Tribunal de Contas da União aponta falhas em dados do Sistema S e exige planos de ação

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O Tribunal de Contas da União (TCU) manifestou preocupação em relação à qualidade dos dados prestados pelas entidades que compõem o chamado Sistema S. O órgão de controle realizou um acompanhamento detalhado por meio de análise de dados com o objetivo de examinar o nível de transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o desempenho geral das atividades desenvolvidas por essas instituições em todo o território nacional.

No decorrer do exercício de 2024, as organizações que integram o Sistema S gerenciaram orçamentos expressivos, acumulando receitas correntes superiores a R$ 55 bilhões. Desse montante total, impressionantes R$ 37 bilhões foram originados diretamente de contribuições parafiscais obrigatórias recolhidas da sociedade e do setor produtivo. Como esses recursos financeiros são direcionados para a manutenção de serviços essenciais nas áreas de educação, capacitação profissional, saúde, assistência e cultura, a legislação exige rigorosa e redobrada fiscalização sobre a sua destinação.

De acordo com o levantamento conduzido pelo TCU, todas as instituições avaliadas conseguiram atingir o patamar mínimo obrigatório no que tange à divulgação geral de informações públicas. No entanto, o diagnóstico apontou que parte significativa dessas entidades registrou desempenho inferior ao exigido na disponibilização de dados estruturados em formatos abertos. Entre os principais problemas detectados, destacam-se falhas recorrentes na publicidade de dados referentes a processos licitatórios, contratos de patrocínios e demonstrações contábeis detalhadas.

O documento elaborado pela corte de contas alerta que tais limitações operacionais acabam por gerar barreiras significativas, prejudicando tanto o acompanhamento e o controle social por parte da população quanto o trabalho técnico de auditoria realizado pelos órgãos de fiscalização do Estado. A falta de padronização compromete a eficiência na verificação das contas públicas.

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Outro ponto crítico evidenciado na auditoria diz respeito à dificuldade técnica observada em várias entidades no momento de disponibilizar dados que possam ser acessados, lidos e processados de forma automática por softwares e sistemas computacionais. Em diversos casos, as informações financeiras e administrativas estavam restritas a arquivos estáticos ou plataformas que exigiam etapas manuais complexas, o que inviabiliza análises em larga escala e auditorias automatizadas mais céleres.

Durante a avaliação, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac Nacional) foi citado por ter cumprido diretrizes importantes, como a ampliação do suporte técnico e financeiro às unidades regionais que apresentavam baixo desempenho. A instituição também avançou ao separar os indicadores de custo referentes aos cursos presenciais daqueles ofertados na modalidade a distância, além de tornar públicos os resultados pormenorizados de todos os seus departamentos regionais.

Apesar desses avanços pontuais, o TCU ressaltou que ainda persistem lacunas na estrutura de governança, como a ausência de critérios normativos claros e objetivos para identificar situações concretas de ineficiência que possam justificar medidas corretivas ou intervenções administrativas nos departamentos regionais. Para o tribunal, a ausência de parâmetros rígidos abre margem para decisões pautadas na subjetividade, o que pode retardar providências indispensáveis para otimizar a gestão interna e a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.

Diante do cenário encontrado, o Plenário do TCU determinou que as entidades fiscalizadas elaborem e apresentem, no prazo improrrogável de 60 dias, planos de ação estruturados para sanar todas as deficiências encontradas na divulgação de informações em formatos abertos e legíveis por máquina, em estrita observância à legislação de transparência em vigor. Além disso, a corte expediu notificações formais sobre as falhas pontuais e recomendou o aprimoramento contínuo dos parâmetros metodológicos utilizados para mensurar a eficiência operacional do Sistema S.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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