Ex-banqueiro nega irregularidades em investigações e pede voto de confiança

Marcelo Borges
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Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 15 de outubro, ocasião em que negou ter cometido fraudes bancárias relacionadas à tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

A oitiva ocorreu antes de Daniel Vorcaro e mais 14 investigados terem sido indiciados pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que apura as irregularidades na primeira fase da Operação Compliance Zero. Os indiciamentos foram formalmente concluídos.

Durante o depoimento prestado à delegada Janaína Palazzo, o ex-banqueiro defendeu o arquivamento das investigações e argumentou que não existem provas materiais contra a sua conduta.

“Arquive esse processo, porque não tem prova nenhuma, não tem prova de fraude, porque não tem prejuízo. Faça-se uma perícia. Vamos contratar uma perícia de fora para saber os ativos foram vendidos. Se não tiver tido prejuízo, o que eu fiz?”, questionou durante o procedimento policial.

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Daniel Vorcaro sustentou que sua atuação limitou-se a tentar solucionar um problema relacionado à troca de ativos da empresa Tirreno que, de acordo com as apurações da Polícia Federal, funcionava como empresa de fachada e teria sido utilizada para repassar créditos fictícios ao Banco Regional de Brasília.

“Aonde que eu fiz alguma coisa de errado neste processo para estar há um ano preso? A minha família toda destruída, com tudo acabado. Fui resolver um problema, de boa-fé”, declarou.

O investigado aproveitou a oportunidade para solicitar a revogação de sua prisão preventiva. Ele está detido desde março deste ano, encontrando-se custodiado no presídio da Papudinha, localizado no Distrito Federal.

“Não dá para fazer uma análise sem ver o filme todo. Vamos fazer uma perícia. Me solta, primeiro, para não ficar esperando, deixa eu esperar em casa. Vamos fazer isso para que não se cometa injustiça”, apelou.

Ao término da oitiva, que se estendeu por aproximadamente duas horas, o ex-banqueiro reforçou que não praticou atos ilícitos e apelou por um “voto de confiança” por parte da autoridade policial responsável pelo caso.

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“Eu até te elogiei quando a gente chegou aqui. A senhora está trabalhando muito nesse negócio. Estou pedindo um voto de confiança”, completou.

Após a formalização do indiciamento, a defesa de Daniel Vorcaro emitiu posicionamento afirmando que as transações envolvendo o Banco Regional de Brasília e a Tirreno não resultaram em danos financeiros à instituição pública.

Para os advogados, decorrido um ano desde o início das diligências, a Polícia Federal mantém a mesma narrativa inicial sem apresentar avanços significativos nas apurações.

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“O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, manifestou a defesa em nota.

Indiciamento

Conforme o relatório elaborado pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro exerceu “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações que envolviam carteiras de crédito irregulares do Banco Master, as quais teriam provocado rombos financeiros ao Banco Regional de Brasília.

“Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição”, apontou o documento da Polícia Federal.

Como desdobramento das investigações, todos os investigados foram formalmente acusados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Prejuízo

De acordo com os levantamentos técnicos conduzidos pelos investigadores da Polícia Federal, o prejuízo financeiro já contabilizado atinge a cifra aproximada de R$ 2,7 bilhões. Parte expressiva dessas perdas decorre da emissão de carteiras de crédito inexistentes vinculadas ao nome da Tirreno.

“Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual”, concluiu a corporação.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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