A guerra no Irã tem se mostrado prejudicial à popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa avaliação é de Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, que examina a situação atual e suas repercussões no cenário político americano.
De acordo com Poggio, as tentativas de resolução do conflito refletem um esforço para amenizar os danos políticos que têm se acumulado desde o início da guerra. Ao contrário de outros conflitos ao longo da história, a guerra contra o Irã já começou em um contexto de impopularidade entre a população norte-americana.
Poggio afirma: “Esta guerra começou impopular e tornou-se ainda mais impopular com o tempo”. Ele ressalta que os dados demonstram um impacto direto na aprovação do presidente, indicando que a situação não é favorável para Trump.
Comparação com o conflito no Iraque
Realizando uma comparação com o conflito no Iraque, o professor destaca que, durante a administração Bush, houve um empenho significativo em convencer o público da necessidade de entrar na guerra, conseguindo inclusive apoio de setores do Partido Democrático. Essa situação foi marcada pelo trauma gerado pelos ataques de 11 de setembro.
“A circunstância atual, porém, é bastante distinta”, enfatiza Poggio. Para ele, um padrão observado em conflitos bélicos é que, à medida que se prolongam, tornam-se cada vez mais impopulares e, consequentemente, mais custosos politicamente para o líder em exercício.
Negociações e posição do Irã
O professor argumenta que, nas negociações atuais, é o governo norte-americano que demonstra maior urgência em alcançar um acordo, não o Irã. “Quem está desesperado por um acordo aqui é o governo Trump, e não o Irã”, declara.
Segundo Poggio, Trump busca, através de um acordo, desviar o foco para outros assuntos e tentar obter um impacto imediato nos preços do petróleo, com o objetivo de “estancar essa sangria” política que tem se intensificado.
O professor também ressalta as garantias nucleares iranianas, lembrando que o Irã já assumiu compromissos acerca do não desenvolvimento de armas nucleares desde a década de 1970, por meio do tratado de não proliferação. “O grande problema não é apenas o Irã assinar um documento prometendo não desenvolver armas nucleares. A questão principal é como isso poderá ser garantido e verificado ao longo do tempo”, explica.
Desafios para as eleições de meio de mandato
Apesar das movimentações diplomáticas em andamento, Poggio se mostra cético quanto aos efeitos a longo prazo que um possível acordo poderia ter nas próximas eleições de meio de mandato, conhecidas como “midterms”. Para ele, o cenário econômico continua sendo a principal preocupação para o eleitorado norte-americano.
“O mal-estar econômico da população norte-americana reelegeria Trump com a expectativa de que ele conseguiria resolver essa questão, mas isso não está acontecendo”, observa o professor.
O prognóstico para os republicanos nas eleições de novembro, segundo Poggio, é considerado “muito ruim”, independentemente do desfecho das negociações com o Irã. Essas declarações refletem um cenário complexo e dinâmico, onde o contexto econômico e a percepção do público estão profundamente entrelaçados.
Assim, o desdobramento dos eventos e as decisões políticas nos próximos meses serão cruciais para entender a trajetória de Trump e as implicações que isso poderá surtir nas eleições. O futuro político do ex-presidente pode depender da forma como a situação no Irã e outras questões internas serem geridas.
Fonte: cnnbrasil.com.br


