Esforços de resgate na Colômbia entram em fase de remoção de escombros após forte sismo

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

A Colômbia prossegue com os trabalhos de remoção de escombros após a destruição causada, há quase uma semana, por um forte terremoto, embora as chances de resgatar sobreviventes sejam agora consideradas remotas pelas equipes de emergência.

O som característico de retroescavadeiras, guindastes e caminhões passou a ecoar pelas áreas mais atingidas pelo tremor de magnitude 7,4, que na última segunda-feira, dia 10, derrubou milhares de casas, edifícios comerciais, hotéis e hospitais em diferentes regiões do país sul-americano.

O silêncio tenso que marcou os longos esforços de busca e resgate após o abalo sísmico — apontado como o mais letal deste século na Colômbia e que deixou quase 300 mortos — começa a dar lugar ao barulho intenso das operações pesadas de recuperação e limpeza urbana.

O desastre natural ocorreu pouco tempo após a posse do novo governo liderado por Abelardo de la Espriella, que recentemente pediu ao seu aliado americano, Donald Trump, a suspensão temporária de tarifas comerciais para auxiliar na recuperação econômica do país.

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O oeste da Colômbia e a tradicional zona cafeeira sofreram o impacto mais severo do desastre. Quase uma semana após o evento trágico, as esperanças de encontrar pessoas com vida sob os escombros diminuem a cada hora que passa.

Voluntários mantêm esperança por sobreviventes

Na cidade de Cali, a fachada de um edifício de cinco andares que ruiu completamente após o terremoto foi marcada por um socorrista com um “V” vermelho, atravessado por uma linha horizontal. O símbolo é um protocolo internacional que indica o encerramento das buscas oficiais por possíveis sobreviventes naquele ponto específico.

Apesar das diretrizes oficiais, grupos de socorristas voluntários se recusam a paralisar os trabalhos. “Embora nos digam que já se passaram muitos dias, continuamos buscando sinais de vida porque queremos continuar apostando na vida”, afirmou Juan Carlos Tabares, um professor de 58 anos que lidera uma frente de resgate independente batizada de “Valentía” (Coragem), operando ao lado de dezenas de voluntários.

Até o momento, pelo menos cem pessoas continuam oficialmente desaparecidas na Colômbia em decorrência do terremoto. Especialistas em resgate lembram que a janela crítica de sobrevivência sob escombros cai drasticamente após o período de 72 horas.

Buscas por animais e apelo por maquinário pesado

Enquanto as equipes focam na infraestrutura destruída, histórias dramáticas pontuam o cotidiano dos afetados. Uma moradora continua vasculhando incansavelmente os escombros ao redor de sua antiga residência em Cali em busca de seu cachorro de estimação, chamado Lucky.

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Vizinhos relataram ter ouvido o ganido do animal abafado em meio aos escombros. Sensibilizados, bombeiros e equipes de resgate passaram a utilizar microfones especiais introduzidos sob os escombros do prédio colapsado para tentar localizar a fonte do som.

“Não havia mais pessoas vivas, mas vizinhos da região disseram ter ouvido o Lucky chorando durante a noite; por isso, chamamos voluntários para ajudar”, relatou Cristian Moreno, bombeiro de 32 anos envolvido na força-tarefa.

O prefeito de Cali, Alejandro Eder, estimou publicamente que a reconstrução completa da terceira maior cidade da Colômbia exigirá investimentos de pelo menos 3,2 bilhões de dólares. Para enfrentar a crise, o país tem recebido ajuda financeira e humanitária internacional de governos como o dos Estados Unidos e de instituições multilaterais como o Banco Mundial.

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Em várias cidades afetadas, construções que resistiram parcial ou totalmente receberam grandes marcações com um “X” vermelho, alertando a população sobre o alto risco de novos desabamentos e proibindo o trânsito de pedestres nas calçadas vizinhas.

Na cidade de Pereira, fortemente castigada pelos abalos, o ministro do Interior, Rodrigo Lara, fez um apelo público para que empresários locais disponibilizem seus maquinários pesados para acelerar a remoção de escombros, embora tenha ressalvado que ainda há suspeitas de corpos e pessoas presas sob as ruínas estruturais.

Fonte:: estadao.com.br

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