A Procergs se prepara para concluir, em setembro, a reconstrução completa de sua principal infraestrutura tecnológica, severamente comprometida durante as severas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. De acordo com Luiz Fernando Záchia, presidente da companhia estadual de processamento de dados, a nova estrutura foi projetada para garantir máxima segurança e resiliência contra eventuais desastres naturais no futuro.
O novo data center foi erguido a uma altura de sete metros acima do nível do solo original. O planejamento arquitetônico e de engenharia buscou blindar os equipamentos mais sensíveis contra a elevação de corpos d’água na região metropolitana. Durante o colapso provicionado pelas cheias no ano anterior, a unidade sofreu perdas irreparáveis em equipamentos vitais para a operação de serviços públicos, incluindo geradores de energia e no-breaks de grande porte.
Em declaração concedida ao SECOPCAST durante o evento SECOP 2026, o dirigente enfatizou que a cota elevada oferece uma margem inédita de segurança operacional para o Estado. Segundo Záchia, a nova cota altimétrica significa que, para o data center voltar a ser atingido por transbordamentos, praticamente toda a cidade de Porto Alegre precisaria estar submersa, evidenciando o rigor técnico aplicado no projeto de reerguimento da infraestrutura tecnológica.
Valorização da tecnologia como política de Estado
Além de comandar a estatal gaúcha, Luiz Fernando Záchia preside o conselho da Associação Brasileira de Entidades de Tecnologia da Informação e Comunicação dos Estados e do Distrito Federal (Abep-Tic). Nessa frente, o executivo tem liderado articulações políticas e técnicas para convencer administrações estaduais que ainda não tratam suas empresas públicas de tecnologia como prioridades estratégicas a mudarem de postura.
Para o dirigente, a transformação digital na gestão pública deixou de ser um diferencial opcional para se tornar o núcleo da relação entre o cidadão e o poder público. A exigência por portais eficientes, transparência e agilidade na entrega de serviços digitais impõe que os governos tratem a infraestrutura tecnológica com o mesmo peso dado a áreas tradicionais, como saúde, segurança e educação.
O modelo financeiro da Procergs também foi destacado como um diferencial no cenário nacional. A companhia opera de forma autossuficiente, arcando com suas próprias contas correntes e investimentos sem depender integralmente de repasses contínuos do Tesouro Estadual. No entanto, diante da magnitude do desastre climático que destruiu a sede tecnológica, o governo do Estado realizou um aporte financeiro de R$ 87 milhões para viabilizar a reconstrução total do complexo de dados.
Novos desafios e participação na Reforma Tributária
Um dos pontos de maior destaque na nova fase da empresa pública é a sua integração aos sistemas decorrentes da Reforma Tributária. Parte expressiva do processamento de dados exigido pelas novas diretrizes fiscais do país será hospedada e tratada nos servidores da Procergs, consolidando a relevância estratégica da instituição em âmbito nacional.
Para suportar essa ampliação de responsabilidades e demandas, a empresa investiu na expansão de sua capacidade operacional. Foram contratados 68 novos servidores públicos por meio de concurso, estruturada uma nova fábrica de software e instituída uma diretoria voltada exclusivamente para essas demandas estratégicas. A medida reforça o compromisso da instituição com a excelência técnica na prestação de serviços à sociedade.
Contudo, o presidente aponta que o grande desafio contemporâneo para as empresas estatais de tecnologia é a convergência de culturas de gestão. Para Záchia, embora mantenha a natureza jurídica pública e a missão social voltada ao cidadão, a organização precisa adotar práticas corporativas ágeis, típicas do setor privado, para competir e colaborar em pé de igualdade com o mercado de tecnologia. Assista a íntegra da entrevista.
Fonte:: convergenciadigital.com.br



