O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reuniu-se com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para debater os desdobramentos das investigações vinculadas ao caso Master. O encontro institucional teve duração de uma hora e meia e serviu para alinhar os próximos passos das apurações conduzidas pelas autoridades policiais.
Durante a reunião, Edson Fachin determinou que a corporação policial remeta ao Supremo todas as referências e menções a ministros da Suprema Corte que tenham sido identificadas no decorrer das diligências, sem qualquer exceção. Com a chegada formal dessas informações, caberá ao plenário da Corte avaliar a pertinência de instaurar investigações formais contra os magistrados citados nos registros.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também participará do processo, devendo emitir um parecer preliminar antes que o plenário realize a análise definitiva sobre o caso. A movimentação no tribunal ocorre após forte pressão de integrantes do colegiado, que cobraram a apuração transparente de todas as menções a ministros que vieram à tona através de mensagens analisadas pelos investigadores.
Entenda o caso
No mês passado, o ministro André Mendonça, que atua como relator do caso Master, decidiu retirar o sigilo de uma parcela dos documentos da investigação. A medida permitiu a divulgação de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou mensagens para um terminal telefônico atribuído ao ministro Alexandre de Moraes pouco antes de sua prisão, realizada em novembro do ano passado.
Posteriormente, a abertura do material sigiloso demonstrou que outros integrantes da Corte — como Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Luiz Fux e o próprio André Mendonça — também foram mencionados por indivíduos ligados ao ex-banqueiro. Em paralelo, o ministro Gilmar Mendes encaminhou um ofício a Edson Fachin exigindo a identificação rigorosa de todos os citados nas conversas.
Novos rumos das investigações
Durante o encontro na sede do STF, o presidente da Corte também comunicou ao chefe da Polícia Federal que aguarda o posicionamento da Procuradoria-Geral da República acerca de requerimentos urgentes apresentados pela corporação. Esses pedidos englobam tanto as apurações do caso Master quanto as investigações sobre descontos irregulares em benefícios geridos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esses procedimentos estavam sob a relatoria do ministro André Mendonça, mas foram transferidos para a presidência do STF em meio a um atrito interno no tribunal. O conflito se intensificou logo após Mendonça levantar o sigilo das supostas tratativas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Cabe agora à PGR manifestar-se sobre os pedidos de revogação de prisão formulados por defesas de investigados, a exemplo do empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, além de Felipe Vorcaro e Henrique Vorcaro, respetivamente primo e pai do ex-banqueiro.
Por fim, Edson Fachin cobrou agilidade da Polícia Federal na análise de providências relacionadas ao inquérito das Fake News. Recentemente, o magistrado indicou a intenção de encerrar a apuração, após ter retirado a relatoria do caso de Alexandre de Moraes no mês anterior. O inquérito havia sido instaurado em março de 2019, por iniciativa do então presidente Dias Toffoli, com o objetivo de coibir ataques virtuais à segurança e à honra do STF e de seus familiares.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


