O julgamento da morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos, entrou em seu sétimo dia no último domingo (31). No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo Souza Santos, conhecido como Jairinho, e a professora Monique Medeiros, que são o padrasto e a mãe do garoto, respectivamente. O julgamento, que teve início no dia 24 de outubro, começou a ouvir as testemunhas de defesa dos réus no sábado (30) e seguirá ao longo da semana.
Presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, o júri ouviu durante mais de oito horas o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e sua principal testemunha de defesa. Durante o depoimento, ele descreveu sua irmã de forma carinhosa e falou sobre o convívio familiar, destacando a dedicação de Monique como mãe.
Testemunho de Bryan Medeiros
Em seu relato, Bryan enfatizou que Monique sempre foi uma mãe atenta e dedicada, que sempre trabalhou duro e esteve ao lado de Leniel Borel, pai de Henry, “nos altos e baixos” da vida. Ele também mencionou o relacionamento dela com Jairinho, afirmando que o casal se conheceu pela internet, onde ele se apresentou como uma pessoa gentil, e que a família nunca suspeitou que ele pudesse ser capaz de qualquer tipo de agressão.
Durante seu depoimento, Bryan revelou que Jairinho, após a divulgação de laudos médicos relacionando as lesões no corpo de Henry a agressões, tentou persuadir Monique a ocultar a verdade sobre o que aconteceu antes da morte do menino. Ele também comentou que uma prima havia alertado sobre a possibilidade de Monique estar sendo manipulada, o que levou a família a buscar uma defesa separada para a mãe.
Bryan insistiu que para sua irmã, o filho sempre foi sua prioridade, assegurando que ela jamais toleraria qualquer tipo de agressão contra Henry.
No mesmo dia, outras testemunhas, incluindo um colega de trabalho de Monique e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde ocorreu a tragédia, também foram ouvidas. A funcionária relatou que Monique sempre foi muito atenta e carinhosa com o filho durante as visitas ao local.
Testemunhos da Acusação
Na sexta-feira (29), o júri já havia escutado as testemunhas de acusação, incluindo Leniel Borel, pai de Henry, que foi o último a depor, encerrando seu testemunho nas primeiras horas da manhã de sábado.
O advogado Cristiano Medeiros, que representa a acusação, ressaltou que o depoimento de Bryan não altera o conjunto probatório do processo, uma vez que ele não é uma testemunha ocular dos fatos e suas informações foram transmitidas por Monique, após sua prisão, quando ela já demonstrava um interesse em criar uma versão defensiva.
O advogado argumentou que as declarações de Bryan não têm a mesma força probatória, apontando que os documentos já apresentados em juízo comprovam que Henry sofreu lesões enquanto estava sob os cuidados de sua mãe e de Jairinho.
Argumentos da Defesa
A defesa de Jairinho apresentou a tese de que a laceração hepática, que causou a hemorragia e, consequentemente, a morte de Henry, foi provocada pelas várias tentativas de ressuscitação na unidade de saúde. Contudo, o médico legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa argumentação durante o julgamento.
Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, afirmou que Henry apresentava ferimentos em três áreas diferentes da cabeça, além de lesões nos pulmões e sinais de hemorragia retroaórtica no tórax, bem como hemorragia peritoneal no abdômen, o que foi identificado como a causa da morte do menino. Saveedra confirmou que Henry chegou ao hospital sem vida.
Além disso, o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso, confirmou durante seu depoimento que Jairinho exerceu pressão sobre a equipe médica para que atestasse a morte da criança sem a necessidade de encaminhá-la ao Instituto Médico Legal (IML) para realização de perícia.
Contexto do Caso
De acordo com a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Jairinho teria espancado Henry até a morte, enquanto sua mãe, Monique Medeiros, se omitiu da responsabilidade, o que resultou em um
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


