Agentes da Polícia Civil do Paraná, lotados na 1.ª Subdivisão Policial de Paranaguá, conduziram uma operação integrada com a Polícia Militar do Paraná e com o departamento de inteligência da concessionária Rumo para desmantelar uma rede criminosa voltada ao furto sistemático de cargas ferroviárias no litoral paranaense. A mobilização faz parte de um esforço contínuo para coibir crimes patrimoniais que alimentam a criminalidade organizada na região.
Conforme o avanço das apurações, os ataques frequentes aos vagões de carga — prática frequentemente referida como “vazada” — transcendem o conceito de crimes contra o patrimônio tradicionais. Os investigadores constataram que essa atividade ilícita atua como um mecanismo primordial de financiamento para facções criminosas e para o tráfico de drogas estabelecido no município portuário.
Dinâmica do esquema e impacto logístico
O planejamento da rede criminosa se concentra em trechos logísticos considerados estratégicos, com destaque para a região do KM-5 da malha ferroviária e bairros vizinhos, a exemplo de Vila São Jorge, Emboguaçu, Vila Rute e Serraria do Rocha. Nesses locais, indivíduos dependentes de substâncias entorpecentes são cooptados por traficantes locais para romper lacres e escotilhas de composições ferroviárias, tanto em movimento quanto durante manobras, resultando na queda e no desvio de commodities agrícolas essenciais, como soja em grão, milho, farelo de soja e açúcar.
O material subtraído era rapidamente escoado para pontos de receptação instalados em imóveis clandestinos e estabelecimentos comerciais de fachada localizados em becos situados nas margens da linha férrea. Nesses locais, a carga subtraída funcionava como moeda de troca direta por entorpecentes, com predominância de crack, maconha e cocaína.
Lucratividade ilícita e resultados da intervenção
Dados levantados pela investigação indicam que os líderes das organizações criminosas e os receptadores habituais comercializavam os produtos agrícolas no mercado ilegal obtendo margens de lucro estimadas em aproximadamente 147%. Esse retorno financeiro expressivo injetava recursos na economia do crime, servindo para sustentar disputas por território e conflitos armados na cidade.
Durante a execução da Operação KM-5, as autoridades cumpriram três mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão. A ação também resultou em três prisões em flagrante, totalizando cinco indivíduos detidos. Além das capturas, as equipes policiais apreenderam 56 gramas de crack, 12 gramas de maconha, 4,2 gramas de cocaína, 51 pinos contendo a mesma substância, uma munição intacta de calibre .38 e a quantia de R$ 1.970,00 em espécie.
Fonte:: folhadolitoral.com.br


