Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União e Conselho Nacional de Justiça unem forças em aquisição pioneira de tecnologia em nuvem

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Em um movimento considerado inédito para a administração pública federal, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uniram forças em uma compra governamental pioneira voltada para a arquitetura multicloud. A iniciativa rompe com as amarras contratuais tradicionais da Central de Compras públicas, que historicamente limitavam as instituições a catálogos fechados e restringiam o acesso às melhores práticas globais de computação em nuvem.

A unificação de volumes de aquisição e a abertura para um modelo de catálogo expandido foram os pilares que viabilizaram a operação conjunta. Os detalhes dessa parceria estratégica foram apresentados publicamente durante o Fórum Executivo Brasil AWS Setor Público, realizado em Brasília, atraindo a atenção de especialistas e gestores públicos de diversas esferas do governo.

A transição para esse novo modelo exigiu um esforço intenso de integração entre as equipes técnicas dos órgãos envolvidos. Em entrevista concedida em Brasília, Lorena Passos, representando o TCU, e Rafael Ferreira, pela CGU, detalharam os bastidores da cooperação e os desafios superados para encontrar a estratégia mais adequada às necessidades de cada instituição.

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Para a CGU, a mudança de postura em relação à infraestrutura tecnológica também foi impulsionada por lições duras do passado. Rafael Ferreira revelou que o órgão passou por um incidente crítico de segurança cibernética quando o antigo provedor detinha o privilégio sobre as contas principais, resultando em um indesejado vazamento de dados.

“O aprendizado foi imediato: percebemos que não poderíamos delegar esse controle absoluto a terceiros”, explicou o representante da CGU. “Hoje, adotamos a diretriz de acesso mínimo estrito. O controle total dos ambientes e das chaves de segurança permanece rigorosamente sob a nossa tutela”, pontuou.

No âmbito do TCU, a adesão ao modelo de compra conjunta encontrou respaldo na necessidade de ampliar os horizontes de inovação. Segundo Lorena Passos, a possibilidade de operar em um ambiente de catálogo aberto impulsiona drasticamente as capacidades de experimentação institucional, especialmente com a adoção da estratégia multicloud, que distribui cargas de trabalho entre diferentes fornecedores para evitar a dependência exclusiva de um único player tecnológico.

Contudo, a executiva do TCU pondera que a flexibilidade operacional traz consigo desafios técnicos consideráveis. “Cada nuvem opera essencialmente como um novo data center que exige governança própria e competências especializadas”, ressaltou Lorena. “Isso demanda uma curva de aprendizado acelerada e um nível técnico muito elevado por parte das nossas equipes internas.”

Outro fator determinante para o sucesso da empreitada conjunta foi a gestão financeira rigorosa dos recursos computacionais. Rafael Ferreira enfatizou que a adoção da nuvem no setor público é inviável sem a aplicação estrita de metodologias de FinOps (operações financeiras em nuvem).

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“É imprescindível contar com profissionais dedicados exclusivamente a esse monitoramento”, alertou o executivo da CGU. “Sem um controle financeiro granular e contínuo sobre o consumo real dos recursos na nuvem, os custos podem escalar rapidamente e comprometer o orçamento do órgão”, completou.

Questionados sobre a incorporação de tecnologias avançadas, como a Inteligência Artificial (IA), os gestores apontam que a jornada institucional ainda está em fase de maturação. No TCU, o uso de soluções de IA utiliza atualmente ferramentas do ecossistema da AWS, mas iniciativas mais avançadas, como a IA agêntica, ainda engatinham. “Precisamos avaliar com cautela questões fundamentais como a previsibilidade de custos, a conformidade regulatória e a segurança da informação”, ponderou Lorena Passos.

Por outro lado, a CGU já colhe frutos práticos na ponta do atendimento ao cidadão por meio da otimização da plataforma FalaBR. De acordo com Rafael Ferreira, a integração de recursos de inteligência artificial na infraestrutura em nuvem revolucionou a eficiência do serviço de ouvidoria pública.

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“Utilizamos a IA para agilizar a triagem e o tratamento inicial das manifestações enviadas pelos cidadãos que buscam nossos canais”, celebrou Ferreira. “O impacto na agilidade é dramático: demandas que anteriormente exigiam prazos de até 15 dias para uma resposta inicial agora são processadas e direcionadas em questão de segundos ou poucos minutos.”

A iniciativa conjunta de TCU, CGU e CNJ consolida um novo marco regulatório e operacional para as compras públicas de tecnologia no Brasil, demonstrando que a cooperação interinstitucional e a busca por autonomia técnica são caminhos viáveis para a modernização do Estado.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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