Conselho do Ministério Público Federal rejeita investigação contra Paulo Gonet

Marcelo Borges
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Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por um placar de 5 votos a 4, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitou, nesta sexta-feira (25), a abertura de um procedimento investigatório contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O chefe do Ministério Público Federal havia sido citado em diálogos extraídos pela Polícia Federal (PF) de aparelhos celulares apreendidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que atualmente se encontra detido.

A decisão do colegiado atendeu a um pedido formalizado pelo Partido Novo, que solicitava a investigação de Paulo Gonet pelo suposto crime de prevaricação, além de requerer o seu afastamento da condução dos processos judiciais relacionados ao escândalo de fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master. No entanto, além de barrar a abertura da investigação, os conselheiros decidiram por unanimidade, com 9 votos a 0, manter Gonet à frente das investigações do caso.

Detalhes da votação no Conselho Superior

A deliberação no âmbito do Conselho Superior do Ministério Público Federal foi marcada por debates intensos entre os membros. Os votos contrários à instauração de uma investigação formal contra o procurador-geral da República partiram do relator do caso, Francisco Sanseverino, acompanhado pelos subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hinderburgo Chateaubriand e Nicolau Dino.

Por outro lado, o grupo que votou favoravelmente à abertura da apuração criminal foi integrado pelos subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos. Durante a argumentação, o subprocurador Hinderburgo Chateaubriand defendeu a manutenção de Gonet no cargo e argumentou que o chefe da Procuradoria-Geral da República apenas poderia ser afastado por determinação judicial, ressaltando que não há elementos concretos que comprovem qualquer grau de amizade íntima entre o procurador e o banqueiro investigado.

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“Não há rigorosamente nada que possa sugerir que o procurador-geral da República tenha algum tipo de amizade íntima com esse investigado. Jamais vi alguém ser considerado amigo íntimo de alguém que sequer consta da agenda telefônica”, declarou Hinderburgo Chateaubriand durante a sessão plenária.

Em contraponto, a subprocuradora Ana Borges enfatizou que as ramificações do caso Banco Master configuram um expressivo esquema de desvios no setor financeiro brasileiro. Para ela, havia justificativas jurídicas para autorizar a investigação, sustentando que Paulo Gonet não deveria ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal para tentar anular o relatório da Polícia Federal que expôs menções ao seu nome.

“Há elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação, e assim autorizar uma investigação criminal”, pontuou a subprocuradora.

As menções nas conversas de Daniel Vorcaro

As referências ao nome de Paulo Gonet vieram a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a quebra de sigilo de trechos da investigação que continham mensagens trocadas pelo ex-banqueiro com um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

Conforme os relatórios elaborados pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro intensificou os contatos com o número associado a Alexandre de Moraes nos dias que antecederam a sua prisão, efetuada em 17 de novembro do ano anterior. Em uma das conversas datadas de 15 de novembro de 2025, Vorcaro manifestou forte apreensão com o avanço das apurações conduzidas pela corporação, que à época ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal na cidade de Brasília.

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Na oportunidade, o ex-banqueiro mencionou diretamente os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, questionando a eficácia de articulações nos bastidores da capital federal. Nas mensagens interceptadas, Vorcaro escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”. Apesar do teor das mensagens, os investigadores apontam que não existem evidências de que tanto Gonet quanto Andrei Rodrigues tenham atuado para interferir no andamento das diligências.

A polêmica ganhou novos desdobramentos após a veiculação de um registro fotográfico, publicado pelo jornal O Globo, que retrata Paulo Gonet ao lado de Daniel Vorcaro e de outros indivíduos associados ao ex-banqueiro. O encontro ocorreu durante um evento de natureza jurídica promovido pelo Banco Master em abril de 2024, na cidade de Londres.

Diante da repercussão dos diálogos e da imagem divulgada, Paulo Gonet negou proximidade com Daniel Vorcaro. O procurador-geral da República classificou o contato mantido com o empresário como um episódio “brevíssimo e banal”, reforçando que sua atuação institucional permanece pautada estritamente pela legalidade e pela impessoalidade na condução dos processos sob sua alçada.

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Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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