TV Brasil exibe entrevista especial e o clássico Dona Flor e seus Dois Maridos em homenagem a Luiz Carlos Barreto

Marcelo Borges
8 min. de leitura
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil


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Como forma de prestar um tributo ao renomado produtor, diretor e fotógrafo de cinema Luiz Carlos Barreto, falecido nesta quarta-feira (22) aos 98 anos, a TV Brasil preparou uma programação especial para esta sexta-feira (24). A emissora pública exibirá, a partir das 21h, uma entrevista exclusiva concedida pelo mestre da sétima arte na edição especial do programa Cine Resenha. Logo em seguida, às 21h30, o público poderá acompanhar a exibição do clássico nacional Dona Flor e seus Dois Maridos (1976). Todo o conteúdo também fica disponível de forma integrada por meio do aplicativo TV Brasil Play.

O veterano esteve nos estúdios da emissora em 2023, ocasião em que a gravação foi realizada para celebrar as seis décadas de trajetória da produtora L.C. Barreto. Na conversa conduzida pela apresentadora Priscila Rangel, o cineasta este acompanhado de sua esposa e parceira de longa data, a produtora Lucy Barreto. Juntos, eles resgataram momentos fundamentais do Cinema Novo e compartilharam bastidores históricos de produções que moldaram a identidade da cinematografia brasileira.

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O longa-metragem escolhido para a sessão especial, Dona Flor e seus Dois Maridos, foi dirigido por Bruno Barreto, filho do casal de homenageados, e adaptado do célebre romance homônimo escrito por Jorge Amado. O enredo é protagonizado pela atriz Sônia Braga, que divide as telas com os consagrados atores José Wilker e Mauro Mendonça.




Cena do filme Dona Flor e seus Dois Maridos – Foto: Divulgação / TV Brasil

A premiada produção ocupa um lugar de destaque na história da cultura nacional, figurando entre as maiores bilheterias de todos os tempos no país. A obra marcou época ao se tornar o primeiro filme brasileiro a ultrapassar a marca histórica de 10 milhões de espectadores nas salas de cinema. Graças a esse desempenho estrondoso, a película manteve a liderança absoluta de público no circuito comercial por mais de três décadas. A narrativa aborda a trajetória de uma professora que, após a morte repentina do primeiro marido — um malandro incorrigível —, decide reconstruir sua vida ao lado de um farmacêutico pacato.

Durante a entrevista que vai ao ar na TV Brasil, Barretão destaca a relevância do filme para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional:

“Dona Flor divide o cinema brasileiro em antes e depois. Foi a prova de que o Brasil tem capacidade de produzir filmes de interesse internacional do ponto de vista artístico e comercial. Abriu o mercado americano e o europeu não só de cinema, como também de televisão”, pontuou o cineasta.

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No decorrer do bate-papo, Luiz Carlos e Lucy Barreto relembram os primeiros passos na carreira, a participação em projetos de grande envergadura e a parceria duradoura com nomes fundamentais como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha. Barretão foi responsável pela direção de fotografia de duas obras-primas absolutas do Cinema Novo: Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967), acumulando ainda causos sobre os bastidores de títulos como Bye Bye Brasil e O Beijo no Asfalto.

O legado da família na área audiovisual também é abordado, visto que os filhos Bruno e Fabio Barreto seguiram os passos dos pais e se consolidaram como importantes diretores. Ao todo, a produtora L.C. Barreto acumula a realização de mais de 150 títulos, abrangendo longas-metragens de ficção, documentários e programas televisivos.

Outro ponto alto da conversa é a lembrança das indicações do Brasil ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, marco alcançado com as obras O Quatrilho (1995), dirigida por Fabio Barreto, e O Que é Isso, Companheiro? (1998), de Bruno Barreto. Os convidados também analisam os desafios orçamentários enfrentados historicamente pelo setor audiovisual no país.

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Com seu característico bom humor, Luiz Carlos Barreto diverte o público ao explicar a origem do apelido Barretão. A alcunha foi cunhada pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos e posteriormente popularizada pelo jornalista Ancelmo Gois, tornando-se a forma carinhosa pela qual o diretor passou a ser conhecido em todo o meio artístico.

Lucy Barreto, por sua vez, discute os fatores que permitiram à L.C. Barreto se manter relevante por tantas décadas e recorda as homenagens recebidas pela produtora em festivais internacionais de grande prestígio, a exemplo de Cannes. Para ela, o reconhecimento externo valida a importância da cultura brasileira:

“É o valor que é dado à produção brasileira. O cinema vende a paisagem, a música, a comida, a vestimenta; enfim a cultura do país”, reflete a produtora.

Olhando para o futuro, Luiz Carlos Barreto discute os rumos do cinema nacional e a necessidade de políticas públicas consistentes, como a fiscalização rigorosa das cotas de tela, para garantir a competitividade dos produtores locais frente ao mercado global. Para o diretor, a relevância do setor vai muito além do aspecto financeiro:

“A indústria do audiovisual e do cinema, além do seu fator comercial, é formadora de hábitos e costumes”, resume.

O programa Cine Resenha cumpre o papel de aproximar o público de diretores, produtores e críticos em debates aprofundados sobre obras fundamentais da cinematografia nacional, enriquecendo a grade da emissora pública com produções premiadas.




Cena do filme Dona Flor e seus Dois Maridos – Foto: Divulgação / TV Brasil

A adaptação cinematográfica de 1976 colecionou prêmios e indicações de peso, incluindo dois troféus Kikito no Festival de Gramado — nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora. A direção de Bruno Barreto também rendeu à produção indicações ao Bafta, na categoria de Melhor Revelação para Sônia Braga, e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.

Ambientada em Salvador no início dos anos 1940, a trama acompanha a charmosa professora Dona Flor (Sônia Braga), casada com o boêmio Vadinho (José Wilker), um homem devotado à jogatina e às noitadas. Os excessos do primeiro marido culminam em sua morte precoce durante o Carnaval de 1943, deixando a viúva inconsolável, não apenas pela perda, mas também pelo temperamento fogoso do falecido.

Passado o período de luto, a protagonista aceita se casar novamente com Teodoro Madureira (Mauro Mendonça), um farmacêutico recatado, pacato e correto — o oposto exato de Vadinho. Embora a nova união ofereça a estabilidade e a tranquilidade desejadas, a rotina matrimonial acaba se tornando enfadonha para Flor.

Movida pela saudade e pelas lembranças da vida íntima, a professora acaba invocando o antigo companheiro de forma inconsciente. O fantasma de Vadinho reaparece nu em seu leito, visível apenas para ela, mergulhando a protagonista em um dilema inusitado ao se ver dividida entre os dois maridos que passam a ocupar o mesmo espaço em sua vida e em seus pensamentos.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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