EUA negam avaliação do Itamaraty de risco de ação militar contra o Brasil: ‘Comentário absurdo’

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O Departamento de Estado dos Estados Unidos caracterizou como “absurda” a análise do Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre a possibilidade de que a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos EUA poderia levar a ações militares em solo brasileiro.

Na última quinta-feira, dia 2, o Itamaraty enviou uma carta à Câmara dos Deputados dizendo que intervenções militares poderiam ser uma consequência plausível após essa classificação. O documento, assinado pelo ministro Mauro Vieira, foi uma resposta a um pedido de esclarecimentos feito pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) acerca da postura do governo Trump em relação ao crime organizado.

Em entrevista ao Estadão, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA esclareceu que a possibilidade de ações bélicas não se sustenta. “Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão adotando decisões firmes, em consonância com suas competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora operam nos EUA, e vamos proteger nossa população contra elas”, declarou o órgão encarregado da política externa americana.

O texto também ressaltou que “alegações vagas de intervenção geralmente servem de justificativa para apoiar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”.

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No documento enviado ao Legislativo, Vieira destacou que não recebeu qualquer comunicação formal da decisão do Departamento de Estado dos EUA antes do anúncio realizado pelo secretário Marco Rubio. Além disso, o ministro acrescentou que a medida adotada pelos EUA pode ter “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto na soberania nacional” e que não resultará em “benefícios concretos para a cooperação internacional” entre os dois países no combate ao crime organizado.

No dia anterior, 1º de novembro, os Estados Unidos anunciaram suas primeiras sanções econômicas direcionadas a indivíduos e empresas supostamente conectados às atividades do PCC e do CV em território americano, com foco, em especial, na lavagem de dinheiro no sistema financeiro.

Essas sanções significam que todos os bens e interesses das pessoas e empresas afetadas que estejam nos Estados Unidos ou que estejam sob controle de cidadãos americanos serão imediatamente bloqueados. Além disso, cidadãos, organizações e instituições financeiras dos EUA estão proibidos de realizar qualquer tipo de transação com as entidades alvo dessas medidas.

Fonte: estadao.com.br

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