Polícia da Turquia invade sede de emissora opositora e prende funcionários

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

A segurança pública da Turquia executou uma operação de grande escala nesta quarta-feira, 14, ao assumir o controle físico e operacional da sede da Halk TV, considerada a principal emissora de televisão de oposição no país euro-asiático. Além da ocupação das instalações, as autoridades efetuaram a prisão de 11 funcionários e dirigentes, marcando mais um capítulo preocupante na intensificação da campanha governamental contra veículos de imprensa independentes, partidos opositores e entidades da sociedade civil.

Por meio de uma postagem na rede social X nas primeiras horas da manhã, a própria emissora comunicou a invasão de seu espaço de trabalho: “A polícia está no prédio da Halk TV. Um administrador foi designado. A transmissão ao vivo foi interrompida”. Com o corte abrupto do sinal, o canal teve suas operações paralisadas à força.

Investigação sob suspeitas financeiras e intervenção estatal

De acordo Deste montante, 11 indivíduos foram detidos durante diligências simultâneas conduzidas em solo turco. As acusações formais que embasam a investigação envolvem crimes de corrupção, manipulação de licitações e lavagem de dinheiro.

Como parte das medidas cautelares aplicadas, a gestão administrativa da emissora foi transferida para o Fundo de Garantia de Depósitos de Poupança (TMSF), órgão governamental encarregado de gerir ativos sob intervenção judicial.

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Esta ofensiva contra a Halk TV ocorre em um intervalo de apenas duas semanas após o bloqueio oficial do T24, um dos portais de notícias independentes mais proeminentes da Turquia, que havia sido penalizado sob a acusação de realizar suposta “propaganda LGBT”.

O presidente da Halk TV, Cafer Mahiroglu, que atualmente vive no exterior, manifestou seu repúdio através de um vídeo veiculado na internet. “Hoje é um dia sombrio para a Turquia. O direito do público à informação está sendo cerceado por razões políticas”, declarou Mahiroglu, acrescentando que sete de seus próprios familiares figuram entre os detidos na ação policial.

O histórico de pressões contra a imprensa turca

Profissionais da comunicação e empresas jornalísticas críticas ao governo enfrentam um ambiente crescentemente hostil no país. Na mira frequente do poder judiciário, redações e jornalistas respondem a acusações que vão desde difamação e insultos ao presidente Recep Tayyip Erdogan até denúncias de desvios financeiros e disseminação de informações inverídicas.

Dados consolidados pelo Sindicato de Jornalistas da Turquia apontam que, com as recentes capturas, pelo menos 17 jornalistas permanecem encarcerados no território nacional. A onda de restrições estende-se também a opositores políticos e ativistas de direitos civis, especialmente da comunidade LGBTIQA+.

Reagindo à escalada autoritária, Özgür Özel, líder da principal legenda de oposição na nação, criticou duramente a conduta das forças de segurança. “Invadir uma emissora de televisão ao amanhecer e nomear um administrador é algo que só ditadores fariam. Infelizmente, foi isso que fizeram com o nosso país”, pontuou em sua conta oficial no X.

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Repercussão internacional e controle sobre as redes sociais

Diante da gravidade da situação, entidades internacionais de defesa dos direitos humanos, a exemplo da Anistia Internacional, emitiram apelos urgentes às autoridades turcas. As organizações exigem o restabelecimento imediato das operações independentes da Halk TV e o fim categórico das investidas contra as garantias constitucionais de liberdade de imprensa.

O ordenamento jurídico local permite que o governo intervenha e nomeie interventores em empresas privadas e administrações municipais sempre que houver investigações em curso ou ordens de prisão contra seus diretores. Outros canais televisivos, como a HaberTurk e a Tele1, também já foram submetidos a medidas de intervenção semelhantes no passado recente.

A tensão política intensificou-se ainda mais na semana anterior, quando dois profissionais da imprensa foram presos e outros dois alocados em regime de prisão domiciliar. O motivo alegado foi a suposta propagação de conteúdos enganosos acerca de um escândalo financeiro envolvendo um fundo de investimento nacional e figuras de proeminência do partido governista liderado por Erdogan.

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Complementando o cenário de cerco informacional, coletivos de direitos humanos nacionais e globais apelaram na última segunda-feira, 12, para que empresas de tecnologia e plataformas digitais — incluindo o X — resistam a ordens judiciais direcionadas a bloquear centenas de perfis pertencentes a jornalistas e ativistas. As diretrizes governamentais de censura têm sido justificadas sistematicamente pelo argumento de preservação da segurança pública.

Fonte:: estadao.com.br

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