Supremo Tribunal Federal autoriza nova investigação da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um novo inquérito policial para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha. Ele é filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão do magistrado atende a uma solicitação formal apresentada pela Polícia Federal (PF). O objetivo da nova apuração é examinar a suposta atuação de um grupo de pessoas que manteria relações comerciais consideradas irregulares ou ilícitas com diferentes órgãos da administração pública federal. Como o caso tramita sob sigilo determinado pela Justiça, os detalhes específicos sobre os alvos adicionais, os contratos analisados e as diligências em curso não foram integralmente tornados públicos.

Além de autorizar a apuração principal sobre as suspeitas de negócios escusos com o governo, o ministro Flávio Dino também determinou a instauração de uma investigação paralela e autônoma. O intuito deste segundo procedimento é identificar a origem e os responsáveis pelo vazamento de informações confidenciais relativas às etapas preliminares da investigação. Esta medida específica atendeu a um pleito apresentado pela defesa técnica de Lulinha, que apontou prejuízos decorrentes da divulgação antecipada de dados sigilosos.

Com esta nova autorização concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, somam-se três os inquéritos em andamento na Polícia Federal que envolvem o empresário Fábio Luís Lula da Silva.

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O primeiro procedimento investigativo instaurado apura a suspeita de suposto crime de tráfico de influência que teria ocorrido no âmbito do Ministério da Saúde. O eixo central dessa apuração recai sobre uma empresa do setor de cannabis medicinal que supostamente manifestou interesse em firmar acordos contratuais e parcerias com a pasta ministerial. A companhia em questão mantinha conexões com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, amplamente identificado como Careca do INSS. As autoridades ressaltam que esta frente de investigação específica não guarda relação com os episodenes de descontos irregulares ou fraudes em benefícios previdenciários administrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social.

O segundo inquérito policial em curso concentra-se na apuração de supostas ilegalidades e desvios de conduta detectados no interior da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), autarquia federal responsável pela centralização, guarda e processamento dos dados cadastrais de milhões de aposentados e pensionistas brasileiros.

Manifestação da defesa

Em nota oficial distribuída à imprensa, os advogados Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho, responsáveis pela defesa técnica de Lulinha, declararam que receberam a notícia sobre a abertura deste terceiro inquérito policial mantendo “absoluta serenidade”. Os representantes legais argumentaram que o andamento do processo representará uma oportunidade clara para dissipar qualquer dúvida remanescente a respeito das atividades de caráter pessoal e profissional exercidas pelo empresário ao longo dos anos.

“Ele comprovará, ao final, que não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade, assim como fez no inquérito das fraudes do INSS, em relação ao qual esperamos um já tardio arquivamento”, destacaram os defensores na nota pública divulgada à imprensa.

Os advogados também enfatizaram que reiteraram aos órgãos competentes pedidos para a adoção de “providências enérgicas” com o propósito de coibir o que classificaram como “vazamentos reiterados, seletivos e criminosos” de dados protegidos pelo segredo de Justiça.

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“Temos denunciado a instrumentalização de setores da Polícia Federal a serviço de interesses políticos e eleitorais, em prejuízo da imparcialidade e legalidade que deveriam reger procedimentos criminais”, pontuaram os advogados ao reforçarem as críticas contra a condução prévia de informações sigilosas ligadas ao caso.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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