A chuva que caiu durante a madrugada desta quinta-feira (4) não desanimou os fiéis que participaram da confecção dos tapetes em celebração ao Corpus Christi no Centro do Rio de Janeiro. Esta festividade é uma das mais significativas do calendário litúrgico da Igreja Católica.
Os participantes aguardaram por melhorias nas condições climáticas para dar início à montagem dos tapetes, que são feitos com materiais como serragem, borra de café e arroz. O sal grosso, colorido com corantes, é o ingrediente principal, utilizado para criar os vibrantes desenhos que adornam as ruas.
Montagem dos tapetes e novidades deste ano
Neste ano, foram inscritos 100 tapetes, os quais se estenderam por 300 metros na Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Essa quantidade alude ao centenário da Obra de Adoração Perpétua, e o tema escolhido para a celebração de 2026 é “100ª Semana Eucarística: Eucaristia, unidade e missão – ‘Embora sendo muitos, formamos um só corpo’”.
Uma novidade foi a participação do Instituto Marielle Franco, que compôs um tapete onde um girassol brotava da silhueta da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.
Participação da família de Marielle Franco
Marinete da Silva, mãe de Marielle, expressou a importância da participação na confecção dos tapetes, que foi feita a convite do cardeal do Rio, Dom Orani Tempesta. Em 2026, a morte da vereadora completará 10 anos.
Ela ressaltou que vem de uma família católica e considera significativo participar pela primeira vez deste evento. Marinete comentou: “Vendo este Cristo vivo dentro da gente e mostrando para o mundo essa produção maior”, e relatou ter chegado um pouco após as 4h da manhã. “O tapete é uma tradição deste dia, e trazemos o Instituto Marielle Franco com muita honra e toda a família, porque meu marido Antônio está aqui com os jovens da Paróquia de Santa Rita.”
Ela ainda enfatizou: “É muito importante para nós e diz que a nossa fé nos mantém. Celebrar Corpus Christi é uma das celebrações mais bonitas e significativas da Igreja Católica. É o Cristo vivo nas ruas.”
O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, acompanhou Marinete e colaborou na confecção do tapete.
A participação de instituições e crianças
A gestora da Escola Dom Cipriano Chagas, Ana Gabriela Malta, destacou que o tema do tapete confeccionado com alunos e famílias era “Um só coração, unidos na providência”. A escola, que atende 200 crianças de 3 a 11 anos de áreas de vulnerabilidade social da zona sul do Rio, não se deixou abater pela chuva.
“Trabalho em equipe é isso. É muito amor envolvido. Nosso primeiro valor é: amo o que faço. Creio que todos aqui, famílias e crianças, colocaram muito amor. Começamos a confeccionar o tapete às 8h30 e conseguimos finalizar porque todos ajudaram um pouquinho”, explicou Ana em entrevista.
Experiência de jovens na confecção dos tapetes
Rodrigo Lopes, um jovem de 12 anos que é coroinha na Paróquia Nossa Senhora das Dores, participou ativamente da confecção do tapete. Ele comentou: “Estou adorando. São muitos detalhes, eu sou desenhista, então foi um pouco mais fácil.” O garoto frequenta a paróquia todos os domingos e se mostrou entusiasmado com a experiência.
Reflexões sobre a festividade
O cônego Claudio dos Santos, pároco da Catedral Metropolitana de São Sebastião e vigário episcopal para o Vicariato de Pastoral, ressaltou que a celebração do Corpus Christi oferece aos católicos a oportunidade de testemunharem sua fé, que também se reflete na confecção dos tapetes.
“Não existe um tapete igual ao outro. Os desenhos são todos diferentes. Essa diversidade é como Deus nos enxerga. Somos diferentes, mas Ele continua se servindo de cada um de nós para testemunhar Sua presença em nosso mundo”, afirmou o cônego em entrevista.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


