A Polícia Civil de Mato Grosso está conduzindo uma investigação relacionada a uma “lista de alunas estupráveis” elaborada por alunos, bem como a um episódio de ameaça que envolve um policial federal e estudantes do primeiro semestre da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Dois estudantes, um cursando Direito e o outro Engenharia Civil, foram suspensos após serem identificados como os responsáveis pela elaboração da referida lista. O caso se tornou público no dia 4 de maio, quando a UFMT divulgou que estava ciente da situação. Informações preliminares indicam que os alunos trocaram mensagens e imagens relacionadas à lista, que foi denunciada pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Direito.
A nota de repúdio do Centro Acadêmico destaca a gravidade do ato e a necessidade de um ambiente seguro para todos os alunos. Além disso, a reitora da UFMT, Marluce Aparecida Souza e Silva, publicou um vídeo nas redes sociais esclarecendo os procedimentos adotados diante da situação. Ela afirmou que a lista em questão não chegou oficialmente à reitoria, mas que as mensagens trocadas entre os alunos mencionavam características físicas de algumas meninas, sem identificar os nomes.
Ações da Universidade
Em resposta ao caso, a administração da UFMT instaurou uma Comissão de Inquérito Disciplinar Discente, além de abrir um processo disciplinar nas duas faculdades envolvidas. O objetivo é ouvir não apenas os estudantes denunciados, mas também outros alunos que desejem testemunhar sobre o ocorrido. Um dos calouros do curso de Direito relatou que seu telefone teria sido usado por terceiros para compartilhar as mensagens, enquanto o estudante de Engenharia Civil não se apresentou para prestar esclarecimentos na instituição após ser notificado.
Ameaças à comunidade acadêmica
Outro desdobramento preocupante ocorreu um dia após o caso ser divulgado. Um homem, que se identificou como pai de um dos alunos envolvidos, teria ido à universidade e ameaçado os colegas de classe de seu filho, afirmando que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”. Essa atitude alarmou a administração da universidade, que imediatamente registrou um boletim de ocorrência na delegacia.
A polícia investiga o autor das ameaças, que é um policial federal da ativa. Ele já foi intimado a comparecer à 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, mas ainda não se apresentou para prestar depoimento. O pai do aluno também registrou um boletim de ocorrência, no qual afirma que seu filho foi alvo de ameaças por parte de outros estudantes, o que motivou sua ida à UFMT.
Alterações nas aulas
Face aos acontecimentos, a Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia decidiu, em reunião do Colegiado do curso de Engenharia Civil, manter as aulas remotas para os alunos do primeiro semestre por um período indeterminado. Essa medida visa garantir a segurança e a estabilidade do ambiente acadêmico enquanto as investigações estão em andamento. Por outro lado, a Faculdade de Direito não promoverá alterações nas suas atividades curriculares.
Notas Oficiais
A Universidade Federal de Mato Grosso divulgou uma nota na qual explica que a decisão de manter as aulas remotas é uma medida preventiva. O comunicado enfatiza que a intenção é preservar a segurança e o acolhimento da comunidade acadêmica, além de assegurar acompanhamento institucional aos alunos. A universidade reafirma seu compromisso em colaborar com as investigações e manter um ambiente universitário seguro.
A Polícia Civil, por sua vez, informou que a Delegada Liliane Diogo, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher em Cuiabá, está à frente da investigação. A polícia recebeu toda a documentação necessária da UFMT e está no processo de ouvir testemunhas, além de realizar outras diligências. As informações adicionais sobre o andamento do caso serão divulgadas assim que as investigações estiverem concluídas.
As autoridades seguem alertas e comprometidas em garantir a segurança de todos os estudantes e a integridade da comunidade acadêmica diante de situações como esta. A UFMT e a Polícia Civil trabalham de forma integrada para apurar os fatos e oferecer um ambiente de respeito e segurança para todos.
Supervisão: Carolina Figueiredo
Tópicos: denúncia, violência, violência contra a mulher
Fonte: cnnbrasil.com.br


