Conversa entre Lula e Donald Trump indica que laços diplomáticos seguem firmes

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O recente telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder norte-americano Donald Trump, realizado na sexta-feira, 21, reforça a avaliação de analistas e fontes diplomáticas de que não existe animosidade pessoal por parte do mandatário dos Estados Unidos em relação ao governante brasileiro. O contato também surge como uma oportunidade estratégica para a Casa Blanca buscar resultados positivos no cenário da política externa.

Um presidente americano raramente dedica uma hora e vinte minutos de sua agenda, em um momento próximo a eleições cruciais para o Congresso, se não houver um interesse real em cultivar o diálogo com um chefe de Estado estrangeiro. A iniciativa para a realização da chamada partiu de Lula, e o intercâmbio ocorreu em um ambiente classificado como cordial.

Na visão de analistas políticos, a postura do Planalto passou por uma mudança tática. Em vez de apostar no confronto direto com a gestão norte-americana — estratégia que garantiu apelo popular no ano passado —, o governo brasileiro avaliou que o atual cenário de tarifas comerciais impostas ao Brasil exige demonstração de estatura política e capacidade de negociação direta com Trump, movimento semelhante ao adotado por figuras da oposição, como Flavio Bolsonaro em sua viagem a Washington meses antes.

O principal objetivo do governo brasileiro na conversa parece ter sido alcançado: a retomada das tratativas comerciais. As conversas haviam sido interrompidas em julho, com o encerramento do prazo de um ano das investigações da Seção 301, que culminaram na aplicação de uma alíquota adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras. No entanto, especialistas ressaltam que o avanço nas negociações dependerá da disposição do Brasil em efetuar concessões.

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O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos atua cumprindo diretrizes de Trump para reequilibrar as condições comerciais com parceiros globais, uma política de caráter geral e não direcionada exclusivamente ao Brasil. Contudo, o impacto sobre os produtos nacionais é expressivo, reflexo direto das barreiras protecionistas mantidas historicamente pelo país.

Relatos da diplomacia brasileira indicam que Trump questionou o presidente do Brasil sobre o andamento dos processos eleitorais. Em resposta, Lula defendeu a lisura e a segurança do sistema de votação brasileiro, obtendo silêncio do colega norte-americano, que evitou confrontos sobre o tema. Desse modo, as divergências em torno de teses sobre fraudes eleitorais não se transformaram em um atrito direto entre os chefes de Executivo.

Outros pontos sensíveis da pauta bilateral ficaram de fora da ligação. Questões como a recusa de vistos para autoridades norte-americanas que pretendiam inspecionar o sistema eleitoral brasileiro, o impasse em torno da concessão do agrément ao indicado para a embaixada dos EUA, Daniel Perez, e a subsequente revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, não foram abordadas.

Analistas apontam que as tensões diplomáticas recentes têm sido alimentadas principalmente pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conhecido por sua postura crítica a governos latino-americanos de esquerda. Durante o diálogo, Lula também abordou o combate ao crime organizado, manifestando oposição à classificação de facções criminosas como terroristas, mas enfatizando a importância da cooperação mútua na segurança pública, tema bem recebido pela administração norte-americana.

Fonte:: estadao.com.br

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