A crise enfrentada pela Oi continua a gerar preocupações. Os acionistas minoritários, que detêm 7,98% do total de ações disponíveis no mercado, enviaram uma carta eletrônica ao administrador judicial, Bruno Rezende, e a várias autoridades que fazem parte do processo de recuperação judicial. Entre os destinatários, estão o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, a Desembargadora Dra. Monica Maria Costa di Piero, a Juíza de Direito Dra. Simone Gastesi Chevrand, o Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, a Administradora Judicial da SEREDE, Dra. Tatiana Binato, e também o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
A comunicação expressa questionamentos sobre os procedimentos atuais da recuperação judicial da empresa e clama por respostas rápidas. O portal Convergência Digital disponibilizou a carta na íntegra, embora tenha ocultado os dados pessoais dos signatários.
No documento, fica claro que os acionistas da Oi S.A., que é uma empresa atualmente em recuperação judicial, se reuniram para dialogar sobre sua situação. Eles representam um bloco de 25.851.110 ações ordinárias (OIBR3), que somam 7,98% do total de ações em circulação no mercado, excluindo as que estão em tesouraria. Eles se dirigem formalmente ao doutor Bruno Rezende, que é o Administrador Judicial e um dos sócios fundadores da empresa Preserva-Ação, bem como às demais autoridades mencionadas.
A Oi S.A. é considerada uma entidade de relevância estratégica nos setores de telecomunicações e tecnologia no Brasil, fornecendo serviços considerados essenciais para a integração nacional, inclusão digital e suporte a atividades econômicas e sociais em escala ampla. A sua importância vai além do âmbito empresarial e intersecta interesses públicos, uma vez que sua infraestrutura é imprescindível para as comunicações, tanto fixas quanto móveis, além de fornecer serviços de banda larga em regiões onde outras operadoras não apresentam uma presença consolidada.
Dentro deste cenário, o processo de recuperação judicial da Oi, que é caracterizado por sua complexidade e longa duração, tem gerado grande apreensão entre acionistas e outras partes interessadas. A insegurança financeira e operacional da companhia afeta não apenas seu valor de mercado e a boa governança corporativa, mas também a continuidade de serviços que são cruciais para a sociedade brasileira. A atual situação reflete um ambiente de incertezas que exige um nível elevado de transparência, agilidade e responsabilidade da administração judicial e das autoridades públicas envolvidas.
Um dos pontos críticos destacados na carta é a situação da Serede – Serviços de Rede S.A., uma subsidiária da Oi cuja falência foi decretada em dezembro de 2025. Essa falência resultou na demissão em massa de cerca de 4.800 funcionários em todo o Brasil. Os desligamentos ocorreram sem que os empregados recebessem imediatamente os créditos devidos, como verbas rescisórias, férias, salários atrasados e FGTS. Estes créditos foram classificados como concursais, o que significa que não há um prazo definido para seu pagamento. Além disso, foram interrompidos benefícios essenciais, como planos de saúde e pensões judiciais, além de complicações relacionadas a empréstimos consignados e devolução de veículos corporativos.
Essa situação ilustra um colapso social e trabalhista dentro do processo de recuperação judicial da Oi, ampliando a insegurança jurídica e social que afeta milhares de famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, isso compromete a manutenção da infraestrutura de telecomunicações do país.
Em resposta a esse contexto alarmante, os acionistas formulam uma série de questionamentos que precisam ser esclarecidos:
- Quais são as perspectivas futuras da subsidiária Thato? Qual é sua importância em termos de receitas para o grupo Oi?
- Como a Oi vê o processo de Arbitragem contra a União? O valor estimado pode ajudar a quitar grande parte das dívidas da Oi? Se sim, como isso será operacionalizado? Existe a possibilidade de uma operação de crédito com uma instituição financeira para adiantar os direitos creditórios da arbitragem?
- A Oi conseguirá quitar suas dívidas e sair definitivamente do risco de insolvência? O Poder Executivo está disposto a intermediar e apoiar a liberação dos créditos da arbitragem? Em que prazo isso pode ocorrer? Qual é a estratégia geral para quitar as dívidas da empresa?
- Qual é a previsão de tempo para que a Oi saia da recuperação judicial?
- Podem fornecer uma lista dos imóveis da Oi que estão em comodato com a V.Tal? Gostaríamos de um documento detalhando todos esses imóveis, com endereços e informações pertinentes. Qual a estratégia em relação a esses imóveis? A Oi pretende monetizar o uso desses imóveis cobrando aluguel da V.Tal?
- Há perspectivas de receita de aluguel dos imóveis relacionados à UPI de telefonia fixa? Se sim, quais são os valores esperados e detalhes adicionais?
- Como está a receita gerada pela venda de energia limpa das usinas da Oi Energia? Podem fornecer uma atualização sobre essa operação?
- Qual é a expectativa em relação aos créditos da FISTEL? Podem dar mais detalhes sobre essa questão?
- Qual a receita projetada ainda com a comercialização do cobre da Oi? A empresa ainda possui cobre subterrâneo que pode ser monetizado? Qual é o valor e a quantidade total de cobre que se espera monetizar?
- A queda na receita da Oi Soluções foi uma medida estratégica para cortar contratos não lucrativos? Que expectativas existem para o futuro da Oi Soluções em termos qualitativos e quantitativos? Seria possível divulgar um guidance com indicadores financeiros para a operação nos anos de 2026 e 2027?
- Qual é a perspectiva de gestão dos imóveis da UPI Imóveis? Eles serão alugados ou vendidos? Qual será a estratégia para monetizar esses ativos imobiliários, e existe a possibilidade de criar um FII relacionado a eles?
- Poderíamos agendar uma reunião com o bloco de acionistas ou uma transmissão ao vivo pelo canal Investir Sempre no YouTube, onde o Dr. Bruno Rezende poderia dialogar com o mercado e as partes interessadas sobre o atual processo de reestruturação da empresa?
- Podem detalhar as operações da AIX Participações, ACT Participações e Paggo Soluções? Elas proporcionam receitas recorrentes ao grupo Oi? Existe a expectativa de vender essas operações? Se afirmativo, qual o valor pretendido? Qual a estratégia em torno desses ativos?
- Quando serão divulgadas as demonstrações contábeis do 3T25, 4T25 e 1T26 da Oi S.A.? Reiteramos que essas informações são cruciais para o acompanhamento adequado do processo de recuperação judicial e para que os acionistas possam tomar decisões informadas, alinhadas aos princípios de transparência e governança corporativa.
Fonte: convergenciadigital.com.br


