O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que figura como pré-candidato à Presidência da República, elevou o tom das críticas direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). O posicionamento foi externado durante uma reunião fechada realizada em Brasília com diversos postulantes ao Senado Federal que contam com o apoio do Partido Liberal (PL).
Na avaliação do parlamentar carioca, a atuação do magistrado extrapolou os limites tradicionais da magistratura e assumiu contornos de uma articulação estritamente política em prol do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para fundamentar sua tese, o senador mencionou reuniões e jantares políticos ocorridos na residência oficial do ministro, apontando episódios recentes de mediação entre chefes de Poderes.
Um dos eventos citados por Flávio Bolsonaro ocorreu recentemente, reunindo o presidente Lula e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), em um encontro mediado pelo próprio integrante da Suprema Corte. Aos olhos do grupo político aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, esse tipo de iniciativa demonstra que o magistrado ingressou voluntariamente na seara político-partidária.
“Eu lamento, né? Você vê o Alexandre de Moraes hoje, ele virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontros dentro da casa dele com outros políticos. Quer dizer, Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a respondê-lo dentro da política também”, declarou o parlamentar durante o evento em Brasília.
Questionamentos sobre impeachment e o cenário para 2026
Durante o encontro com os candidatos ao Senado, o tema do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal entrou em pauta de forma direta. Informações de bastidores indicam que Flávio Bolsonaro consultou os presentes sobre a disposição de cada um em apoiar eventuais pedidos de impedimento contra magistrados da Corte, obtendo uma resposta unânime e favorável dos aspirantes a uma cadeira no Congresso Nacional.
A reação da plateia incluiu manifestações verbais e palavras de ordem direcionadas ao ministro. Para o senador do PL, a discussão sobre a responsabilidade de ministros do STF deixou de ser apenas uma controvérsia institucional restrita aos gabinetes de Brasília e passou a integrar o cotidiano da disputa eleitoral com vistas às urnas.
Flávio também fez advertências sobre possíveis tentativas de interferência no processo eleitoral e em candidaturas alinhadas ao seu campo ideológico. Segundo ele, os eleitores cobrarão posicionamentos claros dos futuros senadores sobre a relação entre os Poderes Legislativo e Judiciário, independentemente de medidas de pressão ou investigações em curso.
“Eles que vão ter… Eles vão ser cobrados nas eleições por isso. Vão ser cobrados, não adianta querer dar canetada, ameaçar, né, inventar operações contra os nossos pré-candidatos como fizeram para tentar diminuir a quantidade de senadores”, pontuou o parlamentar durante o discurso.
Críticas ao inquérito das fake news e expectativa para o Congresso
Em sua avaliação sobre o cenário institucional brasileiro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro também direcionou críticas ao andamento do inquérito das fake news, que tramita sob a relatoria de Alexandre de Moraes no STF. Sem entrar em minúcias técnicas, o senador argumentou que investigações conduzidas sob determinados formatos permitem a estipulação prévia de alvos.
Diante desse panorama, a expectativa do grupo político ligado ao PL é que as urnas do pleito de 2026 tragam uma renovação significativa em dois terços das cadeiras do Senado Federal. O objetivo estratégico da legenda é consolidar uma maioria parlamentar mais alinhada ao pensamento de centro-direita a partir de fevereiro de 2027, alterando a correlação de forças na Casa legislativa e redefinindo o tom das relações institucionais com o Poder Judiciário.
Fonte:: ric.com.br


