Programa nuclear é uma questão de soberania para o Irã, afirma especialista

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã em busca de um acordo definitivo de paz permanecem repletas de incertezas e tensões significativas. Em uma entrevista recente, Eduardo Migon, professor de Ciências Militares na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (Eceme), analisou os desdobramentos dessas tratativas e enfatizou que o programa nuclear do Irã desempenha um papel central nas discussões.

Migon destacou que, desde a assinatura do memorando de entendimento, o processo de negociação já demonstrou ser instável. “Foi construído um acordo que permitiria que ambos os países pudessem declarar vitória”, afirmou o especialista, ao mesmo tempo em que observou que essa condição não reflete a realidade no campo das negociações.

Ele alertou que as cláusulas estabelecidas no acordo são “muito abertas e muito frágeis”, o que torna os próximos 60 dias um período de grande tensão. Na visão de Migon, são três as perspectivas que dificultam a convergência nas negociações. Para o Irã, o programa nuclear representa “uma questão de soberania e uma questão de sobrevivência”.

Por outro lado, Israel vê a questão nuclear como uma ameaça existencial. Os Estados Unidos, por sua vez, buscam construir uma narrativa que os permita declarar vitória no processo. Para isso, necessitam neutralizar qualquer aspecto relacionado ao programa nuclear iraniano.

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“Esses três pontos de vista não convergem com facilidade”, ressaltou Migon. Ele observou que, devido à fragilidade das cláusulas acordadas, a expectativa de tranquilidade nos próximos dias é incerta.

A análise de Migon evidencia a complexidade e a delicadeza do cenário diplomático em torno das negociações entre Washington e Teerã. As tensões entre essas nações têm repercussões não apenas na região do Oriente Médio, mas também em todo o cenário geopolítico global.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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