A deputada federal Erika Hilton deu início a uma nova crise interna no PSOL nesta terça-feira (23). Em suas declarações, a parlamentar acusou a direção do partido de desrespeitar acordos firmados, restringir recursos para sua campanha e priorizar candidatos brancos na distribuição das verbas eleitorais.
A denúncia foi feita através de uma postagem em sua conta na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, onde expressou estar “chocada e decepcionada” com a administração do partido. Este conflito surge em um contexto de tensão entre a liderança do PSOL e membros do grupo político de Erika, que inclui o ministro Guilherme Boulos. Este movimento está considerando uma possível aliança com o PT após as próximas eleições.
Denúncia de privilégio por raça e identidade de gênero
De acordo com Erika, algumas lideranças, incluindo ela mesma, optaram por permanecer no PSOL com o objetivo de ajudar a legenda a superar a cláusula de barreira do financiamento eleitoral. No entanto, segundo a deputada, a direção não estaria honrando os compromissos pactuados.
“Eu e muitas lideranças decidimos ficar no PSOL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira (…). Mas, para isso, o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando”, declarou a parlamentar.
A deputada criticou os critérios que o partido utiliza para a distribuição dos recursos eleitorais, mencionando nominalmente outras figuras da legenda que, segundo ela, estariam recebendo tratamento desigual. “É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D’Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro”, explicou.
A parlamentar associou a discrepância na distribuição de recursos a questões relacionadas à cor da pele e identidade de gênero, afirmando: “Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis se sobrepondo a tudo: aos acordos feitos conosco, aos cálculos eleitorais sérios…”
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Respostas e críticas de colegas de partido
Alguns membros do PSOL responderam às acusações de Erika, argumentando que a comparação entre as candidaturas proporcionais e as majoritárias ignora a lógica do financiamento eleitoral. Um dos críticos, José Luís Fevereiro, declarou em entrevista que as alegações de racismo feitas por Erika são infundadas, ressaltando que Manuela D’Ávila não é candidata a deputada, mas sim a senadora, e por isso, a necessidade de recursos é diferente.
“Ela acusar o PSOL de racismo porque a Manuela D’Ávila teria mais recursos é estapafúrdio. Manuela não é candidata a deputada, mas ao Senado, e lidera as pesquisas”, comentou Fevereiro, que é coordenador da Dissidência da Revolução Solidária, um fragmento da tendência interna da qual Erika Hilton e Guilherme Boulos fazem parte.
Fevereiro ainda apontou que essa polêmica faz parte de uma estratégia política envolvendo a proposta de saída do grupo de Erika do PSOL. “Inventaram o falso debate da federação com o PT, sabendo que ele não seria aprovado no PSOL, para construir uma narrativa. E agora essa polêmica também serve para construir uma narrativa”, afirmou.
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Posicionamento do PSOL sobre a distribuição de verbas
A direção nacional do PSOL emitiu uma nota rejeitando as alegações de favorecimento e esclarecendo que a distribuição de recursos é baseada em critérios voltados para a ampliação de sua representação no Congresso, tanto em nível federal quanto estadual, além da conquista de cadeiras no Senado.
“O incentivo — inclusive financeiro, no qual o PSOL é pioneiro — a candidaturas de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTs e PCDs é uma política consolidada, não havendo debate em torno de mudanças nesse sentido”, disse a legenda.
O partido também afirmou que a proposta de financiamento ainda precisa ser aprovada pelos órgãos internos antes de sua aplicação. “A proposta, que ainda será votada nas instâncias partidárias, leva em conta essas metas e estabelece um teto, com o maior valor possível, para todos os detentores de mandato que buscarão a reeleição, considerados nossos principais puxadores de voto”, finalizou a nota.
De acordo com a legenda, Erika Hilton será a candidata que receberá o maior investimento entre todas as candidaturas proporcionais do PSOL em 2026.
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