Ex-padre recebe pena de 48 anos por tortura e estupro de enteados no Rio

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Agenciabrasil.ebc.com.br

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro condenou o ex-padre Eric Araujo Siqueira Pereira a uma pena de 48 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão. O réu foi responsabilizado por múltiplos crimes graves, incluindo tortura, instigação ao suicídio, fornecimento de material pornográfico a menor para fins libidinosos e estupro de vulnerável, cometidos contra dois de seus enteados na região metropolitana fluminense.

A sentença condenatória foi proferida pela 4ª Vara Criminal de São Gonçalo durante a madrugada. A decisão ocorreu após o Conselho de Sentença acolher integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que detalhou a gravidade e a reiteração das condutas criminosas praticadas dentro do ambiente doméstico.

Dinâmica dos crimes e violência sistemática

Conforme apontado pelas investigações conduzidas pelas autoridades competentes, as agressões e os abusos ocorreram de maneira sistemática entre os meses de outubro de 2020 e maio de 2021. Durante esse intervalo de tempo, o réu residia com a companheira, os dois enteados — vítimas dos crimes — e uma filha fruto do relacionamento do casal.

A denúncia formalizada pelo Ministério Público revelou que as crianças eram submetidas cotidianamente a um ambiente de terror psicológico, agressões físicas severas e abusos sexuais cometidos pelo próprio padrasto no interior da residência onde deveriam encontrar proteção e segurança.

- Publicidade-

Entre os episódios de maior gravidade detalhados no processo e reconhecidos pelo Conselho de Sentença, destaca-se a acusação de instigação ao suicídio de uma das vítimas. Segundo a 1ª Promotoria de Justiça de São Gonçalo, o condenado submetia a criança a castigos extremos, obrigando-a a permanecer em um terraço desprovido de qualquer proteção contra quedas.

No local, o ex-padre verbalizava incentivos para que a criança se jogasse do alto da estrutura, afirmando de maneira manipuladora que, ao cometer o ato, ela encontraria o “papai do céu” e seria feliz. Os jurados entenderam que o réu explorou deliberadamente a pouca idade e a extrema vulnerabilidade emocional da vítima para induzi-la a atentar contra a própria vida.

Descoberta dos abusos e reviravolta no caso

O caso veio à tona após uma das crianças apresentar alterações comportamentais drásticas e repentinas, o que motivou os responsáveis legais a buscarem acompanhamento médico e psicológico especializado. Inicialmente, os sintomas apresentados pela vítima foram diagnosticados de maneira equivocada como indícios de esquizofrenia.

Contudo, o quadro clínico continuou a ser investigado por uma equipe multidisciplinar capacitada. Os profissionais conseguiram aprofundar a avaliação e constataram que os profundos traumas e alterações psicológicas não decorriam de transtornos mentais orgânicos, mas sim dos severos episódios de violência, tortura e abusos sistemáticos aos quais a criança era submetida no cotidiano familiar.

A revelação dos fatos pelas equipes técnicas permitiu que o Ministério Público aditasse a denúncia inicial. Com o avanço das apurações, novas evidências foram incorporadas aos autos, fundamentando as acusações relativas aos abusos sexuais, à comercialização ou disponibilização de material pornográfico impróprio e à tentativa de induzimento ao suicídio, culminando na pesada condenação imposta pelo Poder Judiciário fluminense nesta semana.

- Publicidade-

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia