Samarco avança na retomada de suas operações após década do rompimento da barragem

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto:   • Samarco

A mineração brasileira está passando por uma fase de transformação significativa, impulsionada por inovações em tecnologia, engenharia e gestão de riscos. As empresas do setor estão aumentando seus investimentos para tornar as operações mais eficientes e seguras, assegurando seu espaço estratégico nas cadeias industriais globais e contribuindo para a transição energética.

Nesse contexto, a Samarco está avançando com a retomada de suas atividades. Após dez anos desde o rompimento da barragem de Fundão, a empresa está promovendo um processo que abrange a reconstrução produtiva, a incorporação de tecnologias para a disposição de rejeitos e a continuidade das ações de reparação ambiental.

No momento, a companhia opera com 60% de sua capacidade produtiva instalada e implementa um plano de investimentos visando a plena ocupação até 2028. A estratégia abrange não apenas o aumento da produção, mas também a adoção de padrões rigorosos de engenharia, o monitoramento contínuo das estruturas geotécnicas e a modernização das operações industriais.

 

- Publicidade-

Consolidação do processo de retomada operacional

Para a Samarco, o atual momento representa uma nova fase no processo de retomada que começou após a interrupção das suas atividades. O retorno às operações, que teve início em 2020, foi acompanhado de investimentos na modernização industrial, atualização de equipamentos e reforço dos sistemas de monitoramento e gerenciamento de riscos.

As estruturas da empresa são supervisionadas por um Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI) que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, realizando avaliações técnicas de forma contínua.

Outro pilar desta transformação foi a alteração no modelo de disposição de rejeitos, onde a companhia passou a usar sistemas de filtragem e empilhamento a seco para o rejeito arenoso, eliminando a utilização de barragens de rejeitos.

Essas mudanças refletem também um ajuste na cultura operacional, promovendo maior rigor técnico, intensificação dos controles e integração dos setores de produção, segurança e gestão socioambiental.

 

- Publicidade-

Progressos na trajetória de retoma

A evolução até o estágio atual foi gradual, respeitando critérios técnicos e regulatórios estabelecidos. Após cinco anos de paralisação, a Samarco reiniciou suas atividades no final de 2020, operando com cerca de 26% da capacidade instalada, dando início a um processo planejado de reativação por etapas.

Desde então, a ampliação da atividade vem ocorrendo de forma progressiva, acompanhando o retorno das estruturas industriais e a implementação de novos sistemas operacionais. Entre as iniciativas mais relevantes estão a reativação dos concentradores, a criação de novas plantas de filtragem e a modernização das unidades de pelotização, que produzem pequenas esferas de minério de ferro, insumo essenciais para a indústria siderúrgica na produção de aço.

A Samarco, atualmente, é a terceira maior exportadora de pelotas de minério de ferro no cenário internacional e, em 2025, alcançou o maior volume de produção desde o reinício das atividades, superando 15 milhões de toneladas no período.

- Publicidade-

 

Impactos econômicos nas regiões de atuação

A reabertura das operações também está gerando efeitos significativos na economia local. Atualmente, a Samarco conta com aproximadamente 19,9 mil trabalhadores, entre empregados diretos e contratados, em Minas Gerais e Espírito Santo, além de uma rede de fornecedores e prestadores de serviços ligados à cadeia produtiva da mineração.

A atuação da empresa contribui para a arrecadação de tributos e para a circulação de renda nas cidades próximas às suas unidades industriais. Em 2025, os tributos gerados pela Samarco e pela sua cadeia de suprimentos superaram a marca de R$ 2 bilhões, impactando as esferas municipal, estadual e federal.

Além da geração de empregos, a companhia tem ampliado programas de capacitação profissional voltados às comunidades locais e adotado políticas de contratação que priorizam trabalhadores das regiões adjacentes às suas operações, incluindo a inclusão de grupos minorizados, como mulheres e pessoas com deficiência.

 

Investimentos futuros e metas para a plena capacidade operacional

A proposta atual da empresa é alcançar a totalidade da capacidade produtiva instalada, mantendo os requisitos de segurança que nortearam todo o processo de retomada. Para isso, a Samarco planeja investir R$ 13,8 bilhões, que representam o maior ciclo de investimentos de sua história. Este plano define a fase final da restauração operacional da empresa, que combina a ampliação da capacidade produtiva com a modernização industrial e a implantação de novos sistemas de disposição de rejeitos.

Os recursos alocados englobam a reativação das instalações industriais, a construção de novos sistemas para filtragem de rejeitos e a atualização das unidades operacionais e logísticas nas operações em Germano (MG) e Ubu (ES). Também estão previstas melhorias em equipamentos, sistemas de controle e estruturas industriais, alinhando-se às normas regulatórias e aos padrões atuais de segurança exigidos pela mineração.

A etapa final da retomada operacional deve impulsionar ainda mais a criação de postos de trabalho, com uma projeção de até 12.900 novas vagas até 2031, sendo 900 empregos diretos (500 em Minas Gerais e 400 no Espírito Santo) e cerca de 12 mil contratados (8.500 em MG e 3.500 no ES). Com a conclusão dessa fase, a produção anual poderá atingir entre 26 e 27 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro.

Simultaneamente, a empresa mantém como prioridade as ações de reparação associadas ao rompimento da barragem de Fundão, com a meta de estabilizar um modelo de operação que una expansão produtiva, rigor na engenharia, monitoramento constante dos riscos e uma colaboração estreita com as comunidades e o meio ambiente.

Fonte: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia