Irã suspende negociações de paz com os EUA e aponta violações de Israel

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O Irã decidiu suspender as negociações com os Estados Unidos, com o objetivo de terminar a guerra no Oriente Médio, conforme informou a agência de notícias iraniana Tasnim nesta segunda-feira, 1º. De acordo com a agência, essa decisão foi motivada pelos “crimes” que Israel continua a commeter no Líbano, além das violações do cessar-fogo, que foi alcançado entre os dois países no dia 8 de abril.

A nota divulgada pela Tasnim aponta que “a equipe negociadora iraniana interrompe, portanto, o diálogo e a troca de textos por meio de mediadores”.

Em resposta ao contexto atual, o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência para debater a intensificação da ofensiva israelense.

A suspensão das negociações ocorreu logo após uma nova onda de ataques entre as forças dos Estados Unidos e as forças iranianas, apesar do cessar-fogo que já se fazia presente há semanas. As negociações indiretas, que foram marcadas por ameaças recíprocas e diversos ataques aéreos, não conseguiram resultar em um acordo para pôr fim ao conflito ou para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás provenientes do Golfo Pérsico.

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Essa nova troca de ataques se deu em um momento em que a ofensiva israelense no Líbano estava em expansão. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, anunciou sua intenção de aprofundar as operações no território libanês, ordenando que as Forças Armadas atacassem “alvos terroristas” localizados em um distrito ao sul de Beirute.

Em uma comunicação nas redes sociais, o porta-voz de língua árabe do Exército israelense pediu aos moradores de Dahiyeh que abandonassem a área “para preservar sua segurança”.

Enquanto isso, os Estados Unidos manifestaram apoio às operações israelenses contra o Hezbollah, que é um grupo aliado ao Irã, ao mesmo tempo em que procuram estabelecer um acordo com Teerã para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro, que incluía ataques à capital iraniana, e para reabrir o Estreito de Ormuz, além de implementar restrições ao programa nuclear iraniano.

O governo iraniano reiterou, em sua manifestação mais recente, que não retomarão as negociações nucleares até que Israel cesse completamente sua ofensiva no Líbano. Apenas um término das operações militares israelenses e a liberação das áreas ocupadas seriam condições aceitáveis para qualquer progressão nas negociações.

“O bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos e a escalada da situação no Líbano são evidências claras do não cumprimento do cessar-fogo por parte dos Estados Unidos,” afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma publicação nas redes sociais.

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A agência Tasnim também ressaltou que “a equipe negociadora iraniana está suspendendo os diálogos e a troca de textos através de mediadores”, responsabilizando as ações de Israel no Líbano pela interrupção. A continuação das conversações, segundo a agência, dependeria do fim das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano, além da “retirada total das áreas ocupadas pelos sionistas no Líbano”.

No que diz respeito ao Estreito de Ormuz, a reportagem menciona que o Irã pretende manter o bloqueio e “ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab al-Mandab”, na entrada do Mar Vermelho.

‘Condições essenciais’

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, destacou em uma coletiva de imprensa que “sabemos quando é necessário agir em questões nucleares”. Ele esclareceu que neste momento, as prioridades estão voltadas para o término da guerra, enfatizando que uma cessação das hostilidades no Líbano é uma “condição fundamental para qualquer acordo que vise finalizar o conflito”.

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Baqaei também acusou os Estados Unidos de violar o cessar-fogo, com operações militares que ocorreram até mesmo na manhã do dia em que a coletiva foi realizada.

Os militares norte-americanos, por sua vez, alegaram que seus ataques foram conduzidos “em legítima defesa” contra sistemas de controle de drones e radares iranianos durante um fim de semana de hostilidades — a terceira operação desse tipo em um período superior a uma semana, ocorrendo após a derrubada de um drone MQ-1 dos EUA.

Logo após esses eventos, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter realizado um ataque a uma base aérea que, segundo eles, era utilizada pelos militares norte-americanos para lançar ofensivas. As Forças Armadas do Kuwait também relataram ter interceptado “ataques hostis com mísseis e drones”, embora não tenha sido identificado o país que abrigava a instalação atacada.

Pontos de impasse

As negociações sobre o programa nuclear iraniano já estavam em curso desde fevereiro, quando os EUA e Israel iniciaram uma campanha de ataques aéreos que eliminou parte fundamental da liderança da república islâmica, levando a um estado maior de conflito na região. Acredita-se que enquanto o Irã defende que seu programa nuclear tem propósitos pacíficos, os Estados Unidos e seus aliados têm sérias suspeitas de que isso seja uma fachada para o desenvolvimento de armas nucleares.

Na noite de domingo, 31, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um comunicado em suas redes sociais, dizendo que o acordo em discussão “afirma de forma muito clara que o Irã não terá uma arma nuclear”.

O governo iraniano, por sua vez, condicionou o início de negociações significativas a liberação de US$ 12 bilhões em ativos congelados, além de rejeitar declarações anteriores de Trump sobre a destruição de seu estoque de urânio enriquecido.

Frente libanesa

Desde 17 de abril, uma trégua entre Israel e o Hezbollah foi oficialmente implementada, mas essa acordada nunca foi totalmente respeitada, com ambas as partes se acusando mutuamente de violações do acordo. Israel continua a conduzir ofensivas terrestres no sul do Líbano e chegou a hastear sua bandeira sobre o Castelo de Beaufort, uma fortificação histórica usada como base durante as décadas de 1980 e 1990, durante a ocupação israelense.

Netanyahu descreveu a conquista do Castelo de Beaufort como “uma mudança dramática” e reafirmou seu compromisso de intensificar as operações contra o Hezbollah, conduzindo ataques e incursões mais profundas no território libanês.

Fonte: estadao.com.br

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