Por ocasião do Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR) intensificou as orientações sobre a gravidade da doença e a importância do diagnóstico precoce. A condição, que pode ser desencadeada por uma série de fatores de risco, exige reconhecimento imediato dos sintomas e busca rápida por atendimento médico especializado para evitar desfechos fatais ou sequelas irreversíveis.
A enfermidade caracteriza-se pela formação de coágulos sanguíneos que obstruem total ou parcialmente os vasos sanguíneos. Embora possa se manifestar em diferentes regiões do organismo, a ocorrência é mais frequente nos membros inferiores. Nesses casos, os pacientes costumam apresentar sintomas clássicos como inchaço acentuado, dor localizada e enrijecimento da musculatura da perna. Os especialistas ressaltam que quanto maior for o calibre do vaso afetado, mais grave tende a ser o quadro clínico e o risco para a vida do paciente.
Levantamentos divulgados pela Sesa-PR revelam que, somente entre os meses de janeiro e julho deste ano, os hospitais paranaenses integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS) registraram 2.265 internações decorrentes de trombose venosa. O dado evidencia a relevância de manter a vigilância constante sobre a saúde vascular da população.
Atendimento de urgência e procedimentos avançados
A rede de urgência e emergência do estado — que engloba o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Siate, além de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) — desempenha um papel crucial no manejo de complicações agudas. No período analisado, as equipes realizaram 2.217 procedimentos de trombólise voltados a pacientes acometidos por infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). O método consiste na administração intravenosa de medicamentos trombolíticos capazes de dissolver os coágulos, elevando as taxas de sobrevivência e mitigando sequelas motoras ou cognitivas.
Adicionalmente, o sistema de saúde realizou 51 implantes percutâneos de filtro de veia cava. O procedimento consiste na introdução de um pequeno dispositivo metálico, com formato que remete a um guarda-chuva, cuja função é atuar como uma barreira mecânica para reter coágulos e impedir que atinjam órgãos vitais.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, enfatiza a complexidade do quadro clínico. “A trombose tem complicações graves e, mesmo se tratada, pode gerar muitos problemas para a saúde e impedir até mesmo a locomoção. O mais importante é sempre buscar o atendimento preventivo nas UBS do Paraná para acompanhamento médico. Caso já não seja possível evitar, o sistema de saúde do Estado está preparado para o tratamento em todas as fases”, pontua.
Fatores de risco e órgãos vitais ameaçados
A gravidade da trombose reside no fato de que o sangue coagulado pode comprometer rapidamente o funcionamento de estruturas essenciais para a manutenção da vida. “O grande perigo é que a obstrução pode comprometer rapidamente o funcionamento de órgãos vitais, como o coração e o cérebro. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento médico imediato é fundamental para evitar sequelas permanentes e reduzir o risco de morte”, reforça o cardiologista e diretor clínico do Hospital Waldemar Monastier, Maurício Dallagrana.
Entre os principais fatores que elevam a probabilidade de desenvolvimento da doença destacam-se a obesidade, o tabagismo, o histórico familiar positivo e a condição de portador de trombofilia. O risco também se mostra ampliado em pessoas com idade superior a 65 anos, portadores de doenças oncológicas, gestantes e indivíduos que tenham passado recentemente por procedimentos cirúrgicos de grande porte.
Prevenção e organização da rede assistencial
Como medida preventiva, as autoridades sanitárias recomendam a adoção de um estilo de vida saudável. Isso inclui a manutenção de uma dieta equilibrada, hidratação adequada, prática regular de exercícios físicos, moderação no consumo de bebidas alcoólicas e a abolição do tabaco.
A estrutura de atendimento no Paraná é amparada pela Linha de Cuidado das Doenças Cardiovasculares no SUS, coordenada pela Sesa. O fluxo normatizado abrange desde a orientação primária e prevenção nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até o suporte avançado em situações de emergência. Desde 2020, o protocolo estadual para capacitação e aplicação de trombolíticos em casos de infarto já beneficiou cerca de 2 mil pacientes na rede pública.
Fonte:: saude.pr.gov.br


