Professor: Guerra no Irã foi danosa para a popularidade interna de Trump

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

A guerra no Irã tem se mostrado prejudicial à popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa avaliação é de Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, que examina a situação atual e suas repercussões no cenário político americano.

De acordo com Poggio, as tentativas de resolução do conflito refletem um esforço para amenizar os danos políticos que têm se acumulado desde o início da guerra. Ao contrário de outros conflitos ao longo da história, a guerra contra o Irã já começou em um contexto de impopularidade entre a população norte-americana.

Poggio afirma: “Esta guerra começou impopular e tornou-se ainda mais impopular com o tempo”. Ele ressalta que os dados demonstram um impacto direto na aprovação do presidente, indicando que a situação não é favorável para Trump.

Comparação com o conflito no Iraque

Realizando uma comparação com o conflito no Iraque, o professor destaca que, durante a administração Bush, houve um empenho significativo em convencer o público da necessidade de entrar na guerra, conseguindo inclusive apoio de setores do Partido Democrático. Essa situação foi marcada pelo trauma gerado pelos ataques de 11 de setembro.

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“A circunstância atual, porém, é bastante distinta”, enfatiza Poggio. Para ele, um padrão observado em conflitos bélicos é que, à medida que se prolongam, tornam-se cada vez mais impopulares e, consequentemente, mais custosos politicamente para o líder em exercício.

Negociações e posição do Irã

O professor argumenta que, nas negociações atuais, é o governo norte-americano que demonstra maior urgência em alcançar um acordo, não o Irã. “Quem está desesperado por um acordo aqui é o governo Trump, e não o Irã”, declara.

Segundo Poggio, Trump busca, através de um acordo, desviar o foco para outros assuntos e tentar obter um impacto imediato nos preços do petróleo, com o objetivo de “estancar essa sangria” política que tem se intensificado.

O professor também ressalta as garantias nucleares iranianas, lembrando que o Irã já assumiu compromissos acerca do não desenvolvimento de armas nucleares desde a década de 1970, por meio do tratado de não proliferação. “O grande problema não é apenas o Irã assinar um documento prometendo não desenvolver armas nucleares. A questão principal é como isso poderá ser garantido e verificado ao longo do tempo”, explica.

Desafios para as eleições de meio de mandato

Apesar das movimentações diplomáticas em andamento, Poggio se mostra cético quanto aos efeitos a longo prazo que um possível acordo poderia ter nas próximas eleições de meio de mandato, conhecidas como “midterms”. Para ele, o cenário econômico continua sendo a principal preocupação para o eleitorado norte-americano.

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“O mal-estar econômico da população norte-americana reelegeria Trump com a expectativa de que ele conseguiria resolver essa questão, mas isso não está acontecendo”, observa o professor.

O prognóstico para os republicanos nas eleições de novembro, segundo Poggio, é considerado “muito ruim”, independentemente do desfecho das negociações com o Irã. Essas declarações refletem um cenário complexo e dinâmico, onde o contexto econômico e a percepção do público estão profundamente entrelaçados.

Assim, o desdobramento dos eventos e as decisões políticas nos próximos meses serão cruciais para entender a trajetória de Trump e as implicações que isso poderá surtir nas eleições. O futuro político do ex-presidente pode depender da forma como a situação no Irã e outras questões internas serem geridas.

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Fonte: cnnbrasil.com.br

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