Fiéis enfrentam chuva para confeccionar tapetes de Corpus Christi no Rio de Janeiro

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

A chuva que caiu durante a madrugada desta quinta-feira (4) não desanimou os fiéis que participaram da confecção dos tapetes em celebração ao Corpus Christi no Centro do Rio de Janeiro. Esta festividade é uma das mais significativas do calendário litúrgico da Igreja Católica.

Os participantes aguardaram por melhorias nas condições climáticas para dar início à montagem dos tapetes, que são feitos com materiais como serragem, borra de café e arroz. O sal grosso, colorido com corantes, é o ingrediente principal, utilizado para criar os vibrantes desenhos que adornam as ruas.

Montagem dos tapetes e novidades deste ano

Neste ano, foram inscritos 100 tapetes, os quais se estenderam por 300 metros na Avenida Chile, em frente à Catedral Metropolitana de São Sebastião. Essa quantidade alude ao centenário da Obra de Adoração Perpétua, e o tema escolhido para a celebração de 2026 é “100ª Semana Eucarística: Eucaristia, unidade e missão – ‘Embora sendo muitos, formamos um só corpo’”.

Uma novidade foi a participação do Instituto Marielle Franco, que compôs um tapete onde um girassol brotava da silhueta da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

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Participação da família de Marielle Franco

Marinete da Silva, mãe de Marielle, expressou a importância da participação na confecção dos tapetes, que foi feita a convite do cardeal do Rio, Dom Orani Tempesta. Em 2026, a morte da vereadora completará 10 anos.

Ela ressaltou que vem de uma família católica e considera significativo participar pela primeira vez deste evento. Marinete comentou: “Vendo este Cristo vivo dentro da gente e mostrando para o mundo essa produção maior”, e relatou ter chegado um pouco após as 4h da manhã. “O tapete é uma tradição deste dia, e trazemos o Instituto Marielle Franco com muita honra e toda a família, porque meu marido Antônio está aqui com os jovens da Paróquia de Santa Rita.”

Ela ainda enfatizou: “É muito importante para nós e diz que a nossa fé nos mantém. Celebrar Corpus Christi é uma das celebrações mais bonitas e significativas da Igreja Católica. É o Cristo vivo nas ruas.”

O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, acompanhou Marinete e colaborou na confecção do tapete.

A participação de instituições e crianças

A gestora da Escola Dom Cipriano Chagas, Ana Gabriela Malta, destacou que o tema do tapete confeccionado com alunos e famílias era “Um só coração, unidos na providência”. A escola, que atende 200 crianças de 3 a 11 anos de áreas de vulnerabilidade social da zona sul do Rio, não se deixou abater pela chuva.

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“Trabalho em equipe é isso. É muito amor envolvido. Nosso primeiro valor é: amo o que faço. Creio que todos aqui, famílias e crianças, colocaram muito amor. Começamos a confeccionar o tapete às 8h30 e conseguimos finalizar porque todos ajudaram um pouquinho”, explicou Ana em entrevista.

Experiência de jovens na confecção dos tapetes

Rodrigo Lopes, um jovem de 12 anos que é coroinha na Paróquia Nossa Senhora das Dores, participou ativamente da confecção do tapete. Ele comentou: “Estou adorando. São muitos detalhes, eu sou desenhista, então foi um pouco mais fácil.” O garoto frequenta a paróquia todos os domingos e se mostrou entusiasmado com a experiência.

Reflexões sobre a festividade

O cônego Claudio dos Santos, pároco da Catedral Metropolitana de São Sebastião e vigário episcopal para o Vicariato de Pastoral, ressaltou que a celebração do Corpus Christi oferece aos católicos a oportunidade de testemunharem sua fé, que também se reflete na confecção dos tapetes.

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“Não existe um tapete igual ao outro. Os desenhos são todos diferentes. Essa diversidade é como Deus nos enxerga. Somos diferentes, mas Ele continua se servindo de cada um de nós para testemunhar Sua presença em nosso mundo”, afirmou o cônego em entrevista.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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