O governo estadual deu um passo importante para a preservação ambiental e a formação pedagógica ao oficializar, por meio de uma publicação oficial nesta terça-feira (30), o Projeto Parque Escola. A normativa, assinada pelo Instituto Água e Terra (IAT) — órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) —, estabelece diretrizes concretas para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental nas Unidades de Conservação (UCs) paranaenses.
Com a medida, formalizada pela Portaria nº 459/2026, as áreas protegidas do estado passam a ser oficialmente reconhecidas como espaços de educação não formal. O texto legal padroniza os procedimentos para o atendimento de estudantes da rede pública, define as atribuições dos órgãos envolvidos e consolida uma política permanente voltada à conscientização ecológica.
Salas de aula a céu aberto
De acordo com a gestão do Patrimônio Natural do IAT, a iniciativa possui uma trajetória consolidada e funciona como uma ferramenta estratégica para unir a teoria escolar à prática da preservação. O programa aproxima os alunos da biodiversidade local, permitindo que disciplinas tradicionais sejam vivenciadas de maneira integrada.
A proposta pedagógica busca transformar os ambientes naturais em verdadeiras salas de aula ao ar livre. Nesses espaços, crianças e jovens entram em contato direto com a fauna, a flora e os diferentes ecossistemas paranaenses, assimilando conceitos de ciências, geografia e história de forma prática e interativa. A atualização normativa adequa o projeto à realidade atual, estreitando ainda mais os laços entre a pasta ambiental, o IAT, a Secretaria de Estado da Educação e as prefeituras municipais.
O intuito principal é fazer com que os estudantes compreendam o papel fundamental que as áreas protegidas desempenham tanto para a manutenção da biodiversidade quanto para o avanço do desenvolvimento sustentável na região.
Capacitação e cronograma de atendimento
Para colocar o regulamento em prática, o órgão ambiental iniciará uma fase intensiva de capacitação voltada para cerca de 100 profissionais. O treinamento abrangerá chefes de Unidades de Conservação, coordenadores de viveiros florestais e pontos focais de educação ambiental distribuídos pelos 21 escritórios regionais do IAT. A meta é padronizar o atendimento aos colégios, respeitando as particularidades de cada ecossistema. A previsão é de que o período de agendamentos seja aberto entre o final de agosto e o início de outubro.
Especialistas da área apontam que o afastamento das crianças em relação aos ambientes naturais, impulsionado pelo crescimento acelerado dos centros urbanos, torna ações como esta ainda mais urgentes. A vivência prática nas reservas naturais desperta o sentimento de pertencimento e forma cidadãos mais conscientes sobre os impactos de suas ações no futuro.
Estrutura inicial e regras de segurança
Nesta fase inicial de implementação, o Projeto Parque Escola contemplará nove parques estaduais, oito viveiros florestais, o Aquário de Paranaguá, o Jardim Botânico de Londrina e o Monumento Natural Salto São João. A expansão ocorrerá de maneira gradual, respeitando a capacidade operacional de cada localidade até abranger toda a estrutura planejada.
A portaria também define critérios rigorosos para o funcionamento das visitas, o que inclui protocolos de segurança, contratação de seguros específicos para os estudantes, elaboração de recursos didáticos, formação continuada para os servidores e ferramentas constantes de monitoramento.
Entre os recursos pedagógicos previstos constam a Cartilha do Educador Ambiental, o Passaporte das Unidades de Conservação e o certificado de Guardião da Biodiversidade. O público-alvo prioritário compreende alunos matriculados desde o 5º ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio da rede pública.
Reconhecimento histórico
A concepção original do Projeto Parque Escola é fruto do trabalho idealizado pelo servidor Harvey Frederico Schlenker — falecido no início deste ano —, que desenvolveu a iniciativa em conjunto com outros técnicos do extinto Instituto Ambiental do Paraná (IAP), deixando um legado duradouro para a conservação ecológica e a pedagogia estadual.
Fonte:: iat.pr.gov.br


