Nove Municípios do Paraná Iniciam Planos de Adaptação às Mudanças Climáticas

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

Nove municípios paranaenses deram início à elaboração de estratégias para enfrentar fenômenos como enchentes, secas e ondas de calor, além de outros impactos relacionados às mudanças climáticas. A ação ocorreu durante a primeira Oficina de Governança do programa AdaptaCidades, realizada na última sexta-feira (12), em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, como parte da programação do Festival Internacional de Turismo Cataratas (FITCataratas).

Os municípios participantes deste primeiro encontro foram Araucária, Campo Largo, Cascavel, Colombo, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Maringá, São José dos Pinhais e União da Vitória. Um décimo município será incluído posteriormente, elevando o total para dez cidades envolvidas neste esforço colaborativo.

Esse movimento representa o início do desenvolvimento dos planos municipais de adaptação climática e envolverá um ciclo de trabalho que se estenderá por 12 a 14 meses. Durante esse período, as cidades se dedicaram a identificar suas vulnerabilidades, mapear os riscos climáticos e estabelecer ações que visem aumentar a resiliência urbana frente a eventos extremos, que têm se tornado cada vez mais comuns.

  • Projeto de monitoramento inteligente vence Hackathon Sustentabilidade do IAT

O programa AdaptaCidades faz parte do Programa Cidades Verdes Resilientes, que é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Recebe suporte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério das Cidades (MCid). No Paraná, esta iniciativa é promovida em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e conta com a assistência técnica da Agência Alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ).

- Publicidade-

De acordo com a coordenadora de Ação Climática e Relações Internacionais da Sedest, Walquíria Biscaia, a iniciativa proporcionará a dez municípios paranaenses a elaboração de seus planos de adaptação climática. “O primeiro encontro é fundamental para capacitar as equipes técnicas e promover a integração entre os municípios, o Estado e o governo federal”, destacou Biscaia.

O analista ambiental do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, Pedro Christ, mencionou que a oficina marca o início de uma metodologia estruturada destinada a apoiar os municípios na elaboração dessas estratégias de adaptação. “Discutimos a governança nos municípios, ou seja, como organizar o processo de construção dos planos de adaptação às mudanças climáticas. A próxima etapa será a avaliação das vulnerabilidades e dos riscos climáticos de cada cidade”, explicou.

  • Estado apresenta anteprojeto com obras de R$ 1,3 bilhão para minimizar cheias do Rio Iguaçu

Christ ressaltou que o processo completo dessa iniciativa consiste em oito etapas e deve durar entre 12 e 14 meses até que os planos sejam finalizados. “O mais importante é conseguirmos alinhar esforços entre o governo federal, os estados e os municípios, garantindo que os resultados cheguem efetivamente à população”, afirmou.

A programação da oficina incluiu atividades que visavam à formação da governança climática local, à definição de responsabilidades institucionais e à construção de estratégias para gerir o processo de elaboração dos planos municipais de adaptação.

  • CastraPet consolida legado ambiental com a instalação de 3,4 mil placas educativas

Cooperação Internacional

A iniciativa conta ainda com o apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), que atua como parceira técnica, ajudando na implementação da metodologia em diversos estados brasileiros.

- Publicidade-

Isadora Buchala, representante da GIZ, explicou que a oficina tem como principal objetivo preparar os municípios para uma das fases mais cruciais do processo: a construção da governança climática. “A governança climática depende do engajamento de diferentes setores e instituições. Trabalhamos conceitos de governança multinível, que envolvem o mapeamento de atores e a definição de responsabilidades, permitindo que os municípios conduzam esse processo de maneira estruturada”, esclareceu.

Isadora também destacou que o Paraná se destaca pela articulação entre o governo estadual e os municípios que participam do programa. “O Estado desempenha um papel estratégico de coordenação e monitoração das atividades iniciadas durante a oficina, reforçando a conexão entre os municípios e a coordenação nacional do projeto”, acrescentou.

  • R$ 70,8 milhões: governador entrega veículos e equipamentos para fortalecer gestão ambiental

Durante a oficina, esteve presente a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maringá (Iplam), Tânia Nunes Galvão. Representando um dos municípios selecionados para fazer parte do programa, ela enfatizou que as cidades já sentem os efeitos das mudanças climáticas e precisam acelerar a sua capacidade de resposta. “As mudanças climáticas já estão entre nós. Estamos enfrentando um cenário preocupante e, em muitos aspectos, reagindo tardiamente aos impactos que já se fazem sentir nas cidades”, afirmou.

- Publicidade-

Entre os próximos passos, a oficina em Foz do Iguaçu inaugurou a fase prática do AdaptaCidades no Paraná. Ao longo do encontro, os representantes municipais participaram de atividades focadas na identificação de atores estratégicos, definição de responsabilidades, formação de redes de governança e planejamento das etapas subsequentes do processo.

A expectativa agora é que os municípios avancem para a fase de diagnóstico, com o objetivo de identificar as principais vulnerabilidades climáticas de cada território. A partir deste levantamento, serão desenvolvidas as estratégias locais de adaptação, fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas alterações climáticas.

Fonte:: parana.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia