A Organização Mundial do Comércio (OMC) está diante da necessidade de reduzir cerca de 10% de seu orçamento, o que inclui a suspensão de contratações e a possibilidade de demissões temporárias. Essa decisão foi influenciada pelo atraso nas contribuições dos Estados Unidos, que voltou a ocorrer, além de um número crescente de países membros que também não conseguiram regularizar suas dívidas financeiras, conforme indicam documentos internos da OMC obtidos pela Reuters.
Desde a sua criação em 1995, a OMC tem enfrentado diversos desafios relacionados ao comércio global. Entre os principais obstáculos está a imposição de tarifas durante a presidência de Donald Trump, que provocou consequências severas no comércio internacional. Além disso, a organização passou por um longo período de estagnação que teve início em 2019, quando o governo Trump bloqueou as nomeações para o mais alto tribunal de apelações da entidade, resultando em uma paralisia que persistiu por mais de seis anos.
Em comunicado, foi mencionado que Washington, que geralmente é o maior contribuinte da OMC, se encontra entre os 10 países com atrasos na Categoria 1. Isso significa que os EUA não efetuaram seus pagamentos há pelo menos um ano, embora seja por menos de dois anos. Essa situação intensifica a pressão financeira sobre a organização, conforme relatórios internos datados de 12 de março e 18 de fevereiro, provenientes do Comitê de Orçamento, Finanças e Administração da OMC.
Por enquanto, não está claro quando ou se os Estados Unidos regularizarão sua situação de pagamento.
Nova abordagem comercial dos EUA
No mês de março, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a OMC terá um papel cada vez mais restrito na definição da política comercial global. Ele destacou que Washington optaria por seguir sua própria agenda comercial através de acordos regionais, bilaterais e, quando necessário, por meio de medidas unilaterais.
Para contornar os atuais problemas financeiros, a OMC está adotando várias medidas de contenção de despesas. Entre essas ações estão o corte de 39 postos de trabalho que equivalem a tempo integral e temporários, a suspensão do recrutamento para cargos de prazo fixo, o aumento do uso de estagiários com custos mais baixos e a redução das despesas com eletricidade. Essas iniciativas estão previstas em documentos confidenciais analisados pela entidade.
Além disso, a OMC já enfrenta a maior crise de atrasos em uma década, com 20 países membros sujeitos a medidas administrativas a partir do final de 2025. Em um dos relatórios internos sobre o comitê orçamentário, foi destacado que, devido a essa situação, a secretaria da OMC planejou uma redução de 10% nos gastos referentes ao ano de 2026.
É evidente que a situação financeira da OMC está em um estado precário, e as ações planejadas refletem essa necessidade urgente de ajuste orçamentário. O cenário revela um momento crítico para a organização que, ao longo dos anos, tem desempenhado um papel vital na regulação do comércio internacional.
Fonte: infomoney.com.br


