Agosto registra temperatura recorde e acende alerta climático global

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

O mês de agosto entrou para a história como o período mais quente já registrado na Terra em um intervalo de pelo menos 100 mil anos. A constatação foi divulgada pelo observatório climático europeu Copernicus, que apontou também que as temperaturas dos oceanos atingiram patamares sem precedentes pelo terceiro mês consecutivo, evidenciando o avanço acelerado da crise climática em todo o planeta.

De acordo com os dados consolidados pelo Copernicus, as temperaturas médias do ar no último mês alcançaram 16,96°C. Com essa marca, o mês superou o recorde mensal anterior, que havia sido registrado em julho de 2023, por uma margem de 0,01°C. Embora as séries históricas diretas do observatório tenham início na década de 1940, metodologias científicas avançadas — que analisam núcleos de gelo, anéis de crescimento de árvores e esqueletos de corais — permitem aos pesquisadores reconstruir e comparar o clima terrestre ao longo de milênios.

Especialistas reforçam a gravidade do cenário atual. Samantha Burgess, integrante do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, órgão responsável pela operação do Copernicus, destacou que a humanidade provavelmente não testemunhava patamares térmicos tão elevados há pelo menos 100 mil anos. Diante da nova avaliação do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu alertas severos, reiterando que o planeta seguirá em uma trajetória de aquecimento contínuo até que ocorra o abandono definitivo dos combustíveis fósseis.

A intensificação da atividade humana, especialmente através da queima massiva de carvão, petróleo e gás, já elevou a temperatura média do planeta em cerca de 1,4°C desde o período pré-industrial. Esse desequilíbrio amplifica de forma drástica a frequência, a severidade e a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos. Além disso, as emissões de gases de efeito estufa continuam a registrar patamares historicamente elevados.

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Para Simon Stiell, chefe do departamento de clima da ONU, as evidências apresentadas são irrefutáveis e representam o custo crescente da dependência global da humanidade em relação aos combustíveis fósseis. O relatório do observatório europeu também confirmou que o mês encerrou o verão mais quente já documentado na Europa Ocidental, superando o antigo recorde que vigorava desde 2003. O trimestre compreendido entre junho e agosto foi marcado por ondas de calor intensas e recorrentes, que provocaram paralisações escolares, severa estiagem em rios e condições propícias para a proliferação de incêndios florestais devastadores.

Investigadores da rede World Weather Attribution ressaltaram que a onda de calor extrema registrada em junho teria sido virtualmente impossível de ocorrer sem a influência direta das alterações climáticas induzidas pelo homem.

O impacto crítico dos oceanos e o fenômeno El Niño

Além das temperaturas atmosféricas, os termômetros da superfície do mar registraram recordes globais diários e igualaram o patamar histórico para o mês de agosto, prolongando uma sequência preocupante de três meses de calor extremo nos oceanos do globo. Estima-se que mais de 90% do excesso de calor retido na atmosfera devido aos gases de efeito estufa tenha sido absorvido pelas águas marinhas, gerando consequências severas para a biodiversidade marinha, os recifes de corais e as populações que habitam regiões costeiras.

As marcas térmicas de agosto bateram recordes em importantes bacias, incluindo o oceano Atlântico, o mar Mediterrâneo e o Pacífico tropical. É justamente nesta última região que o fenômeno El Niño ganha força, apresentando-se como um dos mais intensos da era moderna. Cientistas monitoram o cenário com apreensão e preveem que novos recordes serão quebrados nos próximos meses, à medida que o super-El Niño se aproxima do seu pico de intensidade, projetado para o final do ano. Especialistas apontam ainda que os próximos anos poderão consolidar novos patamares de temperatura global.

A cientista climática Friederike Otto, vinculada ao Imperial College London, enfatiza que as alterações climáticas amplificam a intensidade de cada episódio do El Niño. Enquanto a sociedade mantiver a queima de carvão, petróleo e gás, a tendência é de que meses sucessivos com temperaturas recordes continuem a se repetir de forma implacável.

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Fonte:: estadao.com.br

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