Trabalhadores são salvos após nove dias presos em túnel no Nepal

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

Duas pessoas foram resgatadas com vida na manhã desta sexta-feira, em uma operação considerada monumental no Nepal. Os trabalhadores estavam presos dentro de um túnel subterrâneo havia nove dias, após um devastador deslizamento de terra provocado por uma severa tragédia natural que atingiu a região de fronteira com a China na semana anterior. A confirmação do salvamento foi repassada oficialmente pelos ministérios de Energia e do Interior do país asiático.

Os sobreviventes foram identificados pelas autoridades locais como sendo Sanjay Shah, de 30 anos, que atuava como encarregado de mecânica, e Kabir Maharjan, de 45 anos, que trabalhava como supervisor na área afetada. Logo após retirados da estrutura subterrânea, ambos foram encaminhados com urgência para Katmandu, capital nepalesa, para receber atendimento médico especializado e avaliações detalhadas sobre o estado de saúde.

Imagens e registros audiovisuais divulgados pelo ministério de Energia do Nepal documentaram a emoção das equipes de salvamento no momento em que um dos homens foi trazido à superfície, em meio a uma espessa camada de lama. Outro registro fotográfico capturou o instante em que o segundo trabalhador, completamente coberto de detritos, realizava uma prece enquanto era transportado em uma maca de cor laranja pelos socorristas.

A localização e o resgate trouxeram alívio imediato aos familiares que aguardavam por notícias nas proximidades. “Estou tão feliz, agora meu coração está muito mais em paz”, declarou Amir Maharjan, irmão de um dos dois homens encontrados, em entrevista concedida à agência AFP.

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Horas antes do comunicado oficial que confirmou o sucesso da operação, o especialista australiano em resgate em águas profundas Arnold Dix, que integrou os esforços no local, já havia sinalizado indícios de que havia esperança no complexo subterrâneo. Segundo o especialista, o primeiro contato auditivo com os sobreviventes ocorreu quando equipes perceberam uma resposta fraca de dentro da estrutura ao chamarem pelos soterrados, ouvindo a palavra “hunchha”, expressão que significa “sim” ou “OK” no idioma local.

In a major rescue, a survivor is taken out of Trishuli 3A project, after Nepal Floods by rescue teams: pic.twitter.com/2485HCAoCK

— Bengal's untold tales (@Gramergolpo) September 4, 2026

A avalanche de proporções catastróficas, composta por grandes volumes de água, gelo e detritos, devastou vales inteiros situados na zona de fronteira entre o Nepal e a China. Balanços divulgados pelas autoridades competentes apontam que o desastre natural resultou em pelo menos 1.280 mortes confirmadas e deixou mais de 5,6 mil pessoas desaparecidas.

Entre a parcela da população que continua desaparecida, encontram-se mais de 900 funcionários que prestavam serviços em diferentes usinas hidrelétricas nepalesas na região atingida. Nas horas seguintes ao impacto inicial do desastre, estimativas preliminares apontavam que aproximadamente 100 trabalhadores poderiam estar confinados apenas nas galerias do projeto Trishuli 3A.

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Nos primeiros dias de buscas, que envolveram o uso intensivo de escavadeiras e até mesmo cargas controladas de explosivos para desobstruir os túneis tomados por toneladas de lama, as equipes de resgate infelizmente haviam recuperado apenas corpos sem vida. A reviravolta desta sexta-feira renova, portanto, as expectativas e coroa com êxito os esforços persistentes das corporações de salvamento envolvidas na catástrofe.

Fonte:: estadao.com.br

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