parte da produção de petróleo do país persa, além de garantir sustentação diplomática relevante para as autoridades de Teerã no cenário internacional.
Fonte:: estadao.com.br


