Secop 2026 debate os rumos do estado inteligente e governança de dados
A transformação digital, a governança de dados e a inteligência artificial tornaram-se pilares incontestáveis para a construção de um Estado Inteligente e para a oferta de serviços públicos de excelência aos cidadãos. Essa foi a principal mensagem que marcou a solenidade de abertura da 53ª edição do Secop, o Seminário Nacional de TIC para a Gestão Pública. Organizado pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP-TIC), o evento ocorre em Brasília, reunindo as principais lideranças de tecnologia da informação e de gestão governamental de todo o Brasil.
Durante a cerimônia inicial, especialistas e autoridades enfatizaram que o conceito de Estado Inteligente vai muito além de uma simples tendência tecnológica. Trata-se de uma exigência administrativa fundamental para superar os complexos desafios de um país continental e marcado por desigualdades regionais. O tom predominante nos discursos foi o da colaboração federativa, apontando o compartilhamento de soluções tecnológicas entre os estados como a rota mais eficiente para a modernização da máquina pública.
O presidente da Prodeb da Bahia e presidente-executivo da ABEP-TIC, José Muniz Rebouças, destacou que o evento funciona como um ambiente propício para o desenvolvimento de soluções colaborativas voltadas diretamente à melhoria da qualidade de vida da população. Para ele, o tema central escolhido para este ano demonstra o claro amadurecimento da pauta digital dentro da administração pública.
“É uma satisfação abrir a 53ª edição deste evento. É um espaço de soluções colaborativas para melhorar a vida do cidadão brasileiro. O tema deste ano expressa o momento que estamos vivendo: Estado Inteligente, governança de dados e IA como estrutura de governo”, pontuou Rebouças. Ele também ponderou que a inteligência artificial deixou de ser uma realidade distante e que a governança de dados ultrapassou as barreiras estritamente técnicas.
“A IA bem aplicada pode ampliar eficiência e apoiar políticas públicas mais precisas. Mas há perguntas que não podem ser ignoradas. Como identificar e reduzir vieses que possam reproduzir desigualdades? Em que situações a supervisão humana deve ser mantida?”, questionou o dirigente, ressaltando ainda a utilidade do índice de transformação digital como ferramenta para mensurar avanços e estimular o intercâmbio de experiências bem-sucedidas entre os governos estaduais.
Conexão com reformas estruturais e planejamento
A relação direta entre inovação tecnológica e as grandes reformas estruturantes do país esteve no centro da exposição de Fabrício Marques Santos, secretário de Planejamento de Pernambuco e presidente do Conselho Nacional de Secretários do Planejamento (Conseplan). Segundo ele, os próximos anos demandarão um esforço sem precedentes na estruturação de informações para que mudanças de grande impacto, como a reforma tributária, cumpram seus propósitos sociais.
“Eventos como esse fortalecem quem está na luta no dia a dia dos governos para entregar o que o povo brasileiro precisa. O que temos feito no Brasil não é desprezível, com avanços na melhoria do serviço público”, avaliou Santos. O secretário argumenta que o país enfrentará um dos momentos mais desafiadores de transformação federativa.
“Temos a reforma tributária que será implementada na prática e vai demandar um conjunto amplo de inteligência de dados para redução das desigualdades. Sem capacidade de estruturar informações, a lei não será um vetor de redução de desigualdades”, alertou, defendendo o uso intensivo da tecnologia para aprimorar a educação técnica e consolidar o Brasil como referência internacional em serviços digitais.
Segurança pública na era digital
A vulnerabilidade de bancos de dados governamentais e a urgência de blindar a população contra fraudes e crimes cibernéticos pontuaram o discurso de Jean Francisco Bezerra Nunes, secretário de Segurança da Paraíba e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp). O representante da segurança pública reforçou que a proteção cibernética é indissociável da gestão pública moderna.
“A segurança pública não é apenas cuidar da violência, que é o que está mais à vista. Na maioria das vezes os estados negligenciam a proteção de seus dados, os acessos a bancos de dados importantes”, declarou Nunes, frisando a necessidade imperativa de conectar as instituições policiais e de segurança com as diretrizes de tecnologia e proteção de dados.
“Temos fraudes realizadas diaria e instantaneamente, levando lucro ao crime organizado e violentando as pessoas naquilo que é de mais valioso”, pontuou, destacando que o prejuízo financeiro e social é imensurável, o que torna obrigatória a integração digital entre as secretarias de segurança e as empresas estaduais de processamento de dados.
Visão humanista e os custos da infraestrutura
Trazendo uma abordagem voltada ao desenvolvimento humano, Mauricélia Vidal Montenegro, secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), argumentou que a inovação tecnológica deve estar a serviço do conhecimento e das demandas reais da sociedade.
“Vivemos um momento em que a transformação digital deixou de ser um agente tecnológico. Falamos de IA, governança de dados, cibersegurança. Mas antes de falar de tudo isso, temos que falar de pessoas, do conhecimento e da capacidade de inovar para responder aos desafios da sociedade”, afirmou. Para ela, a inteligência artificial inaugurará uma fase em que as políticas públicas serão fundamentadas em evidências concretas, gerando atendimento personalizado e inclusivo.
Por sua vez, Samuel Nascimento, secretário de Administração do Piauí e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), abordou o impacto orçamentário e os desafios financeiros para manter a infraestrutura digital em pleno funcionamento, como os altos custos associados ao processamento em nuvem.
“Custa muito manter em nuvem, por exemplo, o processamento de toda a base de dados de um estado. Para manter tudo isso, vamos precisar de muitos recursos e vamos nos sentir limitados, porque não será possível pagar pela solução. Isso causa angústia”, confessou o secretário, enfatizando que apenas a cooperação federativa poderá mitigar tais gargalos financeiros.
Encerrando a rodada de pronunciamentos da abertura oficial, Luiz Fernando Záchia, presidente da Procergs do Rio Grande do Sul e dirigente da ABEP-TIC, apelou aos governadores para que mantenham atenção redobrada aos orçamentos das empresas estaduais de processamento de dados, fundamentais para garantir a expansão digital equânime em território nacional.
“Quero agradecer a todos os presidentes das empresas estaduais. Algumas têm mais recursos, outras nem tanto, mas todas estão caminhando na transformação digital de seus estados. Quero pedir aos governantes que olhem para essas companhias com cuidado e pensem em seus orçamentos. A sociedade precisa cada vez mais de serviços digitais. Este talvez seja o maior desafio que a ABEP pode ter: fazer com que haja crescimento em todas as instituições”, concluiu.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


