Programa estadual no Paraná elimina milhares de toneladas de pó das ruas e melhora saúde pública

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

Programa estadual no Paraná elimina milhares de toneladas de pó das ruas e melhora saúde pública

O processo de asfaltamento de vias urbanas vai muito além da melhoria nas condições de tráfego e mobilidade. A intervenção urbana traz impactos diretos e altamente positivos para a saúde pública, reduzindo drasticamente a quantidade de partículas de poeira suspensas no ar que são inaladas diariamente pelos moradores.

Criado pelo Governo do Estado em 2023, o programa Asfalto Novo, Vida Nova já contabiliza a pavimentação de 839 quilômetros de ruas e avenidas em todo o território paranaense. Com essa infraestrutura, a iniciativa conseguiu retirar de circulação uma média de 50.466 toneladas de poeira, transformando o panorama ambiental e sanitário de diversas localidades.

Os dados foram obtidos por meio de um levantamento técnico realizado pelo engenheiro Ricardo Rocha, vinculado à Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Para dimensionar o volume, a carga poluidora evitada equivale à remoção de 4.205 caminhões-caçamba totalmente lotados de terra que deixariam de circular e poluir a atmosfera do Paraná.

Cálculos de impacto e economia na saúde

As projeções matemáticas utilizadas no estudo indicam que um único veículo ao percorrer o equivalente a um quilômetro por uma via sem pavimentação gera cerca de 823,15 gramas de poeira em suspensão. Além de sujar as residências e o entorno, uma parcela significativa deste material particulado é absorvida pelo organismo dos habitantes locais.

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A inalação constante dessas partículas impacta o sistema respiratório, gerando um custo elevado para os cofres públicos. Os cálculos do engenheiro da Seti demonstram que a pavimentação de vias sem asfalto resulta em uma economia estimada de R$ 21 milhões apenas em recursos da saúde, valor que deixa de ser gasto com o atendimento de pacientes.

Desenvolvido em uma ação conjunta entre a Secretaria das Cidades (Secid) e o Paranacidade, o programa Asfalto Novo, Vida Nova recebeu aportes financeiros superiores a R$ 2 bilhões ao longo de três anos de execução.

Para o secretário estadual das Cidades, Fernando Giacobo, a iniciativa representa uma política pública estruturante de urbanização. Segundo ele, o projeto soluciona demandas urgentes do presente e prepara os municípios para o crescimento futuro. Projeções indicam que, até 2030, aproximadamente 92% da população paranaense viverá em zonas urbanas. Atualmente, o foco do programa está voltado para 364 dos 399 municípios do Estado que possuem menos de 50 mil habitantes.

“É o maior programa de pavimentação urbana da América Latina, dentro de um esforço determinado pelo governador para levar condições dignas de vida à população paranaense”, destaca Giacobo. “Mais do que uma política pública voltada para a melhoria da mobilidade urbana, ela representa um impacto positivo significativo na saúde da população”, complementa o secretário.

Vigilância ambiental e o fator geológico

No âmbito estadual, a Secretaria da Saúde (Sesa) atua na coordenação do programa Vigiar, ferramenta responsável por monitorar os reflexos da emissão de poluentes sobre o bem-estar dos cidadãos. De acordo com Márcia Prokopiuk, chefe da Divisão de Vigilância sobre o Meio da Coordenadoria de Vigilância Ambiental da Sesa, o particulado sólido gerado pela poeira constitui um objeto central de estudo.

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“Um dos pontos críticos da poluição urbana que avaliamos na Sesa é a gerada pelo trânsito de veículos em ruas não pavimentadas, o que intensifica problemas respiratórios e cardiovasculares”, explica Márcia. Entre as enfermidades mais recorrentes agravadas pelo problema estão a asma, a bronquite e a rinite. O quadro se agravou historicamente porque partículas finas de silte e argila conseguem penetrar com facilidade nas vias aéreas humanas, prejudicando de forma mais severa crianças, idosos e pessoas com comorbidades.

O mapeamento técnico detalhado levou em consideração a análise geológica dos solos e os índices pluviométricos de cada região paranaense, identificando os locais com maior incidência de pó. A região Norte do Estado sobressaiu negativamente devido às características da terra roxa, solo que produz partículas menores e mais fáceis de serem inaladas.

Como reflexo do programa, cinco municípios da Região Norte já alcançaram a marca de 100% de pavimentação urbana: Alvorada do Sul, Cambará, Flórida, Miraselva e Sertaneja. Nessas localidades, a transição do chão batido para o asfalto eliminou as densas nuvens avermelhadas de poeira típica da terra roxa.

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“A colocação de asfalto numa via sem nenhuma pavimentação, mais a construção de galerias de águas pluviais reduz 99,5% das emissões de poeira. A obra causa uma melhoria na circulação por estas vias e traz benefícios à saúde da população que mora nestes locais, pois reduz as doenças respiratórias, internamentos e faltas ao trabalho”, conclui o engenheiro Ricardo Rocha.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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