Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © José Cruz/Agência Brasil

O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, marcando um aumento real de 5,5%, já descontada a inflação, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este é o maior valor já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que começou em 2012.

Este trimestre encerrou em março e representa o segundo consecutivo em que o salário médio ultrapassa os R$ 3,7 mil. No trimestre anterior, encerrado em fevereiro, o rendimento foi de R$ 3.702. Em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, o crescimento foi de 1,6%.

Notícias relacionadas:

  • Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período.
  • Rendimento de trabalhador rural sobe 5,5% no 1º trimestre.

Esses dados foram divulgados na última quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

A pesquisa do IBGE abrange informações de dez grupos de atividades. Em oito deles, os rendimentos médios se mantiveram estáveis, sem variação significativa. Nos outros dois setores, houve aumento nos salários: no comércio houve alta de 3%, representando um acréscimo de R$ 86; na administração pública, o aumento foi de 2,5%, com um ganho de R$ 127.

- Publicidade-

Causas do aumento no rendimento

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, acredita que parte deste aumento no rendimento possa ser atribuída ao reajuste do salário mínimo, que passou a ser R$ 1.621 no início de janeiro. “Esse reajuste pode ter contribuído como uma recomposição e até mesmo garantido ganhos reais [acima da inflação]”, explicou.

Além disso, a analista destacou que no primeiro trimestre de 2026 ocorreu uma redução de 1 milhão de pessoas no número total de trabalhadores ocupados em comparação ao quarto trimestre de 2025. Essa redução afetou principalmente trabalhadores informais, que costumam ter rendimentos mais baixos. “Assim, a média de rendimento dos trabalhadores ocupados neste primeiro trimestre de 2026 é superior à média registrada no quarto trimestre”, completou.

Rendimentos e massa salarial

A pesquisa também revelou que a massa de rendimento total dos trabalhadores alcançou R$ 374,8 bilhões, o que representa o maior valor já registrado nesta série histórica. Essa quantia corresponde à soma dos salários recebidos por todos os trabalhadores, que é utilizada para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança.

Comparado ao primeiro trimestre do ano anterior, a massa salarial cresceu 7,1% acima da inflação, o que resulta em um total de R$ 24,8 bilhões a mais nas mãos dos trabalhadores em um ano.

Contribuições para a previdência

De acordo com os dados do IBGE, a proporção de trabalhadores que contribuem para a previdência social no primeiro trimestre de 2026 foi de 66,9% dos ocupados. Este é o maior percentual já registrado pela pesquisa, representando 68,174 milhões de trabalhadores com proteção social. Ao contribuir para entidades previdenciárias, os trabalhadores garantem benefícios como aposentadoria, pensão por morte e auxílio em caso de incapacidade.

- Publicidade-

O IBGE considera como contribuintes aqueles empregados, empregadores, trabalhadores informais e autônomos que contribuíram para previdência oficial federal (INSS) ou planos estaduais e municipais. A explicação para esse aumento na participação está relacionada à queda na informalidade, visto que trabalhadores informais tendem a contribuir menos para a previdência.

No trimestre que terminou em março, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, o que equivale a 38,1 milhões de trabalhadores que não possuem direitos trabalhistas garantidos. Em comparação, no final de 2025, a taxa era de 37,6%, enquanto no primeiro trimestre de 2025 era de 38%.

O IBGE também ressalta que um trabalhador informal — como um autônomo sem CNPJ — pode ser um contribuinte individual do INSS.

- Publicidade-

Desemprego em queda

A Pnad é essencial para entender o cenário do emprego no Brasil, abrangendo o mercado de trabalho de pessoas com 14 anos ou mais e considerando todas as formas de ocupação, incluindo trabalhadores com ou sem carteira assinada, temporários e autônomos. No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego foi de 6,1%, o que representa a menor taxa já registrada para esse período.

Para o IBGE, uma pessoa é considerada desempregada apenas se procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. A pesquisa é aplicada em 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia