Explosão de caminhão-bomba deixa feridos na Colômbia dias antes de posse presidencial

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas neste sábado, dia 1º, na Colômbia após a detonação de um caminhão-bomba na cidade de Cúcuta, situada próxima à fronteira com a Venezuela. A confirmação foi repassada por autoridades locais, que apontam a gravidade da ocorrência em um momento político extremamente sensível para o país sul-americano.

O atentado aconteceu a apenas seis dias da cerimônia de posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella. Nas primeiras horas da manhã, equipes de reportagem registraram o veículo ainda em chamas nas imediações de uma delegacia de polícia no município. O cenário revelou fachadas de edifícios severamente danificadas, enquanto as forças de segurança, o efetivo militar e moradores locais isolavam a área e avaliavam os estragos provocados pela explosão.

“Neste momento, temos oito policiais e três civis feridos… É um ato atroz e violento… e o que aconteceu é profundamente lamentável”, declarou à imprensa George Quintero, secretário de Segurança do departamento de Norte de Santander, região onde o ataque foi perpetrado.

Em resposta à ação criminosa, o governo local instituiu o oferecimento de uma recompensa financeira equivalente a mais de 32 mil dólares em troca de informações precisas que facilitem a localização e a captura dos responsáveis pelo planejamento e execução do atentado.

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Transição de governo e cenário de segurança

De la Espriella, representante da ultradireita colombiana, tem data marcada para assumir o comando do Executivo no próximo dia 7 de agosto. A solenidade ocorrerá na cidade de Cali, marcando a transição do poder após a gestão de Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda a governar a nação.

Contando com o respaldo político da administração de Donald Trump, o advogado e empresário assumiu o compromisso de endurecer o combate a facções guerrilheiras e cartéis do narcotráfico. O país atualmente enfrenta sua pior onda de violência em dez anos, impulsionada pelo status de maior produtor mundial de cocaína.

Para viabilizar sua estratégia de segurança, o presidente eleito pretende estreitar parcerias e firmar novos acordos de cooperação militar tanto com os Estados Unidos quanto com Israel.

Reações e agenda internacional

Atualmente em viagem oficial a Cuba, o ainda presidente Gustavo Petro ainda não emitiu pronunciamentos oficiais detalhados a respeito da explosão em Cúcuta. A viagem ao território cubano ocorreu na sexta-feira, com o objetivo de debater com Miguel Díaz-Canel os impactos das políticas de estrangulamento econômico aplicadas pelos Estados Unidos contra a ilha, além das recentes manobras do governo Trump direcionadas a embarcações no Caribe.

Em publicações na rede social X, Petro criticou fortemente operações militares na região: “De Cuba, quero me opor a uma guerra no Caribe; os mísseis apontados para o Mar do Caribe — supostamente visando traficantes de drogas — mataram pessoas comuns, como as agências de inteligência dos EUA acabaram de confirmar. Não alcançaram nada, mas mataram 261 pessoas, incluindo, ao que parece, 50 colombianos”.

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Esquema reforçado para a cerimônia

Diante do clima de instabilidade, a posse de De la Espriella contará com uma das estruturas de proteção mais complexas e rigorosas da história recente do país. A operação conjunta mobilizará aproximadamente 11 mil agentes, entre soldados e policiais, atuando de maneira integrada em frentes terrestres, aéreas e marítimas.

Embora as transmissões de cargo tradicionais ocorram no prédio do Congresso, em Bogotá, a escolha por Cali — localizada no sudoeste e fortemente afetada por disputas territoriais entre cartéis e grupos armados — partiu do próprio presidente eleito.

Organizações guerrilheiras já emitiram diversas advertências contra De la Espriella, que reiteradamente manifestou a intenção de rescindir os acordos de paz firmados durante a gestão de seu antecessor e relatou possuir informações sobre planos concretos para atentar contra sua vida. Antes de definir Cali, a equipe de transição avaliou realizar o evento em uma base militar no departamento de Cauca, mas a iniciativa foi vetada por Petro.

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O cenário político nacional tem sido repetidamente abalado por episódios de violência extrema. Em 2025, o senador conservador e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay foi assassinado a tiros durante um ato público na capital colombiana, refletindo a grave vulnerabilidade institucional do país.

Fonte:: estadao.com.br

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