Líder supremo do Irã proíbe ações contra coesão social

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou a proibição de quaisquer atos por parte de autoridades que possam comprometer a unidade e a harmonia interna no país. Em paralelo, o dirigente máximo exigiu a adoção urgente de medidas enérgicas para mitigar as graves dificuldades econômicas que afetam a população iraniana. As diretrizes foram tornadas públicas por meio de uma declaração oficial divulgada pela imprensa estatal do território persa nesta sexta-feira, 28.

Khamenei assumiu a liderança em um contexto de extrema turbulência, tendo ficado ferido em decorrência de um ataque militar realizado em 28 de fevereiro, o qual resultou na morte de seu pai e antecessor no cargo, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, o atual líder tem mantido aparições públicas restritas. Em sua nova manifestação direcionada aos gestores públicos, ele enfatizou a necessidade de evitar pronunciamentos pessimistas que possam desestimular a população e debilitar a moral coletiva do país. O posicionamento ocorre diante do temor crescente de que a intensificação da pressão financeira — sobre uma economia nacional já profundamente desgastada por conflitos armados — possa servir de rastilho para novos protestos internos.

“É fundamental enfrentar de maneira firme e estruturada a cadeia de desafios econômicos e de subsistência, o que inclui o controle da inflação, o combate ao desemprego, a gestão rigorosa de preços e a regulação adequada do mercado de bens e serviços essenciais”, declarou Khamenei na nota oficial.

O aiatolá também expressou duras críticas a discursos públicos que, segundo sua análise, focam excessivamente nas vulnerabilidades da nação. Para ele, as fragilidades, falhas e deficiências estruturais não devem ser exploradas ou destacadas em narrativas públicas, mas sim superadas por meio de planejamento técnico e ações práticas voltadas à solução definitiva dos problemas. Na visão do governo, expor debilidades serve apenas para abastecer os interesses de adversários geopolíticos e gerar apreensão desnecessária entre os aliados internacionais de Teerã.

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Além disso, o líder supremo classificou como prejudiciais e artificiais as discussões baseadas no que definiu como “dualismos imaginários”, citando especificamente dilemas como “guerra versus negociação”, “consenso versus extremismo” e “compromisso versus belicismo”.

“Declarei de forma firme e inegociável que a prática de qualquer ato que cause danos à coesão nacional está terminantemente proibida”, pontuou o dirigente no documento divulgado.

Conflito armado atinge marca de seis meses

As novas diretrizes internas surgem exatamente quando se completam seis meses desde o início da campanha de ataques aéreos lançada conjuntamente por Estados Unidos e Israel contra o Irã. O confronto militar segue ativo, marcando o cenário geopolítico do Oriente Médio com desdobramentos imprevisíveis para a estabilidade global.

Apesar de semanas intensas de bombardeios terem destruído grande parte da infraestrutura da Marinha e da Força Aérea iranianas, além de causarem danos severos ao programa estratégico de mísseis da nação, a população civil não protagonizou revoltas generalizadas em larga escala, e a estrutura de comando do regime permaneceu intacta e sem divisões profundas.

Em resposta aos ataques iniciais, as forças militares do Irã conseguiram recuperar parte significativa de seus lançadores de mísseis, desferindo retaliações contra bases norte-americanas e alvos de aliados dos Estados Unidos na região. Paralelamente, o Irã consolidou o controle prático sobre o estratégico Estreito de Ormuz, gerando impactos profundos e instabilidade na cadeia de suprimentos e na economia internacional.

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Neste cenário atual, a administração liderada por Donald Trump tem apostado fortemente em uma estratégia de desgaste econômico para tentar enfraquecer o regime persa. Contudo, analistas internacionais apontam falhas de planejamento por parte de Washington, destacando uma perda progressiva de credibilidade estratégica dos Estados Unidos e indícios de que o governo iraniano tem conseguido impor reveses diplomáticos e militares significativos aos governos de Washington e Tel-Aviv. Após meio ano de hostilidades, governos da região que foram alvos de ataques com drones iranianos já buscam canais de diálogo para reatar laços diplomáticos com Teerã.

Fonte:: estadao.com.br

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