Jairinho desiste de novo adiamento, e julgamento do caso Henry começa

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: © PCRJ/Divulgação

Uma importante reviravolta ocorreu na reabertura do julgamento do assassinato do menino Henry Borel Medeiros, no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (25). Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho, que é o padrasto do menino de quatro anos, havia solicitado a destituição de seus advogados, o que poderia resultar em mais um adiamento do julgamento.

Jairinho e Monique Medeiros, mãe de Henry, estão sendo acusados pela morte da criança, ocorrida em 2021, após uma série de agressões. Na época, Dr. Jairinho exercia seu quinto mandato como vereador no Rio de Janeiro.

Contexto do Julgamento

O principal motivo da tentativa de desautorizar a equipe de defesa na última segunda-feira foi o infarto sofrido pelo advogado Fabiano Tadeu Lopes, que liderava a defesa e que se encontra hospitalizado, operando com apenas 30% da capacidade cardíaca.

Apesar de ter uma equipe de oito advogados, Jairinho alegou que Fabiano Lopes era o mais qualificado para sua defesa, devido ao seu conhecimento sobre outras acusações que o envolvem.

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A juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo Tribunal do Júri, interpretou o pedido como uma tentativa de postergar o julgamento, mas ainda assim considerou atender ao pedido do réu, que ficou, por enquanto, sem advogado constituído.

Transferência para Bangu 1

Atendendo a uma sugestão do promotor Fábio Vieira dos Santos, a juíza decidiu transferir Jairinho do presídio Bangu 8 para Bangu 1. Ambas as unidades estão localizadas no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro.

A diferença entre as duas prisões se dá, principalmente, pelo nível de segurança. Bangu 8 é uma unidade considerada menos rigorosa, onde costumam ficar detidos indivíduos com formação superior. Em contrapartida, Bangu 1 é uma penitenciária de segurança máxima, destinada a líderes de quadrilhas e que geralmente mantêm os presos em regime de isolamento.

Durante a leitura da decisão, a juíza observou que o próprio réu admitiu que Bangu 1 oferecia “mais conforto e facilidade”, enquanto destacou que Bangu 8 era “mais apropriada ao efetivo cumprimento da pena”. Essa decisão também adiou o julgamento de Monique Medeiros, mãe de Henry.

A juíza ressaltou que a movimentação jurídica de Jairinho se integrava a outras ações claramente protelatórias: “Nos últimos dois meses, desde o adiamento, houve um aumento de requerimentos inoportunos, nitidamente protelatórios, além de dois habeas corpus com argumentos similares, solicitando a suspensão da sessão marcada para essa data, antes da infelicidade com o doutor Fabiano.”

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Retomada do Julgamento

Durante a leitura da decisão, Jairinho solicitou uma pausa para consultar seus advogados. Após alguns minutos de interrupção, ele anunciou que havia decidido reintegrar alguns de seus defensores, incluindo seu filho, Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, que também é recém-formado e fazia parte da equipe anterior.

Assim, o julgamento foi reiniciado com a fase de escolha dos jurados, que contou com cinco homens e duas mulheres selecionados para compor o corpo de júri.

A juíza Elizabeth Machado Louro leu a acusação do Ministério Público e o julgamento foi suspenso para o intervalo de almoço. Um total de 27 testemunhas foram convocadas, com previsão de que quatro depoimentos de testemunhas de acusação ocorram nesta segunda-feira: dois delegados, um perito e um médico legista.

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Segundo o promotor Fábio Vieira dos Santos e a defesa de Jairinho, o julgamento deve se estender de cinco a sete dias.

Detalhes do Caso

Conforme a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho teria espancado até a morte o menino Henry, enquanto a mãe, Monique Medeiros, permaneceu omissa, o que culminou na morte da criança.

O Ministério Público afirma que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairinho havia submetido o menino a sofrimento físico e mental através do uso de violência. O réu é acusado de homicídio qualificado por meio cruel, que impossibilitou a defesa da vítima, e por essas três torturas praticadas contra a criança.

Já Monique Medeiros é processada por homicídio por omissão, qualificado por motivo torpe e meios que impossibilitaram a defesa da criança.

Retornos e Anterioridades

Este júri representa o retorno após um adiamento anterior. Em 23 de março, a defesa de Jairinho havia pedido mais tempo devido à falta de acesso às provas e, após esse pedido ter sido negado pela juíza Elizabeth Machado Louro, os advogados abandonaram o plenário.

Expectativas de Acompanhamento

Ao chegar ao Tribunal de Justiça, Leniel Borel de Almeida Junior, pai de Henry e assistente da acusação, destacou que a estratégia da família da vítima é expor a rede de influências empregadas por Dr. Jairinho para obstruir evidências relacionadas ao assassinato do menino. “Vamos demonstrar quem são Jair e Monique, a rede que Jair utilizou para evitar que o hospital enviasse [o corpo] ao Instituto Médico Legal (IML). Estou tratando de um vereador com cinco mandatos, um pai que foi deputado estadual quatro vezes, ele ligou para o governador naquele dia, para o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, e contatou delegados que acabaram presos”, declarou.

Leniel, que atualmente é vereador no Rio, também criticou o fato de que o então casal foi capaz de apagar dados de computadores e celulares.

Antes do início do julgamento, o advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, defendeu a versão de que a morte do menino foi um acidente. “Temos um laudo, e este laudo não demonstra o que a acusação tem espalhado nas redes sociais e na imprensa ao longo de cinco anos. Não é essa a realidade”, afirmou aos jornalistas na entrada do julgamento.

Além disso, o advogado reclamou que a defesa não teve acesso a todas as provas pertinentes que fazem parte do julgamento.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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