Expansão digital transforma ensino e leva internet a milhares de instituições públicas no país

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O programa Aprender Conectado alcançou um marco expressivo na inclusão digital de unidades de ensino públicas no território nacional, concentrando na Região Nordeste quase metade de todas as instituições beneficiadas pela iniciativa. Coordenado pela Entidade Administradora da Conectividade das Escolas (Eace), o projeto já concluiu o atendimento em mais de 28 mil escolas em todo o país, sendo que 12.330 delas estão situadas nos estados nordestinos, o que representa cerca de 48,1% do escopo total da ação.

Os dados divulgados pela iniciativa mostram que o avanço da infraestrutura digital se estende por todas as regiões brasileiras, com cenários distintos de atendimento. Logo após o Nordeste, a Região Norte aparece com 7.355 escolas conectadas. Na sequência, o Sudeste registra 3.628 unidades atendidas, seguido pelo Sul, com 1.773 instituições, e pelo Centro-Oeste, que contabiliza 525 escolas contempladas com a nova infraestrutura de rede.

Para Flávio Santos, diretor-geral do programa, os números vão muito além de um simples panorama estatístico regional. Segundo o gestor, o mapeamento serve para dimensionar com precisão onde a inclusão digital deu passos mais largos e evidencia a urgência de direcionar esforços para áreas que historicamente enfrentam barreiras geográficas e estruturais de acesso à tecnologia.

O diretor aponta que a prioridade na expansão da rede deve ser dada às populações e localidades que passaram por longos períodos à margem desse tipo de desenvolvimento. Desse modo, o fato de Norte e Nordeste concentrarem o maior volume de conexões reflete uma estratégia deliberada para mitigar disparidades antigas, superando barreiras logísticas complexas para garantir que a tecnologia cumpra seu papel transformador na educação pública.

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Grandes distâncias e desafios de acesso na Região Norte

Na Região Norte, o processo de implantação da internet nas escolas esbarra em particularidades geográficas acentuadas e em barreiras logísticas de grande proporção. A imensidão territorial, somada à grande distância entre os municípios e à predominância de zonas de difícil acesso, impõe cenários onde o transporte, o fornecimento de energia e os serviços de comunicação tradicionais encontram sérios entraves operacionais.

Diante desse contexto adverso, levar conexão de qualidade para dentro da sala de aula exige um planejamento minucioso e o desenvolvimento de soluções tecnológicas adaptadas à realidade de cada comunidade. Muitas vezes, a infraestrutura padrão precisa ser substituída por alternativas autossuficientes, capazes de contornar a ausência ou a instabilidade dos serviços básicos locais.

Soluções energéticas para locais isolados

Um dos maiores exemplos dessa adaptação tecnológica é a utilização de sistemas de energia renovável em locais onde a rede elétrica convencional ainda não chegou ou apresenta falhas crônicas de funcionamento. Para assegurar que os equipamentos de telecomunicações operem sem interrupções, o programa Aprender Conectado recorreu à instalação de geradores fotovoltaicos.

Até o momento, a iniciativa já implementou geradores solares em 1.573 unidades de ensino em todo o território nacional. Desse total, impressionantes 1.513 instalações foram concentradas exclusivamente na Região Norte. O fato de que aproximadamente 96% dessas estruturas alternativas estejam localizadas nos estados nortistas evidencia de forma clara as disparidades históricas no acesso a serviços essenciais, servindo como base para que a conectividade educacional se torne uma realidade mesmo nas zonas mais isoladas do país.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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