O Porto de Paranaguá deu um passo histórico em sua infraestrutura logística ao concretizar a primeira integração estrutural ao complexo do Moegão. A intervenção inaugural foi realizada pelo terminal da ALTP, um consórcio empresarial constituído pela Louis Dreyfus Company e pela Amaggi, que opera o PAR 25. A manobra complexa ocorreu no período da manhã e exigiu a interrupção temporária do tráfego na Avenida Portuária, mobilizando dezenas de especialistas entre engenheiros, técnicos e operadores para garantir a precisão do encaixe.
Considerada a maior intervenção pública no setor portuário em andamento no país e a principal obra de infraestrutura do estado do Paraná, o Moegão absorve investimentos da ordem de R$ 700 milhões. O projeto destaca-se pela inovação ao unificar as operações de recebimento de granéis vegetais que chegam por meio de malhas ferroviárias, direcionando o fluxo de forma centralizada para o posterior carregamento das embarcações atracadas no cais paranaense.
De acordo com a administração portuária, a iniciativa representa uma transformação profunda nos processos de recepção e escoamento de commodities agrícolas destinadas ao mercado internacional. A estrutura atua em sinergia com o novo Píer em T e com a ampliação contínua do calado operacional, fatores que passam a permitir a recepção de navios de maior porte e elevam de maneira expressiva a competitividade global do complexo marinho.
Para viabilizar a fixação da estrutura metálica, que possui dimensões expressivas de 55 metros de comprimento e pesa aproximadamente 35 toneladas, foi necessário o emprego de um superguindaste dotado de tecnologia de ponta. O equipamento contou com capacidade para içar até 600 toneladas a uma altura máxima de 48 metros. Todo o processo de içamento e posicionamento durou cerca de duas horas.
Com essa etapa concluída, o componente recém-instalado passa a fazer parte da galeria central do empreendimento, uma megaestrutura que se estende por 1,7 quilômetro e abriga mais de 4 mil metros de correias transportadoras. Serão essas esteiras automatizadas as responsáveis por conduzir os produtos descarregados diretamente dos vagões ferroviários até os silos dos terminais integrados.
O cronograma oficial estabelece que até outubro de 2027 todos os 11 terminais que compõem o Corredor de Exportação Leste do Porto de Paranaguá estejam plenamente conectados ao novo sistema centralizado.
Ampliação da capacidade e eficiência operacional
Quando estiver em pleno funcionamento, o Moegão elevará substancialmente a capacidade de recepção de grãos e farelos por via férrea no litoral paranaense. A projeção é de que o complexo seja capaz de movimentar até 24 milhões de toneladas anualmente, superando o patamar atual, que se limita a pouco mais de 5 milhões de toneladas por ano por meio do modal ferroviário. O salto estimado na eficiência operacional da movimentação de cargas chega a 63%.
O projeto estrutural foi concebido também para absorver o futuro crescimento decorrente da ampliação da Ferroeste, que prevê um ramal interligando o estado ao Mato Grosso do Sul, além de acompanhar a reestruturação logística da Malha Sul.
Logística ferroviária modernizada
O projeto do complexo contempla três linhas férreas independentes, com capacidade para acolher simultaneamente até 180 vagões. O sistema permitirá o esvaziamento simultâneo de três vagões em cada uma das linhas, projetando uma descarga de 900 vagões a cada período de 24 horas — um avanço expressivo em comparação com a média atual de 550 vagões diários.
Atualmente, a operação de recebimento de grãos e farelos ocorre de forma descentralizada. Os composições ferroviárias precisam ser manobradas e direcionadas individualmente para cada terminal específico, o que causa retenções prolongadas no tráfego urbano da região portuária, com bloqueios que muitas vezes superam 40 minutos em passagens de nível.
Com a centralização proporcionada pelas novas instalações e o fim da necessidade de fracionar os trens em dezenas de partes, o número de cruzamentos de linha férrea com as vias urbanas será reduzido de 16 para apenas cinco. Desta forma, os impactos no trânsito local serão minimizados, restrições estas que passarão a durar apenas o tempo estritamente necessário para o tráfegou seguro das composições, estimado em uma média de 10 a 15 minutos.
Fonte:: parana.pr.gov.br


