Troca de figurinhas pode atenuar alto custo do álbum da Copa do Mundo

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil

O torcedor que deseja completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 deve se preparar financeiramente. O torneio contará com 48 seleções, um aumento em relação às 32 das edições anteriores, resultando em mais de 980 figurinhas a serem coletadas, tornando esta a maior coleção já lançada pela editora Panini.

Para os colecionadores, isso significa um aumento significativo de despesas. O custo para completar o álbum poderá ultrapassar R$ 7,3 mil para aqueles que preferem adquirir os pacotes sem trocar figurinhas. Cada pacote contendo sete unidades é vendido por R$ 7.

Alternativa Econômica

Entretanto, há uma alternativa mais econômica por meio da troca de figurinhas, onde os colecionadores podem se unir a amigos ou se dirigir a locais específicos para realizar trocas no formato “um por um”. Nesse modelo, os gastos podem cair até 80%, variando entre R$ 1.200 e R$ 1.700.

O álbum, lançado em maio, apresenta figurinhas dos jogadores das 48 seleções participantes, incluindo 16 figuras a mais que na última edição, no Mundial do Catar (2022). Em um cenário ideal, onde não há figurinhas repetidas, o gasto para completar o álbum seria de R$ 1.004,90, levando em consideração a compra de 140 pacotes (R$ 980) e o valor do álbum brochura padrão (R$ 24,90).

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Essa alta despesa tem transformado o processo de completar o álbum em uma verdadeira caça às figurinhas raras. No total, são 980 figurinhas disponíveis, além de outras 68 que foram classificadas como especiais. As figurinhas pertencentes à série Legends são especialmente desejadas pelos fãs, pois oferecem versões diferenciadas de alguns dos jogadores mais icônicos, apresentando níveis de raridade que vão do bordeaux ao dourado. As figurinhas douradas são as mais raras, aparecendo uma vez a cada 1.900 pacotes. Figurinhas de jogadores renomados como Cristiano Ronaldo (Portugal), Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França), Lamine Yamal (Espanha) e Vinicius Júnior (Brasil) são as mais cobiçadas pelos colecionadores.

Nas plataformas de compra e venda, versões douradas dessas figurinhas já podem ultrapassar R$ 500, o que intensifica a competição entre colecionadores. A busca por estas figurinhas raras tem transformado os locais de troca em verdadeiros espaços de negociação. O estudante de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Guilherme Ferreira, comentou sobre o clima nesses pontos de troca: “Só ficou o pessoal mais desesperado para conseguir trocar essas figurinhas, e muita gente querendo pagar valores altos. Tem um pessoal gastando realmente muito dinheiro”.

Uma curiosidade notável nesta edição do álbum é a discrepância entre os jogadores apresentados e as convocações oficiais das seleções. Enquanto a edição do álbum foi lançada em maio, a produção da coleção começou meses antes do anúncio das listas finais de convocados. Assim, alguns jogadores não participaram da competição, enquanto outros que foram convocados acabaram por não ser incluídos nas figurinhas. No Brasil, jogadores como Rodryigo, Éder Militão e Estevão ganharam figurinhas, mesmo estando fora das chamadas do técnico italiano Carlo Ancelotti devido a lesões. Essa situação se replicou em diversas seleções, o que ilustra como o álbum reflete um panorama dos meses anteriores ao torneio.

Em meio a esse contexto, a ausência de Neymar Júnior chamou a atenção, uma vez que o craque da seleção brasileira não aparece na versão inicial do álbum. O estudante da UFF comentou: “A ausência do Neymar eu não acho um absurdo, ninguém sabia se ele ia ou não, provavelmente, não iria. Os outros, realmente, a Panini vacilou. O Rodrygo já estava fora da Copa há seis meses e foi para o álbum”.

Enquanto os jogos acontecem nos Estados Unidos, Canadá e México, a disputa entre colecionadores se intensifica, especialmente para aqueles que estão dispostos a investir mais. O engenheiro Lucas Antonio Pinheiro, por exemplo, relata que está focado em completar seu álbum o quanto antes, sem se preocupar em economizar. “Estamos com cerca de 50% do álbum completo e, até o momento, gastamos em torno de R$ 800. É um valor considerável, mas encaramos mais como uma experiência do que apenas um gasto”, explicou Pinheiro.

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Para ele, a coleção tem um significado emocional especial, já que ficou noivo um mês antes do início da Copa. “A principal motivação é a oportunidade de construir uma memória junto de quem amamos. Minha noiva Paula e eu estamos colecionando juntos e temos aproveitado muito cada momento, especialmente as trocas de figurinhas”, afirmou.

Lucas reafirma que o álbum representa um investimento emocional, além de ser apenas um gasto financeiro: “O que mais nos encanta é o ambiente que a Copa proporciona. Nas trocas, é comum ver pessoas de diferentes gerações reunidas: de crianças a adultos, todos compartilhando a mesma paixão. Esta será a nossa primeira Copa do Mundo colecionando juntos, e é algo que certamente ficará marcado na nossa memória. E, claro, seguimos na torcida e cheios de esperança pelo tão sonhado hexa”, concluiu.

*Colaborou Isabela Vieira, repórter da Agência Brasil e Paulo Garritano, da TV Brasil.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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