Trabalhadores denunciam riscos em obras de hospital municipal de SP

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Prefeitura de São Paulo

Trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), localizado na cidade de São Paulo, expressaram preocupação em relação à falta de segurança e os riscos à saúde que estão sendo enfrentados por pacientes e funcionários devido a obras realizadas “sem as proteções necessárias”.

As denúncias foram trazidas à tona pelo Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), que destacou a precariedade das condições em que as obras estão sendo conduzidas. Entre os problemas mencionados, estão o isolamento de áreas críticas feito apenas com plástico preto e fita adesiva, o que eleva substancialmente os riscos de contaminação e acidentes.

Obra em hospital municipal de SP, cercada apenas por plástico e fita crepe.

O Sindsep mencionou que a segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais não têm sido levados em conta em pelo menos nove intervenções em curso nas instalações do hospital. “Há meses, o hospital se tornou um verdadeiro canteiro de obras, sem um diálogo adequado com os trabalhadores e sem um cronograma pactuado que respeite as normas internas da instituição”, afirmou o sindicato em comunicado.

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A Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), contrabalançou as críticas, informando que o HSPM está passando por um extenso programa de modernização que deve ser finalizado ainda este ano. Em nota, a SMS garantiu que os serviços de reforma estão sob constante supervisão das equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar.

Planejamento inadequado

O sindicato enfatiza a necessidade de um planejamento rigoroso em qualquer intervenção no setor da saúde para evitar impactos negativos no atendimento. Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, comentou sobre a falta de um plano de contingência. “Recentemente, a obra no centro cirúrgico foi isolada apenas com plásticos e fita crepe, dois meses após a primeira denúncia”, destacou.

Flávia também ressaltou que a representação dos trabalhadores não se opõe à reforma em si, mas questiona a metodologia aplicada. “Qualquer hospital privado que realizasse reformas dessa forma estaria fechado. Em hospitais do setor privado, existe um plano de contingência que busca deslocar setores e realizar as reformas em etapas, evitando transtornos”, explicou.

Riscos de contaminação

Uma das questões mais alarmantes levantadas pelos trabalhadores é a potencial contaminação causada pela poeira gerada na obra. Essa poeira pode agravar problemas respiratórios e aumentar o risco de infecções. Flávia detalhou que o hospital tem diretrizes que sugerem o uso de materiais como drywall para evitar a dispersão de partículas finas, mas na prática estão sendo utilizados apenas plásticos e fita crepe.

De acordo com o sindicato, a precariedade das barreiras e a falta de organização durante as intervenções podem resultar em contaminação das superfícies hospitalares e dos materiais estéreis, o que é extremamente grave.

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Riscos para a saúde

Foi reportado que a poeira pode carregar o fungo Aspergillus, comum em ambientes hospitalares, que pode causar infecções respiratórias sérias, especialmente em pacientes com o sistema imunológico comprometido. O Ministério da Saúde alerta que a aspergilose pode levar a consequências fatais em casos extremos.

Além disso, os trabalhadores também relataram a experiência de ambientes extremos em termos de ruído devido às obras, o que pode ser particularmente prejudicial para os pacientes internados. “Não há contenção de ruído, e o barulho está em áreas onde os pacientes estão internados”, sinalizou Flávia, mencionando que fotografias tiradas durante as obras mostram a pediatria e a UTI pediátrica impactadas diretamente.

Imagens de situações preocupantes

Em abril, o Sindsep já havia divulgado imagens que demonstravam os riscos presentes no hospital, incluindo um vazamento significativo de água que afetou partes do setor de internação. “O terceiro andar ficou alagado, e os trabalhadores estavam sem saber o que fazer. Pacientes tentavam desviar da água, enquanto as equipes tentavam minimizar os danos”, denunciou o sindicato na época.

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Uma denúncia formal sobre as condições do hospital foi encaminhada ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS) em abril. A RDC 50/2002, que orienta como devem ser realizadas reformas em unidades de saúde, foi mencionada como um padrão não seguido na realização dessas obras, levando à insatisfação generalizada.

O CVS informou que, apesar das dificuldades, algumas medidas de controle para mitigar os riscos já estão em prática e novas recomendações foram feitas para garantir a segurança de todos os usuários da unidade durante o período de reformas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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