O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estendeu um convite oficial para que o líder russo, Vladimir Putin, participe da próxima cúpula do G-20, programada para acontecer em dezembro na cidade de Miami. A informação foi divulgada publicamente nesta quarta-feira, 23, pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Embora os chefes de Estado dos Estados Unidos e da Rússia tenham mantido diálogos por telefone em diversas oportunidades ao longo dos últimos tempos, o último encontro presencial entre líderes das duas nações ocorreu no ano de 2025. A iniciativa diplomática ocorre em um cenário no qual a administração norte-americana intensifica os esforços para intermediar um entendimento que possa resultar no encerramento da invasão russa ao território ucraniano, com Trump afirmando reiteradamente que atua junto a ambas as partes envolvidas para cessar os confrontos.
Durante conversa com jornalistas realizada em Nova York, o secretário de Estado explicou a motivação por trás da decisão da Casa Blanca. “Para resolver problemas, é preciso se encontrar com as pessoas com quem se discorda ou com quem se possa ter algum problema, por isso convidamos o presidente Putin para o G-20”, pontuou Rubio.
O chefe da diplomacia americana também destacou que a presença do líder russo no evento representaria um canal importante para a diplomacia internacional. “Acreditamos que seja uma oportunidade para ele dialogar não apenas com o presidente, mas também com outros líderes mundiais. Esperamos que ele aceite o convite”, completou.
Encontros diplomáticos à margem da ONU
O anúncio do convite foi feito logo após Marco Rubio se reunir com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. O encontro bilateral ocorreu em um hotel nos arredores de Nova York, durante a realização da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A movimentação diplomática antecedeu o pronunciamento oficial do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, perante a Assembleia-Geral da ONU. A expectativa era de que o mandatário ucraniano renovasse seus pedidos por sistemas de defesa aérea mais avançados e robustos para proteger o país das constantes ofensivas de drones e mísseis lançadas pelas forças russas.
No entanto, no mesmo dia, Sergey Lavrov adotou uma postura intransigente durante seu discurso no Conselho de Segurança da ONU, afirmando taxativamente que Moscou não tem a intenção de interromper o conflito que já dura mais de quatro anos contra a Ucrânia.
“Não vamos interromper nossa operação militar especial”, declarou Lavrov na ocasião, aproveitando para fazer acusações contra os países europeus, aos quais atribuiu o interesse de utilizar um eventual cessar-fogo apenas como pretexto para “fornecer armas ao regime de Kiev”.
Reações e propostas de trégua setorizada
A retórica adotada por Moscou gerou reações imediatas por parte do governo ucraniano. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, que discursou na sequência de Lavrov no Conselho de Segurança, avaliou que a declaração feita pelo representante russo “dizia tudo” sobre as reais intenções do Kremlin em relação à paz.
Diante do impasse prolongado, o secretário de Estado americano também utilizou o espaço para incentivar que tanto Moscou quanto Kiev estabeleçam entendimentos parciais, sugerindo especificamente uma trégua voltada para cessar os ataques contra infraestruturas e instalações de energia.
Segundo a avaliação de Rubio, embora uma medida pontual desse tipo não seja suficiente para solucionar o conflito em sua totalidade, ela poderia servir como um alicerce sólido e construir a base necessária para a negociação de um acordo de paz mais amplo no futuro.
Fonte:: estadao.com.br


