Operador de Daniel Vorcaro fecha delação premiada na PGR e entrega provas de repasses a aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Luciano Furtado da Cunha
6 min. de leitura
Empresário conhecido como “Mineiro”, apontado c...

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, amplamente conhecido como “Mineiro” e apontado pelos investigadores como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). No âmbito da colaboração, o empresário apresentou extratos bancários e diversos comprovantes de transferências financeiras efetuadas por ordem direta de Vorcaro.

De acordo com as informações detalhadas no acordo, os repasses financeiros foram direcionados a um fundo de investimentos localizado nos Estados Unidos, que se encontra sob a administração de um aliado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Os investigadores buscam agora compreender a totalidade da rota do dinheiro e a finalidade exata dessas remessas internacionais.

Parte expressiva dos recursos repassados estaria conectada ao financiamento milionário de Dark Horse, uma produção cinematográfica que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Paralelamente, as autoridades policiais e o Ministério Público apuram se o capital também foi empregado para custear despesas pessoais e logísticas de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano, bem como para apoiar agendas e atividades de outros aliados do espectro político.

O termo de colaboração foi formalmente encaminhado há aproximadamente 15 dias para o gabinete do ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator responsável pelo inquérito principal que investiga as ramificações do Banco Master. Apesar do avanço nas negociações e da entrega do material probatório, o acordo de delação ainda aguarda a homologação oficial pela Suprema Corte.

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Freixo Júnior figura como proprietário da empresa Entre Investimentos. Conforme os relatos prestados durante os depoimentos da delação premiada, “Mineiro” descreveu minuciosamente uma teia de transações financeiras executadas sob a supervisão e o comando de Daniel Vorcaro, englobando desde remessas enviadas ao exterior até a entrega de valores em espécie no Brasil.

Fundo no Texas e movimentações sob escrutínio

Um dos pontos centrais abordados pelo operador em sua delação diz respeito ao Havengate Development Fund, entidade sediada no estado norte-americano do Texas. A estrutura financeira é gerida pelo advogado Paulo Calixto, figura que mantém laços estreitos de proximidade com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Durante os depoimentos, Freixo Júnior anexou documentação comprobatória demonstrando que a Entre Investimentos realizou sucessivas transferências para o referido fundo.

Investigações prévias, que incluiu a análise de documentos e registros telemáticos apreendidos no aparelho celular de Daniel Vorcaro, já haviam apontado repasses da ordem de pelo menos US$ 10 milhões direcionados ao Havengate. Na época em que ocorreram, os montantes equivaliam a cerca de R$ 61 milhões, o que chamou a atenção dos órgãos de controle sobre o volume de recursos movimentados sem a devida transparência inicial.

Novos aportes para o filme Dark Horse

A formalização da delação premiada do operador ocorre em um momento de intensificação das apurações sobre a origem dos recursos que custearam o longa-metragem Dark Horse. Reportagens publicadas recentemente revelaram que Daniel Vorcaro efetuou, em setembro de 2025, um repasse adicional de US$ 1,6 milhão — valor que correspondia a aproximadamente R$ 8,5 milhões pela cotação da época — para o fundo vinculado diretamente à produção cinematográfica.

Somando esta nova remessa, o montante total de aportes financeiros atribuídos ao banqueiro em benefício do filme atinge a marca de US$ 12,3 milhões, o que representa perto de R$ 63,7 milhões. A realização deste repasse extra gerou questionamentos adicionais por parte dos investigadores, uma vez que registros anteriores sugeriam que os fluxos de financiamento para o projeto audiovisual já haviam sido encerrados meses antes.

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Em sua defesa, a produtora Go Up Entertainment declarou publicamente que todos os recursos financeiros recebidos foram devidamente declarados e informados à Justiça de São Paulo, sendo aplicados estritamente na realização do filme. De acordo com a empresa, a prestação de contas completa foi submetida formalmente ao Poder Judiciário brasileiro em junho de 2026.

As suspeitas sobre o financiamento de Dark Horse ganharam forte repercussão política após o vazamento de áudios e mensagens de texto que indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, manteve contato com Daniel Vorcaro para solicitar apoio financeiro voltado à viabilização da obra cinematográfica.

Multa bilionária e desdobramentos judiciais

Como contrapartida jurídica e financeira no acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República, Antônio Carlos Freixo Júnior assumiu o compromisso de recolher uma multa bilionária estimada em aproximadamente R$ 2 bilhões. Além do pagamento pecuniário, o colaboracionista concordou em manter a cooperação fornecendo novos documentos, provas materiais e esclarecimentos sobre as operações financeiras coordenadas por Daniel Vorcaro.

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Enquanto as autoridades prosseguem com a análise minuciosa de todas as transações, contas internacionais e entregas de dinheiro vivo relatadas pelo delator, a defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem reiterado veementemente a inocência do político, negando a existência de qualquer tipo de irregularidade financeira ou recebimento ilícito de recursos ligados às investigações em curso.

Fonte:: ric.com.br

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