Cientistas desenvolvem primeira célula sintética com ciclo de vida completo

Marcelo Borges
5 min. de leitura
SpudCell é uma célula sintética criada a partir...

Pesquisadores da Universidade de Minnesota criaram a primeira célula sintética do mundo que possui um ciclo de vida completo, sendo construída inteiramente a partir de componentes químicos não vivos.

A nova célula sintética, conhecida como SpudCell, foi descrita em um estudo realizado pelos professores associados Kate Adamala e Aaron Engelhart, junto com suas equipes na Faculdade de Ciências Biológicas da instituição.

O projeto SpudCell representa um avanço significativo na engenharia biológica e, no futuro, pode oferecer soluções para alguns dos desafios mais complicados nas áreas de medicina e engenharia. A professora Kate Adamala comentou: “Este é provavelmente o projeto mais emocionante em que já trabalhei. Replicamos na química o que antes só era possível na biologia: o conjunto completo de comportamentos de uma célula. Isso prova que as funções mais fundamentais da vida, como crescimento e replicação, não precisam de uma faísca mágica misteriosa.”

Conheça a SpudCell

A SpudCell replica os processos biológicos realizados por um organismo vivo e é capaz de:

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  • Realizar a replicação do ciclo de vida de uma célula biológica: isso inclui seleção, replicação genômica, crescimento, aquisição de recursos por meio de alimentação e divisão geneticamente programada.

  • Efetuar a divisão celular sem citoesqueleto: ao contrário das células naturais que utilizam o citoesqueleto para se dividir, a SpudCell utiliza proteínas que se agregam na superfície da membrana até que um estresse mecânico provoque a divisão da membrana.

  • Realizar seleção e competição: os pesquisadores alteraram o DNA de algumas células artificiais para fazê-las produzir mais proteínas de fusão, resultando em células que crescem e se reproduzem mais rapidamente. Essa versão aprimorada superou a original em velocidade de crescimento, especialmente em situações de escassez de nutrientes, demonstrando a seleção e competição em um sistema sintético.

O DNA da SpudCell

Enquanto o genoma humano possui aproximadamente 3 milhões de quilobases, biólogos suspeitavam que o tamanho mínimo do genoma de uma célula viva poderia ser de 113 kbp. Contudo, o genoma da SpudCell é de apenas 90 kbp.

Diferentemente de um único cromossomo, o genoma desta célula é dividido em sete plasmídeos de DNA independentes, permitindo que os pesquisadores programem as funções celulares de maneira individualizada.

À medida que o desenvolvimento avança, espera-se que a SpudCell e suas sucessoras consigam realizar funções cada vez mais complexas.

O futuro da pesquisa

A professora Adamala, em colaboração com parceiros externos à Universidade, está fundando a Biotic, uma instituição de pesquisa e engenharia voltada ao benefício público, com o objetivo de criar uma infraestrutura técnica necessária para a engenharia de células sintéticas e permitir a participação de pesquisadores de todo o mundo.

Conforme destacado pela universidade, muitos produtos utilizados no dia a dia, como medicamentos, materiais e produtos químicos industriais, necessitam de transformações moleculares que atualmente são realizadas através da manipulação de células naturais ou utilizando processos químicos industriais de alto custo energético.

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Agora, as células sintéticas têm o potencial de realizar transformações moleculares que a química industrial não consegue fazer, como transformar a medicina molecular e construir moléculas terapêuticas precisas, incluindo medicamentos com aminoácidos que nunca foram usados. Além disso, é possível imaginar a produção de materiais cultivados em vez de sintetizados, bem como abordagens de fabricação que operem em condições biológicas, não industriais.

A professora Kate Adamala observa: “Estamos mostrando que é possível projetar as funções básicas da célula. Para concretizar totalmente a promessa dessa tecnologia — tornando-a robusta e prática —, precisamos de um esforço internacional conjunto. O papel da Biotic é concentrar os esforços de engenharia e torná-los compatíveis com uma plataforma compartilhada. A SpudCell é essa plataforma e, com a Biotic estabelecendo os protocolos de colaboração, estamos ansiosos para aplicar essa tecnologia a desafios significativos.”

Para viabilizar a produção em larga escala de SpudCells, os sete plasmídeos de DNA da célula precisam ser consolidados em um único genoma mais estável, além da construção de maquinários moleculares adicionais.

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*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

Fonte: cnnbrasil.com.br

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