Presidente do banco central critica pressão de empresas pelo uso do fundo garantidor

Marcelo Borges
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Foto: © Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou forte oposição nesta quinta-feira (13) a pressões exercidas por instituições que não são classificadas como bancos para utilizar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em suas operações voltadas ao varejo. A declaração foi feita durante um evento comemorativo que marcou as três décadas de existência do fundo, criado em 16 de novembro de 1995 com o propósito de proteger pequenos investidores e assegurar a estabilidade do mercado financeiro nacional após a consolidação do Plano Real.

Durante sua participação nas celebrações, Gabriel Galípolo detalhou que diversas empresas de pequeno e médio porte têm buscado autorizações para atuar de maneira análoga às instituições bancárias tradicionais, tentando se apoiar nas garantias oferecidas pelo FGC. Contudo, segundo o dirigente, essas companhias frequentemente carecem de ativos suficientes e adequados para sustentar esse tipo de operação financeira de alta complexidade.

“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, pontuou o presidente do Banco Central durante o evento realizado na sede da B3, no centro da capital paulista.

Riscos regulatórios e assimetria de mercado

O principal entrave apontado pela autoridade monetária reside no fato de que essas empresas de intermediação financeira, ao tentarem desempenhar um papel semelhante ao dos bancos, entram em concorrência direta tanto entre si quanto com grandes instituições consolidadas. O problema central, contudo, está na assimetria regulatória: essas entidades frequentemente operam com regras mais brandas de captação de recursos, prazos estendidos e exigências menores de garantias estruturais.

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Gabriel Galípolo buscou contextualizar a essência da atividade bancária para ilustrar a vulnerabilidade desse modelo. Conforme explicou, a dinâmica de um banco consiste em captar recursos de terceiros a um custo inferior ao valor emprestado a seus clientes, realizando um casamento cuidadoso entre os passivos e os ativos financeiros.

“Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, argumentou, reforçando que o FGC atua como uma barreira fundamental contra crises sistêmicas.

Histórico de proteção e desafios recentes

Mantido exclusivamente por meio de contribuições regulares das instituições financeiras associadas ao longo de sua história, o Fundo Garantidor de Crédito desempenhou papéis cruciais em momentos de turbulência econômica, como durante o próprio Plano Real e a grave crise financeira internacional deflagrada em 2008, oferecendo previsibilidade e segurança aos correntistas brasileiros.

Em anos recentes, o mecanismo enfrentou um de seus maiores testes ao ser acionado para reembolsar investidores e correntistas que sofreram prejuízos decorrentes das fraudes envolvendo o Banco Master. Nesse processo, o FGC mobilizou aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias devidas a cerca de 1,6 milhão de credores afetados. Em decorrência do impacto financeiro massivo gerado pelo caso, o fundo precisou aprovar um plano de emergência rigoroso com o objetivo de recompor o seu caixa, o que incluiu uma elevação de até 60% nas taxas de contribuições adicionais cobradas das instituições financeiras associadas.

O funcionamento básico do mecanismo estipula que, em caso de decretação de falência ou liquidação de uma instituição financeira associada, o FGC realiza o reembolso de depósitos e de modalidades específicas de investimentos até o limite regulamentar de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) por instituição ou conglomerado. Adicionalmente, existe um teto global fixado em R$ 1 milhão para o total de indenizações recebidas por um mesmo CPF ou CNPJ dentro de uma janela móvel de quatro anos, regras desenhadas para blindar o investidor de varejo e preservar a confiança sistêmica.

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As comemorações dos trinta anos do fundo também marcaram a abertura oficial da exposição pública intitulada “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”. A mostra, instalada no Prédio das Moedas — edifício histórico que serve de sede para a B3 no centro da capital paulista —, ficará aberta à visitação pública até o dia 30 de setembro, apresentando aos visitantes a trajetória evolutiva do fundo, as transformações regulatórias pelas quais passou e sua influência direta na sustentabilidade da economia do Brasil.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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