O setor de extração e comercialização de água mineral no Paraná apresentou um desempenho expressivo no último ano, consolidando-se como um importante motor para a economia estadual. De acordo com o quarto informe mineral divulgado pelo Instituto Água e Terra (IAT), a atividade movimentou R$ 415,39 milhões no estado. O resultado representa um avanço de 13,8% em comparação com o exercício anterior, quando o montante registrado foi de R$ 365,02 milhões.
O crescimento financeiro veio acompanhado de uma expansão no volume comercializado. Ao todo, foram vendidos 526,99 milhões de litros de água mineral no período, o que denota um acréscimo de 8% frente aos 487,73 milhões de litros contabilizados no ciclo precedente. Os dados reforçam a demanda constante pelo recurso, seja para o consumo direto da população, para a formulação de produtos industrializados ou para o uso em empreendimentos dos setores de turismo, hotelaria e balneabilidade.
Impacto na arrecadação e compensação financeira
A exploração comercial dos recursos hídricos subterrâneos também gerou retornos diretos aos cofres públicos por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). O recolhimento atingiu a marca de R$ 3,5 milhões, assinalando uma alta de 14,7% na comparação com o patamar anterior, que havia sido de R$ 3,05 milhões.
Conforme as diretrizes de distribuição, os recursos obtidos com a CFEM são repartidos entre os entes federativos e as localidades diretamente impactadas pela atividade. A maior fatia, correspondente a 60%, é destinada ao município produtor. Outros 15% são direcionados a cidades afetadas pela extração, enquanto o governo estadual recebe 15% e a União fica com os 10% restantes.
Atualmente, o Paraná conta com 37 empresas ativas no setor, distribuídas em 31 municípios. O funcionamento dessas operações é respaldado por 44 títulos minerários concedidos formalmente pela Agência Nacional de Mineração (ANM), além das devidas licenças ambientais emitidas pelo Instituto Água e Terra.
Concentração regional e principais produtores
O levantamento técnico aponta que a movimentação financeira e o volume de arrecadação estão concentrados majoritariamente em um grupo seleto de municípios. Oito cidades paranaenses responderam juntas por 75,2% de toda a CFEM movimentada no período analisado.
O município de Quitandinha lidera o ranking estadual, respondendo isoladamente por 25,3% da compensação financeira movimentada. Na sequência aparecem Toledo (13,6%), Foz do Iguaçu (9,8%), Campo Largo (7,5%), Almirante Tamandaré (6,8%), Capitão Leônidas Marques (4,1%), Iretama (4,1%) e Iguaraçu, que respondeu por 4% do total.
No recorte empresarial, o protagonismo na arrecadação reflete a concentração geográfica. A empresa Baggio & Baggio Ltda, sediada em Quitandinha, deteve 25,3% da arrecadação total. Logo depois figuram a Indústria e Comércio de Laticínios Pereira Ltda, situada em Toledo, com 13,6%, e a Jamra Administradora de Bens Próprios Ltda, com sede em Foz do Iguaçu, registrando 9,8%. Em conjunto, apenas essas três companhias foram responsáveis por movimentar 48,7% de todo o valor arrecadado no estado.
Geologia e controle ambiental
A extração de água mineral subterrânea no território paranaense ocorre em aquíferos integrados às unidades geológicas locais. A formação desses depósitos naturais e a consequente composição química da água estão diretamente ligadas às propriedades de porosidade, permeabilidade e fraturamento das rochas, além da interação contínua entre o líquido e o meio rochoso que o armazena.
Nesse ecossistema regulatório, o Instituto Água e Terra desempenha um papel central para assegurar a sustentabilidade do setor. Cabe ao órgão estadual a emissão da outorga de uso dos recursos hídricos e do licenciamento ambiental, etapas obrigatórias e condicionantes para que a Agência Nacional de Mineração autorize o aproveitamento econômico da área.
Através desse rigoroso modelo de fiscalização, o IAT monitora de forma contínua o volume de captações e as respectivas vazões autorizadas. O objetivo principal dessa vigilância técnica é evitar a superexploração dos mananciais, prevenir eventuais conflitos pelo uso da água entre diferentes setores econômicos e agir preventivamente em cenários de estiagem ou escassez hídrica.
Além da gestão quantitativa, o órgão ambiental atua firmemente na proteção qualitativa dos recursos hídricos paranaenses. Isso é feito mediante a análise criteriosa dos efluentes descartados nos corpos d’água e a avaliação sistemática de laudos físico-químicos e bacteriológicos da água subterrânea, exames que constituem pré-requisitos fundamentais para a renovação e concessão das outorgas.
O detalhamento completo sobre a comercialização e os dados estatísticos do setor pode ser consultado diretamente no quarto informe mineral de 2026.
Fonte:: iat.pr.gov.br


