Brasscom critica a morosidade na aprovação do Redata e alerta para perda de investimentos no Brasil

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Roberta Prescott Mande um e-mail

O presidente-executivo da Brasscom, Affonso Nina, expressou sua preocupação em relação à espera pela aprovação do Projeto de Lei nº 278/2026, que estabelece o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center). Durante uma coletiva de imprensa, Nina destacou: “O Brasil está perdendo o trem-bala da oportunidade”, referindo-se à necessidade urgente de desonerar investimentos no setor de tecnologia.

O projeto, que já recebeu a aprovação da Câmara dos Deputados, está atualmente pendente de votação no Senado. A proposta visa suspender por cinco anos a cobrança de impostos como IPI, PIS, Cofins e taxas de importação, o que poderia revolucionar o ambiente de investimentos em data centers no país.

Essas declarações foram feitas durante o Brasscom TecForum Pocket São Paulo, realizado na terça-feira, 12 de maio, um evento que também marcou o lançamento do Relatório Setorial 2025. Este documento apresenta dados atualizados sobre o macrossetor de tecnologia da informação e comunicação no Brasil.

O levantamento indica que a cada mês sem a aprovação do Redata, o Brasil perde oportunidades significativas de investimentos. Grande parte dos benefícios previstos pela legislação devem ser usufruídos ainda neste ano, antes da implementação de uma reforma tributária mais ampla. Quando a medida provisória que institui o Redata foi proposta, a Brasscom projetava que os investimentos em data centers poderiam alcançar a cifra de US$ 80 bilhões, um valor que começou a declinar à medida que os meses se passaram.

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“Estamos considerando cenários que variam de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões em investimentos no setor de data centers, mas os atrasos na aprovação do Redata e na redução do ICMS fazem com que a previsão de US$ 100 bilhões não seja mais viável”, afirmou Nina. A expectativa atual caiu para cerca de US$ 80 bilhões, equivalentes a R$ 400 bilhões, com uma projeção de aumento na capacidade de energia de 2,5 vezes, subindo de 1.340 MW em 2026 para 2.529 MW até 2030.

“Embora não possamos definir um número exato, essa estimativa está diretamente relacionada à velocidade das aprovações. A cada dia sem a autorização de medidas adequadas, bilhões de dólares estão sendo perdidos. Vários projetos estão parados, e empresas informaram que perderam oportunidades para executar projetos em outros países”, acrescentou, evidenciando as consequências da morosidade na aprovação do Redata.

Apesar das dificuldades, Nina mantém uma perspectiva positiva quanto à aprovação da medida. Durante o evento, foi lançado um manifesto que conta com o apoio de uma coalizão composta por dez frentes parlamentares e 34 entidades do setor produtivo. O documento pede a aprovação imediata do Redata, ressaltando que a demora em um marco regulatório pode impactar negativamente os investimentos na área. “O Redata não morreu; essa é a mensagem. Neste momento, tudo depende de uma decisão do Senado”, enfatizou o presidente da Brasscom.

O cenário ideal para os investimentos em data centers era estimado em R$ 500 bilhões (ou US$ 100 bilhões) até 2030; no entanto, essa expectativa não é mais realista, segundo Nina. O número que se almeja em investimentos agora gira em torno de R$ 400 bilhões. O relatório da Brasscom detalha que desse total, R$ 299,5 bilhões seriam destinados à aquisição de equipamentos, que seriam beneficiados por incentivos fiscais, enquanto R$ 99,8 bilhões ficariam para infraestrutura.

Um dos principais benefícios da aprovação do Redata seria a inserção do Brasil na economia digital global. O país possui um parque de data centers em crescimento, contando com 205 unidades, além de operar com uma matriz energética predominantemente renovável.

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No entanto, o Brasil ainda enfrenta um significativo déficit na balança comercial de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). “A infraestrutura para processamento de dados ainda não está totalmente estabelecida no Brasil; somos dependentes desse processamento realizado no exterior. Atualmente, temos importado mais serviços do que exportado e é essencial desenvolver essa infraestrutura internamente”, afirmou Nina.

O aumento do déficit na balança comercial de TIC foi mitigado pela elevação nas exportações de serviços relacionados a telecomunicações, computação e dados, que cresceram 24,7%. Esse valor representa 4,4 pontos percentuais a mais em relação ao crescimento das importações.

No entanto, ao observar as cifras totais, as exportações somaram R$ 62,0 bilhões em 2025, com um crescimento de 20,8%, enquanto as importações totalizaram R$ 254,9 bilhões, um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Assim, a balança comercial registrou um déficit de R$ 192,9 bilhões, que representa um aumento de 8,8% na comparação anual.

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Fonte: convergenciadigital.com.br

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