Estratégia nacional para infraestrutura busca injetar um trilhão no PIB com uso de inteligência artificial até 2030

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A inteligência artificial carrega o potencial de injetar até R$ 1 trilhão no Produto Interno Bruto brasileiro até o final da década, especificamente em 2030. No entanto, para alcançar essa marca expressiva, o país precisará direcionar esforços e recursos para aprimorar a infraestrutura digital, investir na capacitação profissional e promover adaptações profundas nos modelos de negócios corporativos. A discussão esteve no centro dos painéis e debates do ABES Summit 2026, evento realizado na última terça-feira, 27 de outubro, na capital paulista, fruto de uma parceria entre a Associação Brasileira das Empresas de Software e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Durante a cerimônia de abertura, um dos anúncios de maior destaque partiu de Felicio Ramuth. O gestor público informou que assumirá a dianteira dos projetos voltados à tecnologia e inovação no âmbito do governo paulista ao longo dos próximos quatro anos. O objetivo principal dessa frente será acelerar de forma consistente a transformação digital em todas as secretarias estaduais. Conforme destacou durante o encontro, a atuação abrangerá diretamente iniciativas tecnológicas em múltiplas áreas da administração pública.

Desafios regulamentares e investimentos em data centers

O vice-governador também aproveitou a oportunidade para pontuar que o estado de São Paulo concentra um volume expressivo de aproximadamente R$ 100 bilhões destinados a investimentos em data centers. Além disso, ele defendeu a necessidade de avanços concretos na regulamentação do REDATA e manifestou preocupação em relação aos reflexos que a reforma tributária poderá gerar sobre as empresas do setor de software e serviços. No que diz respeito especificamente à inteligência artificial, Ramuth enfatizou a urgência de estabelecer marcos regulatórios equilibrados, que assegurem a segurança jurídica sem sufocar a capacidade de inovação e a competitividade do mercado.

Na visão de Andriei Gutierrez, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software, a transformação digital precisa figurar como prioridade máxima nas agendas dos futuros governos. O executivo sustentou a necessidade de políticas públicas de longo prazo, mecanismos sólidos de governança e aportes financeiros robustos em infraestrutura. Para Gutierrez, a inteligência artificial não deve ser tratada de forma isolada, restrita apenas aos departamentos técnicos das corporações. Trata-se de uma tecnologia de caráter revolucionário que precisa ser integrada ao planejamento estratégico, exigindo a revisão de modelos de negócio e de toda a concepção organizacional das empresas.

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A distância entre testes e a geração real de valor

As projeções sobre a injeção de R$ 1 trilhão na economia nacional até 2030 foram detalhadas por Tania Cosentino, conselheira do International Chamber of Commerce e conselheira independente da WEG, além de ter acumulado passagens pela presidência da Schneider Electric e da Microsoft no Brasil. Citando dados de uma pesquisa elaborada pelo Boston Consulting Group, a especialista apontou que a proporção de organizações capazes de capturar valor com o uso de inteligência artificial em grande escala saltou de 5% para 50% no intervalo de cerca de um ano. Apesar do progresso, a executiva fez um alerta sobre a dificuldade que muitas companhias ainda enfrentam para transformar projetos experimentais em resultados financeiros palpáveis.

Segundo a conselheira, existe um abismo considerável entre realizar testes piloto e conseguir desbloquear valor real a partir da tecnologia. A competitividade mercadológica, portanto, estaria diretamente atrelada à habilidade de embutir a inteligência artificial nas decisões estratégicas, conceber novos produtos e serviços e mapear novas frentes de crescimento. A proliferação dos agentes autônomos também demanda atenção redobrada aos critérios de governança corporativa. Indicadores apresentados no evento mostram que, embora 42% das empresas pretendam avançar na adoção dessa tecnologia até 2030, apenas 5% possuem controles operacionais estritos para garantir a segurança dos processos.

Cosentino também chamou a atenção para o fato de o Brasil abrigar apenas cerca de 1% dos data centers existentes em todo o mundo. A expansão coordenada dessa infraestrutura em território nacional teria o condão de movimentar R$ 90 bilhões em aportes adicionais até o final da década, abrindo caminho para a criação de mais de 55 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos. Para capitalizar essas oportunidades, a especialista defendeu a estruturação de uma política de Estado que consiga articular infraestrutura, matriz energética, desenvolvimento industrial, fomento à pesquisa e educação, além da devida preparação de líderes corporativos e da força de trabalho.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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